Os Humores Artificiais é uma curta-metragem de comédia e ficção científica portuguesa de 2016, realizada, escrita e produzida por Gabriel Abrantes. O filme é protagonizado pelo robô Andy Coughman (voz de Margarida Lucas e Patricia Soso) que, ao desenvolver um sentido de humor, se apaixona pela adolescente indígena Jo (interpretada por Amanda Rodarte).

A obra estreou na Bienal Internacional de Arte de São Paulo a 7 de setembro de 2016. Os Humores Artificiais foi distribuído comercialmente em Portugal, integrado na antologia Quatro Contos de Gabriel Abrantes, tendo estreado nas salas de cinema a 29 de outubro de 2020.

Sinopse Entre o grupo Yawalapiti na Bacia do Amazonas, Claude Laroque e uma jovem indígena de 16 anos, chamada Jo, testam metodologias de transmitir emoções a robôs. Juntas, ensinam ao robô Andy Coughman linguagem, pensamento conceptual e um guia para identificar uma variedade de estados emocionais humanos. O programa de inteligência artificial de Coughman reconhece a vantagem de transmitir boa educação, ao fingir compreender quando na realidade não está a entender algo.

Ao tentar criar laços com a população indígena, Coughman assimila a natureza do humor e apaixona-se por Jo. Este amor é correspondido. Inicia-se uma jornada na qual a indígena se une ao robô enquanto este se torna um emergente comediante de stand-up e conquista a fama na indústria cultural de massa brasileira. O poder do amor de Coughman e Jo supera cada reinicialização do software.

Elenco Margarida Lucas e Patricia Soso, como Andy Coughman (voz); Amanda Rodarte, como Jo Yawalapiti; Gilda Nomacce, como Claude Laroque; Ivo Müller, como Hans; Jeann Segundo, como Apresentador do "Papo Furado"; Mateus Rolim Rodrigues, como Criança do Youtube; Rafaela Rocha, como Rafaela.

Equipa técnica

Realização: Gabriel Abrantes. Argumento: Gabriel Abrantes. Direção de fotografia: Jorge Quintela. Montagem: Margarida Lucas. Guarda-roupa: Gabriella Marra. Caracterização: Roger Ferrari. Som: Marcel Costa. Mistura de som: Carlos Abreu. Música: Aamourocean e Ulysse Klotz. Direção de arte: Dayse Barreto, Diogo Hayashi e Tatiane Takahashi. Direção de produção: Gabriel Abrantes. Criação gráfica: IrmaLucia.

Produção Desenvolvimento Os Humores Artificiais foi comissionado pela 32ª Bienal de São Paulo e desenvolvido em paralelo com a pré-produção da primeira longa-metragem de Gabriel Abrantes (Diamantino), para a qual o realizador estava a estudar comédias românticas clássicas de Preston Sturges ou Howard Hawks. Para além desta influência, os avanços científicos nas áreas da robótica e cibernética serviram de inspiração ao autor para o argumento da curta-metragem: "Estou muito interessado nos mais recentes desenvolvimentos no campo da inteligência artificial, e este filme partiu desse interesse". Para o argumento de Os Humores Artificiais, o realizador procurou unir estas duas influências, de modo a "tentar indagar se a comédia poderia ser a última fronteira, e se a poderia conciliar com a inteligência artificial".

O projeto foi desenvolvido pela produtora Hermaphrodite Films, com o apoio financeiro da Fundação de Serralves (Portugal), Bienal de São Paulo (Brasil), Colección Inelcom (Espanha) e Instituto do Cinema e do Audiovisual (Portugal). miniaturadaimagem|Os Humores Artificiais foi rodado na aldeia e com membros da tribo indígena Yawalapiti.

Rodagem A curta-metragem foi filmada em película 16mm, no Estado do Mato Grosso: em Canarana e no Parque Indígena do Xingu (nas aldeias Yawalapiti e Kamayura), bem como em São Paulo.

Pós-produção A empresa especializada em VFX IrmaLucia colaborou nos efeitos especiais do filme. Esta é uma componente que o realizador considerou essencial: "Procuro fazer filmes que misturam um lado fantástico com temas atuais da nossa realidade contemporânea, e os efeitos especiais facilitam essa mistura".

Temas e estética A abordagem da sátira está na vanguarda do trabalho de Gabriel Abrantes e é uma das componentes transversais dos seus filmes. Particularmente em Os Humores Artificiais, o cineasta aborda o sentido de humor como componente central nas relações humanas, método de controlo social, e uma das mais complexas formas de comunicação. A obra ironiza acerca de como emoções e vocabulário podem ser resultado de gestos codificados e transmitidos através de media social.

A curta-metragem mistura estéticas típicas de Hollywood com as do registo documental e da telenovela, permitindo criar várias camadas de leitura invulgares. Para além desta comunhão de estilos, o argumento alterna as narrativas tradicionais com elementos absurdos e de folclore, resultando em diálogos e situações inesperadas, como quando o robô Coughman exclama à humana Jo "Vamos começar uma família".

Para além dos temas de humor da premissa, o filme de Abrantes propõe uma reflexão antropológica. Com esta obra, o realizador cita Ludwig Wittgenstein ao argumentar que as grandes questões da vida que não podem ser discutidas sem humor, mesmo perante o contraste do estilo de vida da comunidade indígena e as idiossincrasias da inteligência artificial. Neste conflito narrativo, Os Humores Artificiais aborda questões históricas, políticas e sociais, discutindo ao mesmo tempo temas pós-coloniais, de género e identidade.

