Cecília Bonville, 7.° Baronesa Harington, 2.° Baronesa Bonville (; Shute, 30 de junho de 1460 – Shacklewell, 12 de maio de 1529) foi uma nobre e herdeira inglesa. Pelo seu primeiro casamento com Tomás Grey, 1.° Marquês de Dorset, filho da rainha Isabel Woodville de seu primeiro casamento, foi marquesa de Dorset, e pelo seu segundo casamento com Henrique Stafford, 1.° Conde de Wiltshire, foi condessa de Wiltshire. Nascida em uma época tumultuosa na História da Inglaterra, Cecília se tornou uma rica herdeira com menos de um ano de idade, após a morte dos homens de sua família em batalha, apoiadores leais da Casa de Iorque, durante a Guerra das Rosas.
O seu segundo casamento virou objeto de uma disputa pública entre a marquesa viúva e o seu filho, Tomás Grey, 2.° Marquês de Dorset, que acreditava que a mãe poderia usar a sua herança para enriquecer o novo marido, dezenove anos mais novo do que ela. A disputa teve de ser resolvida pelo rei, Henrique VII de Inglaterra.
Cecília e Tomás foram os bisavós paternos das irmãs Joana Grey, a rainha dos nove dias, Catarina Grey e Maria Grey, que estavam na linha sucessória ao trono inglês em razão da linhagem da mãe, Francisca Brandon, filha de Maria Tudor, cujo pai era Henrique VII.
Família Cecília foi a única filha nascida de Guilherme Bonville, 6.° Barão Harington e de Catarina Neville, irmã mais nova de Ricardo Neville, (jure uxoris) 16.° Conde de Warwick, conhecido como "Criador de Reis", cujo apoio político e lealdade oscilava entre os Iorque e os Lencastre.
Os seus avós paternos eram Guilherme Bonville e Isabel Harington. Os seus avós maternos eram Ricardo Neville, (jure uxoris) 5.° Conde de Salisbury e Alice Montagu, 5.° Condessa de Salisbury.
Ela também era descendente do rei Eduardo III de Inglaterra através de seu filho, João de Gante, além de descender também do rei Henrique III de Inglaterra através de Leonor de Lencastre. Outra ancestral notável foi Joana de Kent, através de seu primeiro casamento com Tomás Holland, 1.º Conde de Kent, uma neta do rei Eduardo I de Inglaterra, cujo terceiro marido era o seu primo, Eduardo, o Príncipe Negro, filho de Eduardo III.
A sua família havia adquirido a Baronia de Haringotn através do casamento de Guilherme Bonville com Isabel Harington, filha e herdeira de Guilherme Harington, 5.° Barão Harington de Aldingham.
Após a morte do pai, sua mãe se casou Guilherme Hastings, 1.° Barão Hastings, com quem teve mais seis filhos, três dos quais sobreviveram e eram meio-irmãos de Cecília: Eduardo, 2.° Barão Hastings, marido de Maria Hungerford, Ricardo e Ana, dama de companhia de Catarina de Aragão, e esposa de Jorge Talbot, 4.° Conde de Shrewsbury. Em 1483, Guilherme, que havia, inicialmente, apoiado o rei Ricardo III, seria executado por ele sob acusação de traição.
Biografia Quando ela tinha apenas seis meses de idade, o seu pai e avô paterno foram executados após a Batalha de Wakefield, em 30 de dezembro de 1460. Os Bonville, que lutaram ao lado do exército leal à causa dos Iorque, após a vitória do exército leal aos Lencastre, que lutavam em nome da rainha Margarida de Anjou, consorte de Henrique VI, foram rapidamente executados por decapitação ainda no campo de batalha. O avô materno da menina, Ricardo Neville, 5.º Conde de Salisbury também foi executado após a batalha, a qual havia sido comandada do lado dos Lencastre por Henrique Beaufort, 2.º Duque de Somerset, enquanto que Ricardo, 3.º Duque de Iorque (pai de Eduardo IV e Ricardo III, liderou o lado dos Iorque, e também morreu lutando. Já a rainha, Margarida de Anjou, estava na Escócia na época, angariando apoio para a sua causa, e por isso, não esteve presente no conflito.
