miniaturadaimagem|477x477px| A rota da marcha de Pylyp Orlyk na Ucrânia da Margem Direita, 1711. Linhas vermelhas — rota de ataque, linhas azuis — rota de retirada A Marcha de Pylyp Orlyk na Ucrânia da Margem Direita é o nome dado à campanha militar do hetmã Pylyp Orlyk na Ucrânia da Margem Direita entre janeiro e março de 1711, com o intuito de libertar o território das tropas de Moscovo e assim restaurar o seu poder na região.
Devido ao treino militar inadequado, ao timing infeliz e à traição dos aliados tártaros, a campanha terminou com a derrota das tropas de Orlyk e levou à perda de apoio das pretensões do hetmã entre a população ucraniana.
Antecedentes A derrota das tropas suecas e cossacas na batalha de Poltava, a expedição punitiva das tropas de Moscovo à Ucrânia e a destruição do Sich de Zaporiyia, que ocorreu em 1709, mudaram radicalmente o equilíbrio de forças na Ucrânia. Após a derrota militar, o hetmã Ivan Mazepa juntamente com os altos oficiais cossacos foram forçados a emigrar para Bendery, território do Império Otomano, onde morreu em setembro desse mesmo ano.
Seis meses após a morte de Mazepa, em 5 de abril de 1710, Pylyp Orlyk foi eleito o novo hetmã no exílio, em Bendery. A eleição ocorreu na presença dos cossacos de Zaporiyia bem como do sultão turco e do rei sueco.
Carlos XII da Suécia, mesmo após ter sido derrotado na batalha de Poltava, não pretendia abandonar os seus intentos para o leste da Europa e planeou uma nova operação destinada a consolidar a Ucrânia sob Pylyp Orlyk e a Polónia sob Stanislau Leszczyński. Toda a Ucrânia da Margem Direita, uma parte da margem esquerda e a região da Ucrânia Livre (Slobozhanshchyna), iriam tornar-se o alvo da ação do rei que, no caso de ser bem-sucedida, seria posteriormente estendida à Polónia.
As autoridades otomanas, preocupadas com a aproximação da Rússia às suas fronteiras, apoiaram plenamente este plano. Com o apoio de Carlos XII, Pylyp Orlyk fez uma aliança com os tártaros da Crimeia e com o Império Otomano e, em 8 de novembro de 1710, este último declarou guerra à Rússia.
O exército turco iniciou a marcha liderada pelo grão-vizir Numan Pasha . No entanto, as forças turcas avançaram muito lentamente, tendo chegado ao rio Danúbio apenas em meados de junho de 1711.
Antes da campanha, tinha sido assinado o Tratado do Cairo, estabelecendo uma aliança militar defensiva-ofensiva entre o governo exilado de Pylyp Orlyk e o Canato da Crimeia. Кресін Олексій Веніамінович. Політико-правові аспекти відносин урядів Івана Мазепи та Пилипа Орлика з Кримським ханством O grande mérito diplomático de Orlyk foi ter obtido dos tártaros a promessa de não roubar igrejas e de não cometer violência ao entrar em território ucraniano. Костомаровъ «Мазепа и Мазепинцы», С.-Петербургъ 1885, стор. 629 Переписка Орлика й інших діячів походу в Чтен. Импер. Москов. Истор. Обід. 1847, № 1, с. 47—49.
Incursão dos tártaros na Ucrânia Livre ( Slobozhanshchyna) Como parte do plano geral, em janeiro de 1711, o Cã tártaro Devlet Giray avançou para Slobozhanshchyna com sua força principal (aproximadamente 50.000 membros da horda da Crimeia) e várias centenas de cossacos. Д. И. Эварницкій: «Исторія запорожскихъ казаковъ», С.-Петербургь 1897, т. III, стор. 494.
Os tártaros ocuparam a Slobozhanshchyna sem grande dificuldade. As pequenas guarnições nas vilas e cidades fortificadas do distrito de Kharkiv não puderam oferecer resistência. O general Shidlovsky, encarregado de defender Slobozhanshchyna dos tártaros, ainda nem havia chegado a Kharkiv quando o ataque começou. Мышлаевскій: «Сборникъ военно-историческихъ матеріалов», С.-Петербургъ 1898, с. 54 Os habitantes locais e os cossacos não foram particularmente hostis com os invasores, especialmente depois verem cossacos da Zaporiyia entre as fileiras tártaras. Мышлаевскій: «Сборникъ военно-историческихъ матеріалов», С.-Петербургъ 1898, с. 13, 49 .
