alt=|miniaturadaimagem|310x310px|Deputado João Carlos Batista Deputado Estadual João Carlos Batista, discursa na tribuna da assembleia legislativa do Pará 1987Deputado estadual do ParáPeríodo 15 de novembro de 1986 a 06 de dezembro de 1988Dados pessoaisNascimento 19 de novembro de 1952 Votuporanga/São Paulo Morte 6 de dezembro de 1988 Belém Partidos: MDB e PSBProfissão: Advogado e PoliticoFilhos: Marcia Libonati Batista, João Leonardo, (1º casamento) Renata Batista, Dina Batista e João Carlos Batista (2º casamento) João Carlos Batista (Votuporanga, São Paulo, 19 de novembro de 1952 — Belém, 6 de dezembro de 1988), filho do casal de agricultores, Nestor Antônio Batista, de Monte Aprazível, e Izaura Ramos Batista, de Urupês ambos do estado de São Paulo.

João Batista foi criado no campo do interior paulista, tornou-se Líder estudantil, advogado, militante político e deputado estadual no estado do Pará, conhecido por seu ativismo junto aos estudante, trabalhadores urbanos e principalmente os camponeses no Pará, com ampla atuação nas cidades que ficavam as margens da Rodovia Belém-Brasília entre essas cidades destacam-se Paragominas, Ipixuna do Pará, Ananindeua, São Domingos do Capim, entre outros. Já como deputado eleito fez parte da elaboração da Constituição Estadual do Estado do Pará.

João Carlos Batista foi o único deputado assassinado no Brasil após a Ditadura militar (1964 a 1985), em pleno exercício do mandato.

Biografia João Carlos Batista viveu a sua vida até os 20 anos de idade junto com seus pais e os dois irmãos no interior paulista no município de Votuporanga com os pais e os irmãos Vera Lúcia e Pedro Cesar Batista. Já no interior do Pará, no município de Paragominas, durante sua vida ele passou a juventude “convivendo, desde os seus 13 anos, com a violência agrária, com a exploração irracional do homem e da terra da Amazônia; sentindo bem cedo a força e impunidade do latifúndio". Em dezembro de 1965, depois de passar alguns meses com sua família em Santa Fé do Sul, Paraná, chegaram à Belém do Pará em busca de uma vida melhor, depois da longa viagem João e sua família foram residir em Paragominas onde fixaram residência. Em 1975, aos 21 anos, João Batista chega a Belém, recomeçando os estudos. logo matriculou-se no Cursinho Rutherford, onde fez supletivo e cursinho pré-vestibular.

Na capital retomou definitivamente os estudos e começou a trabalhar como vendedor de seguros do Banco Bozzano & Simonsen. Iniciou uma nova vida, pela primeira vez morando em uma grande cidade, apesar de ter parado de frequentar a escola aos 13 anos de idade para ajudar nas despesas de casa. passado o tempo João Batista fez a prova do vestibular da UFPA no qual foi aprovado. Mas, como teve de refazer a prova de matemática do supletivo, acabou não podendo estudar e perdeu o início do ano letivo. Fez então novos testes no vestibular do CESEP (Centro de Ensino Superior do Estado do Pará). Nessa instituição, estudou até se formar em Direito e passar a exercer a advocacia. Para pagar as mensalidades, recorreu ao crédito educativo do governo federal. Concluiu o curso. imediatamente após se graduar, retirou a carteira da OAB – Pará e iniciou suas atividades profissionais.

Ele escolheu a área jurídica por entender que a profissão de advogado lhe daria instrumentos para atuar no combate às injustiças, injustiças por ele presenciadas e sofridas ao longo da sua vida quando acompanhava o pai como tropeiro pelos caminhos do interior de São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul; e durante o tempo em que viveu no interior do Paraná, enfrentando inúmeros constrangimentos; e, já no começo da juventude, quando morou na cidade de Paragominas.

