Bara () é uma cidade e província da Região de Meca, no oeste da Arábia Saudita, situada entre Meca e Gidá. A província possui quilômetros quadrados e compreende, além de sua sede, os centros administrativos de Ume Arraca, Axuaiba, Dafaque e Albaida. A localidade desenvolveu-se como estação da antiga rota entre Meca e Gidá. Autores medievais mencionam na área uma estação denominada Alcuraine, cuja identificação com Bara é discutida pelos autores modernos, e o nome Bara está documentado pelo menos desde o período mameluco. A povoação conservou sua importância como ponto de parada das caravanas durante o período otomano e até o início do , quando a difusão dos automóveis reduziu essa função. Em 1925, foi cenário das negociações entre Abedalazize ibne Abederramão Al Saúde e o diplomata britânico Gilbert Clayton que resultaram no , relativo às relações entre o Négede e o Iraque. Em 2013, Bara foi elevada de centro administrativo a província da Região de Meca.

História

A área da atual Bara situava-se na antiga rota entre Meca e Gidá. Em 578 A.H. (1183), Ibne Jubair, viajando de Gidá para Meca, alcançou ao nascer do sol uma localidade denominada Alcuraine, onde as caravanas de peregrinos paravam durante o dia antes de prosseguir à tarde e viajar durante a noite até Meca. Alcuraine possuía um poço de água doce que permitia aos viajantes abastecer-se no local e também era utilizado pelas caravanas que faziam o percurso inverso, de Meca para Gidá. Muḥammad Ṭāhir al-Kurdī identificou expressamente o Alcuraine descrito por Ibne Jubair com a Bara de sua época, observando que não conhecia outra estação com esse nome situada a uma jornada de Meca e de Gidá. No início do , Ibne Almujauir também mencionou Alcuraine. Segundo sua descrição, havia no lugar uma pequena fortificação quadrangular construída sobre uma elevação, em pedra e gesso, circundada por treze pequenas torres. Abaixo da fortificação existia um poço de água doce, utilizado inclusive pelos habitantes da vizinha quando lhes faltava água.

Uma guarnição de cavalaria permanecia no local para proteger as caravanas que percorriam a estrada, recebendo uma cobrança por camelo. Ibne Almujauir registra ainda uma explicação segundo a qual Alcuraine teria recebido esse nome por se encontrar a meio caminho entre Meca e Gidá. A identificação exata entre esse sítio e Bara não é consensual entre os autores modernos. Enquanto al-Kurdī considerou Alcuraine o antigo nome da própria Bara, ʿĀtiq al-Bilādī situou Alcuraine numa pequena elevação na extremidade oriental da povoação e observou que Bara não aparece com esse nome no relato de Ibne Jubair. Al-Bilādī sugeriu que a denominação Bara surgiu posteriormente, relacionando-a à abundância de água encontrada num poço escavado no local, explicação que apresentou como interpretação da origem do topônimo.

O nome Bara está documentado no período mameluco. Em 795 A.H. (1393), após Ali ibne Ajelane assumir sozinho o Emirado de Meca, um grupo de xarifes que se opunha ao emir deixou Meca e retirou-se para Bara, descrita por Najemadim ibne Fade como situada nas proximidades de Gidá. Ali ibne Ajelane perseguiu-os até a localidade, levando-os a prosseguir para Gidá, onde pretendiam apoderar-se de uma embarcação do sultão que chegava do Egito. A disputa foi encerrada depois que lhes foram entregues inicialmente quatrocentas e, posteriormente, mais cem ghirāras de trigo. Bara continuou a desempenhar função como estação da estrada durante o período otomano. No final do , Aliçami registrou que o sanjaco Maomé Bei, vindo de Gidá durante uma disputa pelo Emirado de Meca entre Saíde ibne Sade e Amade ibne Galibe, acampou em Bara, expressamente descrita como situada na estrada de Gidá. Saíde enviou-lhe uma mensagem exigindo que apresentasse uma ordem do sultão que legitimasse a investidura de Amade ou regressasse. Diante da insistência do sanjaco em avançar, Saíde colocou Meca em estado de defesa e enviou cerca de cinquenta cavaleiros e vinte homens sob o comando de Haçane ibne Abedal Carim, que interceptaram a força procedente de Bara e a fizeram recuar.

Durante os séculos seguintes, Bara permaneceu sobretudo uma estação das caravanas que circulavam entre Meca e Gidá. , que percorreu a estrada no início do , descreveu a povoação como formada por construções modestas, currais para camelos, cafés e uma pequena mesquita com minarete. al-Kurdī registra que, antes da difusão dos automóveis no Hejaz, os viajantes partiam de Meca ou Gidá à tarde, viajavam durante toda a noite e chegavam a Bara ao amanhecer. Ali descarregavam os animais e permaneciam durante o dia, retomando a viagem ao entardecer para alcançar o destino na manhã seguinte. Essa função sustentava casas, currais, cafés e lojas destinados aos viajantes e às caravanas. A introdução do transporte motorizado modificou essa função. Segundo al-Kurdī, por volta de 1350 A.H. (1931–1932) a disseminação dos automóveis havia reduzido consideravelmente a atividade comercial associada às antigas caravanas. A viagem entre Meca e Gidá podia então ser realizada em aproximadamente uma hora e meia, e os viajantes passaram a permanecer em Bara apenas pelo tempo necessário para descansar, beber água ou realizar as orações.

Outro viajante das primeiras décadas do , , ao passar por Bara, descreveu-a como um conjunto de cabanas e construções modestas, com estabelecimentos utilizados como cafés pelos viajantes da estrada entre Gidá e Meca. Em 1925, Bara tornou-se local de negociações entre Abedalazize ibne Abederramão Al Saúde, então sultão do Négede, e o diplomata britânico . As conversações trataram sobretudo das relações entre o Négede e o Iraque, das incursões de tribos através da fronteira e das responsabilidades dos governos pelos grupos estabelecidos em seus respectivos territórios. O acordo resultante foi assinado no acampamento de Bara em 14 de Rabi Atani de 1344 A.H. (1.º de novembro de 1925) e ficou conhecido como . O documento estabeleceu mecanismos destinados a conter incursões transfronteiriças, responsabilizar os chefes tribais e solucionar disputas entre o Iraque e o Négede.

Geografia

Bara situa-se entre Meca e Gidá, na Região de Meca, no oeste da Arábia Saudita. A povoação desenvolveu-se historicamente junto à principal rota terrestre entre as duas cidades. Muḥammad Ṭāhir al-Kurdī calculou em cerca de 39 quilômetros a distância entre Bara e a Grande Mesquita e descreveu-a como uma das principais estações da estrada Meca–Gidá. A província de Bara ocupa quilômetros quadrados e compreende, além de sua sede, os centros administrativos de , , e . Bara permaneceu administrativamente classificada como um centro até o início do . Em 2013, uma ordem real elevou-a à condição de província de categoria B da Região de Meca e colocou sob sua administração os centros de Ume Arraca, Axuaiba, Dafaque e Albaida. Fontes sauditas posteriores divergem quanto à sua categoria administrativa atual: a Saudipedia classifica Bara como província de categoria A, embora a documentação referente à elevação de 2013 a registre como categoria B. No guia estatístico de 2017, Bara possuía habitantes, dos quais eram sauditas e estrangeiros. O censo de 2022 registrou habitantes na província, dos quais eram sauditas e estrangeiros.

Bibliografia

Categoria:Cidades da Arábia Saudita Categoria:Províncias da região de Meca