Menos de dois meses depois, os Iorque sofreram outra grande derrota na Segunda Batalha de St Albans, em 17 de fevereiro de 1761. A rainha Margarida, comandante do exército, num ato de vingança, ordenou pessoalmente a execução do bisavó de Cecília, Guilherme Bonville, 1.° Barão Bonville, no dia seguinte. Essa série de execuções transformou a nobre na herdeira mais rica da Inglaterra. A sua herança incluía várias propriedades em West Country, no sudoeste do país, além de mansões nos condados de Lancashire, Lincolnshire, Yorkshire e Cumberland, e propriedades em Devon e Somerset. Ela sucedeu o pai e o bisavó, na condição suo jure, como a 7.° Baronesa Harington de Aldingham em 30 de dezembro de 1460, e como a 2.° Baronesa Bonville, em 18 de fevereiro de 1461.
Um pouco antes de 6 de fevereiro de 1642, sua mãe, Catarina, se casou novamente com Guilherme Hastings, 1.° Barão Hastings, um dos homens mais poderosos da Inglaterra, que servia como Lord Chamberlain do rei Eduardo da Casa de Iorque, primo distante de Cecília. Além de seu dote, Catarina também trouxe consigo a tutela da filha para o novo marido.
Primeiro casamento thumb|esquerda|O conde de Warwick, tio da baronesa Harington.
Cecília foi considerada como uma possível noiva para Guilherme Herbert, filho mais velho e herdeiro do conde de Pembroke, que abordou o conde de Warwick, o influente tio da jovem, com a proposta, em 1468. No entanto, Ricardo Neville recusou a oferta, pois acreditava que o filho do conde não possuía um nascimento nobre o suficiente, e nem prestígio, para se casar com a sobrinha. Cerca de seis anos depois, outro noivo foi encontrado para a baronesa, mas o conde de Warwick não teve nada a ver com a união proposta, pois ele havia sido morto na Batalha de Barnet, em 1471, pelas forças de Eduardo IV, após ter passado a apoiar os Lencastre.
Cecília se casou com Tomás Grey, então conde de Huntingdon, que tinha cerca de 19 anos, em 18 de julho de 1474, apenas duas semanas e meia depois da jovem completar 14 anos de idade. Ele era o filho mais velho de Isabel Woodville, então consorte do rei Eduardo IV, pelo seu primeiro casamento com Sir João Grey de Groby, que havia lutado do lado dos Lencastre, e também foi morto em 1761, na Segunda Batalha de St Albans. Ele tinha sido casado anteriormente com Ana Holland, filha e herdeira de Henrique Holland, 3.º Duque de Exeter e de Ana de Iorque, Duquesa de Exeter, irmã de Eduardo IV. Porém, ela morreu, e não deixou filhos. Cecília e Tomás eram primos, sendo ambos descendentes de Reginaldo Grey, 3.° Barão Grey de Ruthin, que foi casado duas vezes, primeiro com Margarida de Ros, sendo portanto pai da bisavó de Cecília, Margarida Grey, e através do se segundo casamento com Joana de Astley, foi pai de Sir Eduardo Grey, avô de Tomás.
thumb|Isabel Woodville, mãe do marquês de Dorset, que arranjou o casamento entre Cecília e Tomás.
O casamento entre os dois foi proposto e arranjado pela mãe do noivo, a rainha Isabel, que, com a ajuda do marido, o rei Eduardo IV, persuadiu o padrasto e guardião legal da baronesa, o barão Hastings, a concordar com o casamento, apesar dele não gostar de Tomás, e da esposa, a mãe de Cecília, se opor à união. Naquele mesmo ano, a rainha tinha comprado a guarda de Cecília do barão Hastings para facilitar a realização do casamento. O acordo nupcial estipulava que, caso Tomás morresse antes da consumação do casamento, Cecília se casaria com o seu irmão mais novo, Sir Ricardo Grey. O acordo foi confirmado por um Ato do Parlamento. O casamento tinha custado à rainha a soma de £2.500. Ela, então, reteve a herança da nora até que ela completesse 16 anos de idade. Em 1745, Tomás desistiu do título de conde de Huntingdon, quando foi criado marquês de Dorset. Devido ao fato de que mulheres não podiam participar do Parlamento, o seu marido a representava como o barão de Harington e Bonville.
Tomás e Cecília tiveram quatorze filhos, onze dos quais chegaram à idade adulta. Ao todo, foram sete meninos e sete meninas.
thumb|esquerda|Jane Shore, amante do marquês de Dorset, de Eduardo IV, e por fim, do barão Hastings, madrasto de Cecília, que o convenceu a deixar de apoiar o Lorde Protetor.