Por exemplo, a cidade de Vodolahy do distrito de Kharkiv não resistiu - pelo contrário, as pessoas trouxeram pão e sal para oferecer aos tártaros; outras, como Merefa e Taranivka, tentaram defender-se, mas foram capturadas. Кореспонденція з Бендер (анонімна) з 6(16) травня 1711 — Preuss. Geh. St.-flr. Rep. XI. Russland 22a— додаток до реляції пруського резидента у Відні з 27 червня н. ст. 1711 р.
Antes de chegar a Kharkiv, o Cã retornou subitamente às margens do rio Samara, onde tinha sitiado duas fortalezas: Novosergiivska e Novobogorodytska. No primeiro caso, os cossacos renderam-se aos tártaros voluntariamente, entregando-lhes a guarnição moscovita da cidade: um capitão e 80 soldados. Já a guarnição de Novobogorodytska defendeu-se teimosamente, obrigando o Cã a levantar o cerco. Д. И. Эварницкій: «Исторія запорожскихъ казаковъ», С.-Петербургь 1897, т. III, с. 496
Tendo ganho uma posição segura perto de Samara, o Cã decidiu regressar à Crimeiaгенерал Шидловський у своїм донесенню до адмірала Aпраксіна з 12 березня каже, що татарський хан пішов від Самари до Криму 5 березня (Сбор. воєнно.-истор. мат., стор. 54) . Devlet Giray deixou um efectivo cossaco-tártaro de cerca de 1.000 homens perto de Samara e uma pequena guarnição na fortaleza Novosergiivska, prometendo retornar à Ucrânia na primavera.
Mas imediatamente após a retirada do Cã, o hetmã da Ucrânia da Margem Esquerda Ivan Skoropadsky atacou e tomou ocupou esta importante fortaleza e mandou executar os cossacos que se tinham voluntariamente juntado ao Cã da Crimeia. Д. И. Эварницкій: «Исторія запорожскихъ казаковъ», С.-Петербургь 1897, т. III, с. 496
A incursão tártara acabou por ter um efeito prejudicial na reputação de Orlyk - após esta, o hetmã deixou de poder contar com o apoio dos povos da Ucrânia da Margem Esquerda e da Slobozhanshchyna .
Campanha principal O rei sueco decidiu manter o esforço de guerra até que a Ucrânia fosse libertada do domínio de Moscovo, e os turcos e tártaros comprometeram a sua ajuda nesse esforço. Pylyp Orlyk estava bem preparado para a campanha. Ele distribuiu cartas com apelos à revolta contra o poder do czar de Moscovo. O povo apoiou Orlyk e, uma a uma, as cidades da Ucrânia da Margem Direita ficaram sob o domínio do hetmã. Pylyp Orlyk também enviou uma carta com pedidos de assistência militar ao hetmã da Ucrânia da Margem Esquerda, Ivan Skoropadsky, o que alarmou o governo de Moscovo e o czar Pedro I.
A chegada das tropas Em 11 ou 12 de fevereiro de 1711 , Pylyp Orlyk e o seu exército deixou Bendery para iniciar a fase principal da campanha. A parte tártara do exército consistia nas hordas de Budzhak e Bilhorod (20.000-30.000 combatentes), lideradas pelo filho do Cã da Crimeia, o sultão Galga. Os polacos de Stanislau Leszczyński atuaram sob o comando do Voivodia de Kiev Józef Potocki Gierowski Józef A. Orlik Filip h. Nowina (1672—1742) // Polski Słownik Biograficzny.— Wrocław — Warszawa — Kraków — Gdańsk: Zakład Narodowy Imienia Ossolińskich, Wydawnictwo Polskiej Akademii Nauk, 1979. — Tom XXIV/1, zeszyt 100. — S. 198. e do chefe Galecki. Os cossacos estavam sob o comando de Kost Hordienko . Os polacos e cossacos juntos seriam 6-7 mil. Пилип Орлик на Правобережній Україні в 1711 р. — Д-р. Б. Крупницький (За державність No. 4, 1934) . Havia também um pequeno número de suecos no exército (cerca de 30 oficiais). Pylyp Orlyk era o comandante-em-chefe e o próprio Carlos XII acompanhou o exército por algum tempo antes de retornar a Bendery.