Casou-se com Elisenda Libonatti, com quem teve dois filhos, Márcia Maria e João Leonardo. Dois anos depois divorciou-se e foi viver com Sandra Caminha, militante do Movimento Estudantil (ME), que adotou o sobrenome Batista após a morte de João, em 1988. O casal teve três filhos, Renata Maria, Dina Maria e João Carlos

Liderança Estudantil miniaturadaimagem|João Batista durante ato em defesa da liberdade de imprensa. 1980 - Belém|276x276px

Na faculdade, João, adquiriu uma consciência política e histórica mais crítica e consistente. Antes disso, era um jovem camponês com um sentimento de revolta e crítico, mas com pouco esclarecimento, adquirido ao longo das vivências cruas, e proveniente de dezenas de atos de injustiças que presenciou. O acesso aos estudos universitários lhe trouxe uma nova visão da realidade. A partir daí, começou a processar a sua experiência de vida, a analisar os eventos políticos do país, a refletir sobre como tinha sido sua existência até então; entrou em contato com novos conceitos e fundamentos para o estudo da realidade. Começou a utilizar os raciocínios comuns aos métodos científicos para desvendar as estruturas da sociedade e as estratégias da política. Essa nova visão adquirida possibilitou destacar alguma, das suas melhores qualidades, a sua vocação para exercer a liderança, que se acentuou cada vez mais. O interesse e a dedicação para adquirir ferramentas que melhorassem sua atuação profissional, aliado ao ideal da defesa de construção de uma sociedade mais igualitária, fez com que conciliasse a militância estudantil apaixonada aos estudos jurídicos e políticos. Tinha uma disciplina férrea, e, para alcançar aquilo que buscava, deixava de lado muitas vezes a possibilidade de ter algum prazer pessoal. Tornou-se um voraz leitor de obras de Filosofia, Política e Economia, especialmente o marxismo – leninismo.

Com a fundação do Diretório Acadêmico de Direito, no CESEP, João Batista foi eleito seu primeiro presidente. O grupo do diretório era formado por Benedito Rocha, Apolonildo Brito, Telmo Marinho, Regina Barata, José Marcos Araújo, Arnaldo Jordy, entre outros. Tais como estudantes da UFPA haviam lançado um jornal de divulgação política, os estudantes do CESEP, através do DA de Direito, lançaram o jornal Perspectiva. Esse veículo de comunicação assumiu uma linha editorial comprometida com as lutas travadas pela sociedade naquele momento, com a defesa da redemocratização e da anistia. A mobilização estudantil começou a crescer, as lutas gerais e as específicas se misturaram, o que possibilitou amplos debates e a realização de reuniões e assembleias estudantis. O pátio do CESEP ficava lotado quando as assembleias gerais ocorriam. Por ser uma instituição de ensino privada, os altos valores das mensalidades acabaram servindo de combustível para a luta. Logo, eles organizaram uma greve de ampla repercussão: “a primeira greve depois de 1968, aqui no estado. Paralisamos as aulas numa assembleia histórica com mais de um mil estudantes. Tinha uma série de reivindicações, cujo carro-chefe eram as mensalidades abusivas. Foram lutas exclusivas dos estudantes dessa escola. Apesar de não serem todas atendidas, foi uma greve vitoriosa” declarou Arnaldo Jordy, um dos líderes desse movimento.

miniaturadaimagem|321x321px|João Batista em uma brigada de vendas do jornal hora do povo (1981) - Belém

A militância de João no movimento estudantil acabou provocando seu ingresso no MR-8 e na juventude do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), em 1978. Dizia-se na época que o Brasil vivia o tempo do “partido do ‘sim, senhor’”, e do “partido do ‘não, senhor’”. Existiam apenas a Aliança Renovadora Nacional (Arena) e o MDB, criados em 1965, após a extinção de todos os partidos políticos brasileiros, depois do golpe militar. O MDB aglutinava todas as forças políticas contrárias à ditadura. Nele estavam os políticos oriundos do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), Partido Social Democrático (PSD), Partido Comunista Brasileiro (PCB), Partido Socialista Brasileiro (PSB) e parte da União Democrática Nacional (UDN), e outras forças socialistas, comunistas e sociais - democratas. A ARENA era o partido oficial dos militares e dos civis golpistas. Entre suas principais lideranças estavam generais, coronéis, latifundiários, políticos entreguistas e testas-de-ferro do capital internacional.