O marido da baronesa, um mulherengo notório, era amante de Jane Shore, que também era amante do padrasto do marquês de Dorset, o rei Eduardo IV. Quando o rei faleceu em 1483, Jane se tornou a amante do padrasto de Cecília, o barão Hastings. Essa situação apenas serviu para aprofundar a animosidade entre Tomás e Guilherme. Junto com a mãe, Tomás tentou tomar o poder imediatamente após a morte do rei, pois o novo rei, Eduardo V, meio-irmão do marquês, ainda era menor de idade. Tomás roubou uma parte do tesouro real da Torre de Londres, e o dividiu entre a rainha viúva e o seu tio, Eduardo Woodville, Senhor Scales, que usou sua parte para equipar uma frota de navios sob a instigação de Tomás, com a desculpa que a frota seria usada com o propósito de patrulhar o litoral inglês contras piratas franceses, mas, na verdade, era uma frota da família Woodville para ser usada contra os seus inimigos dentro da Inglaterra. Jane Shore teve um papel crucial na deserção do barão Hastings do lado do irmão de Eduardo IV, Ricardo, Duque de Gloucester (o futuro rei Ricardo III), que tinha se tornado Lorde Protetor do reino graças ao testamento do irmão. Ricardo, então, reuniu amigos, a pequena nobreza local e servos, rumou em direção ao sul numa cavalgada armada que partiu do Castelo de Middleham, em Yorkshire, para tomar em custódia protetiva e separar da família materna o novo rei, Eduardo V. Jane convenceu o madrasto de Cecília a se juntar aos Woodville numa conspiração cujo objetivo era remover Ricardo como Lorde Protetor. Ao ficar sabendo da traição de Guilherme Hastings, o duque de Gloucester ordenou a sua execução imediata em 13 de junho de 1483, na Torre de Londres. Contudo, os títulos e propriedades do barão não foram confiscados, e Catarina Neville, a mãe da baronesa Harrington, foi colocada sob a proteção do duque de Gloucester.
thumb|Ricardo III, responsável por tomar o poder do sobrinho, Eduardo V e da família Woodville, e considerado um suspeito pelo desaparecimento do rei e de seu irmão, Ricardo de Shrewsbury, Duque de Iorque.
Quanto ao tio de Tomás, Antônio Woodville, 2.° Conde Rivers e o seu irmão mais novo, Ricardo Grey, foram ambos executados em 25 de junho de 1483 sob as ordens do agora rei Ricardo III, que tinha reivindicado a coroa inglesa para si, com apoio do Parlamento, através do Titulus Regius, em 1484, que declarava a ilegitimidade de Eduardo V e de seus irmãos. Embora Tomás e Cecília tenham comparecido à coroação, mais tarde naquele ano, o marquês de Dorset se juntou à rebelião de Henrique Stafford, 2.° Duque de Buckhingam, marido da tia de Tomás, Catarina Woodville, que era um dos suspeitos pelo desaparecimento dos Príncipes na Torre (o próprio filho dos dois, Eduardo Stafford, 3.º Duque de Buckingham viria a ser executado em 1521 por traição, sob as ordens do rei Henrique VIII da Casa de Tudor). Quando a revolta acabou em fracasso, e o duque de Buckhingam foi executado, Tomás deixou a esposa na Inglaterra, e fugiu para a Bretanha, na França. Foi lá que se tornou um apoiador de Henrique Tudor, que se tornaria o novo rei, como Henrique VII, após a Batalha de Bosworth, em 22 de agosto de 1485. Durante o período em que Tomás permanecia no continente europeu à serviço de Henrique, Ricardo III se certificou de que Cecília e outros esposas de rebeldes não seriam molestadas, e nem seus direitos de propriedades pessoais seriam violados. O rei Ricardo foi morto por Henrique Tudor, na Batalha de Bosworth. Tomás, contudo, não teve participação na invasão da Inglaterra por Henrique, ou na batalha subsequente, pois foi confinado em Paris como garantia de que o novo rei pagaria um empréstimo que os franceses tinham lhe feito. Em 1484, Tomás tinha virado a casaca para o lado de Ricardo, após descobrir que a sua mãe, Isabel, tinha se entendido com ele. Ele estava a caminho de casa para se reconciliar com o rei, quando foi interceptado em Compiègne pelos emissários de Henrique, e forçado a permanecer na França.