Na Margem Direita Perto de Rashkiv, o exército avançou rapidamente para o território da Ucrânia da Margem Direita. Józef Potocki insistiu em avançar para a Lituânia. Na primeira quinzena de fevereiro, o exército estava localizado em uma ampla área entre Nemyriv, Bratslav e Vinnytsia : o sultão Kalga estabeleceu-se em Vinnytsia; Cossacos e polacos ficaram concentrados perto de Nemyriv. Фельдмаршалъ графъ Б. П. Шереметевъ: «Военно-походный журналъ 1711 и 1712 г. г.», С.-Петербургъ, 1898. — С. 12. Não houve resistência por parte das forças de Cossaco-Moscovitas: o general Volkonsky e o general Vidman, que estavam nas fronteiras da Moldávia, recuaram para Kiev sem lutar através de Berdychiv. Na segunda quinzena de fevereiro, o exército da aliança pode descansar após o rápido avanço.
Nesta fase da campanha a situação era muito boa para Orlyk. Quase todos os chefes militares dos distritos da margem direita, com exceção de algumas centenas do distrito de Bila Tserkva, juntaram-se ao seu exército. As autoridades de Moscovo estavam muito preocupadas com o curso dos acontecimentos. Костомаровъ. «Мазепа и Мазепинцы». — С.-Петербургъ, 1885. — С. 631.
A causa da reação positiva do povo à campanha não foi apenas a insatisfação com as autoridades de Moscovo e os seus representantes, mas também o fato de que Orlyk não permitiu às forças aliadas levar a cabo intimidações e saques entre a população. Арх. Юг.-Зап. Рос, III—2, с. 188 Essa foi o grande mérito de Pylyp Orlyk, que percebeu que o sucesso de toda a campanha dependia disso. Мышлаевскій. «Сборникъ военно-историческихъ матеріалові». — С.-Петербургъ 1898. — С. 49.
Nesta fase da campanha, os suprimentos para o exército eram suficientes: as populações forneceram voluntariamente aos soldados forragem e provisões e o sultão também trouxe alguns suprimentos com ele.
Luta perto de Lysianka No final de fevereiro ou início de março, o exército aliado pôs-se de novo em marcha. Dirigiu-se ao único posto avançado moscovita significativo na Margem Direita — Bila Tserkva . A rota seguia primeiro para o leste, para Zvenyhorodka, e de aí para o noroeste, até ao rio Ros . Переписка Орлика й інших діячів походу в Чтен. Импер. Москов. Истор. Обід. 1847, № 1, с. 66 O objetivo era, obviamente, tomar toda a Ucrânia da Margem Direita até ao rio Dnieper. Para isso, a captura do Bila Tserkva era essencial.
Um exército sob o comando do osavul Stepan Butovych opôs-se às tropas de Pylyp Orlyk e foi derrotado em batalha perto de Lysyanka, tendo sido o próprio osavul feito prisioneiro. O povo ucraniano em revolta apoiou o hetmã Pylyp Orlyk.
A vitória perto de Lysyanka teve uma ressonância significativa. As cidades ucranianas, incluindo os distritos de Bohuslav e Korsun, decidiram render-se sem luta. O sucessor de Mazepa foi apoiado no seu intento de estender o seu poder à margem direita pelo coronel Samiylo Ivanovych (Samus) do distrito de Boguslav; pelo coronel Andriy Kandyba do distrito de Korsun; pelo coronel Ivan Popovych do distrito de Uman e pelo coronel Danylo Sytynsky do distrito de Kaniv. Tudo isso foi possível graças às missivas de Pylyp Orlyk "ao povo da Malarrosiya (Pequena Rússia)" apelando à rebelião contra o czar de Moscovo. Um desses apelos foi emitido pelo hetmã em 9 de março de 1711 em Lysyanka.
Os apelos de Pylyp Orlyk tornaram-se conhecidos em toda a Ucrânia da Margem Direita e o seu alcance atingiu até as terras do distrito de Pereyaslav. Impressionado com o sucesso dos combates e com a mudança dos governantes cossacos para o seu lado, o hetmã informou o rei Carlos XII da Suécia que o tamanho do seu exército havia mais do que quintuplicado.
O Cerco de Bila Tserkva Após a vitória perto de Lysyanka, o caminho para Bila Tserkva estava livre. Desta vez, o exército aliado moveu-se lentamente, tendo chegado à região de Bila Tserkva por volta de 18 de março.
Enquanto avançava na área de Synyava - Rokytne, os aliados começaram a ter problemas de aprovisionamento, tendo por isso intensificado as sempre impopulares requisições de víveres à população. Como resultado, a disciplina até aí mantida pelas forças aliadas foi destruída - não apenas as tropas tártaras, mas também as polacas recorreram à violência contra a população civil. Переписка Орлика й інших діячів походу в Чтен. Импер. Москов. Истор. Обід. 1847, № 1, с. 58