Em novembro de 1979 João Batista se candidata para vice-presidente norte da UNE, pela chapa Unidade. Votaram nessa eleição mais de 350 mil estudantes de todo o país, a chapa Unidade ficou em segundo lugar. Mesmo não tendo sido vitoriosa a chapa Unidade obteve um excelente resultado. Em Belém Perdeu somente na Universidade Federal, obtendo, entretanto, uma expressiva votação, logo atrás da mais votada.

Atuação Política Vida partidária miniaturadaimagem|236x236px|João Carlos Batista em campanha eleitoral de 1982 - São Domingos do Capim/PA Sua atuação em várias frentes consolidou sua liderança no estado. Foi eleito para a primeira secretaria da Comissão Executiva Estadual do PMDB. Na secretária-geral estava o deputado federal Carlos Vinagre; e na presidência, Jader Barbalho. João assumiu as principais atividades da secretaria do partido, como organizar as Comissões Provisórias e os Diretórios Municipais

No final de 1984, João atuava como coordenador da Defensoria Pública do Pará. Sua atuação política foi o motivo da sua nomeação pelo Procurador-Geral do Estado, Benedito Monteiro. Nessa atividade Batista ampliou sua influência no movimento sindical camponês, colocando toda a estrutura do departamento a serviço dessa luta – tanto que o governador Jader Barbalho o exonerou do cargo por pressão dos latifundiários, no final de 85. Após pressão de fazendeiros o então prefeito de Paragominas, Evandro Fernandes Couto Moreira, enviou a seguinte carta ao secretário de Agricultura do Pará, João Batista Melo Bastos solicitando a exoneração de João Batista do Cargo de coordenador da Defensoria Pública do Pará.

“Senhor Secretário, tenho a honra de dirigir-me à V. Exa. Que se digne a tomar as devidas providências, com referências aos abusos do Dr. João Carlos Batista, que está insuflando e incentivando os trabalhadores rurais à invasão de terras particulares neste município. Outrossim, convém ressaltar que o mesmo está usando o nome de V. Exa. e do governador Jader Barbalho, que com nobreza, dignidade e paz está tentando desenvolver cada vez mais ao nosso estado. Confiante aguardamos pronunciamento de V. Exa. - Prefeito de Paragominas, Evandro Fernandes Couto Moreira

Ofício nº 395/83, de 23 de novembro de 1983, constante no Livro de atas de reuniões da Câmara Municipal de Paragominas

João foi destituído da Defensoria Pública, mas conseguiu se manter na Comissão Executiva Estadual do PMDB por sua combatividade e competente atuação como advogado. Descobriu novas lideranças, arregimentou-as e manteve-se em linha própria dentro do partido. No entanto, o PMDB começava a receber em suas fileiras setores que fizeram parte do Regime Militar.

Seu trabalho e influência cresceram bastante. Antes das eleições de 1982 a qual foi a primeira a ser disputada por João Batista a Deputado Estadual, sua atuação se dava principalmente na região da rodovia Belém-Brasília e com algumas categorias prestadoras de serviços na capital, como os rodoviários, feirantes e açougueiros, além dos estudantes. Quando saiu da Defensoria, sua influência atuação já se estendia pelas regiões das ilhas, rodovia Pará-Maranhão, começando a estabelecer contatos no sul do estado e Baixo Amazonas.

Na cidade de Paragominas, sua articulação crescia consideravelmente. Mesmo não tendo companheiros na diretoria do STR(Sindicato dos Trabalhadores Rurais) desta cidade, um grupo estava sendo organizado para a eleição da entidade, com reais possibilidades de vitória.

Eleições de 1982