Continuidade artística Os Humores Artificiais viria a servir de título para a própria produtora de Gabriel Abrantes.

O personagem do robô-drone Andy Coughman voltaria a surgir em Coughman's Lament (2020), um programa de realidade virtual exibido na exposição do cineasta intitulada Melancolia Programada, no MAAT. Nesta obra, Coughman canta um solilóquio, lamentando o aprisionamento que sente por ser apenas um algoritmo, entre baladas de bossa nova. Este trabalho desenvolve as expansivas cenas paisagísticas já exploradas em Os Humores Artificiais e permite que os visitantes interajam com o robô.

Distribuição Lançamento A curta-metragem estreou a 7 de setembro de 2016 na 32ª Bienal de São Paulo (Brasil). Em Portugal, a sua primeira exibição pública foi a 12 de julho de 2017, no 25° Festival Internacional de Curtas-Metragens de Vila do Conde. Os Humores Artificiais viria a estrear em sala apenas três anos depois, a 29 de outubro de 2020, enquadrado na antologia Quatro Contos de Gabriel Abrantes, com as curtas-metragens Freud und Friends, A Brief History of Princess X e Les Extraordinaires Mésaventures de la Jeune Fille de Pierre.

Festivais A curta-metragem foi selecionada para inúmeros festivais e mostras de cinema, de entre os quais se destacam os seguintes:

Bienal Internacional de Arte de São Paulo (Brasil, 7 de setembro de 2016); Festival Internacional de Cinema de Berlim (Alemanha, 16 de fevereiro de 2017); Aspen Film Shortfest (EUA, 2017); Festival Internacional de Cinema Independente de Buenos Aires (Argentina, 2017); 25º Curtas Vila do Conde (Portugal, 12 de julho de 2017); Festival du Nouveau Cinéma de Montreal (Canadá, 2017); X Janela Internacional de Cinema do Recife (Brasil, 2017); 21º Queer Lisboa (Portugal, 2017); Festival de Cinema de Londres (Reino Unido, 14 de outubro de 2017); Caminhos do Cinema Português (Portugal, 1 de dezembro de 2017); Uppsala Short Film Festival (Suécia, 2017); 25º Festival Mix Brasil de Cultura da Diversidade (Brasil, 2017); Festival Internacional de Cinema de Guadalajara (México, 2018); Festival Internacional de Curtas-Metragens de Kiev (Ucrânia, 2018); International Short Film Festival Oberhausen (Alemanha, 2018).

Exposições Os Humores Artificiais integrou também várias exibições de arte, de entre as quais: Incerteza Viva: Uma exposição a partir da 32ª Bienal de São Paulo (Brasil, junho de 2017); The Humors, Monash University Museum of Art (Austrália, outubro de 2017) INELCOM Colección de Arte (Espanha, fevereiro de 2018); Melancolia Programada, Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (Portugal, maio de 2020); Gabriel Abrantes. Animations, Salzburger Kunstverein (Áustria, julho de 2021).

Receção Audiência Em 2020, aquando o lançamento da curta-metragem nas salas de cinema com a antologia Quatro Contos de Gabriel Abrantes, a obra totalizou apenas 638 espetadores em Portugal.

Crítica Os Humores Artificiais foi geralmente bem recebido pela crítica especializada nacional e internacional. Paulo Portugal (Comunidade Cultura e Arte) descreve o filme como "uma pequena obra-prima". Doreen Matthei, escrevendo para a publicação alemã Testkammer, elogia o modo como o realizador "maravilhosamente captura esse forte contraste" entre os avanços científicos e a vida natural dos povos indígenas "e mostra que as raízes do desenvolvimento não precisam de estar apenas nos padrões modernos".

Premiações

|rowspan=5" |2017 |Festival Internacional de Cinema de Berlim |Melhor Curta-metragem Europeia |Os Humores Artificiais, Gabriel Abrantes

|Curtas Vila do Conde |Melhor Realizador |Gabriel Abrantes

|Festival International du Film de La Roche-sur-Yon |Melhor Filme |Os Humores Artificiais, Gabriel Abrantes |bgcolor="#BBCEC0" align="center" |Menção especial

|Caminhos do Cinema Português |Melhor Curta-metragem |Os Humores Artificiais, Gabriel Abrantes

|Verín International Short Film Festival |Melhor Argumento |Gabriel Abrantes

|2018 |Córtex - Festival de Curtas Metragens de Sintra |Grande Prémio do Júri |Os Humores Artificiais, Gabriel Abrantes

Ligações externas

Categoria:Curtas-metragens de 2016 Categoria:Curtas-metragens de comédia Categoria:Curtas-metragens de Portugal Categoria:Curtas-metragens em língua portuguesa Categoria:Filmes ambientados na cidade de São Paulo Categoria:Filmes ambientados no Brasil Categoria:Filmes ambientados no século XXI Categoria:Filmes de comédia da década de 2010 Categoria:Filmes de comédia de Portugal Categoria:Filmes de ficção científica da década de 2010 Categoria:Filmes de ficção científica de Portugal Categoria:Filmes de comédia romântica da década de 2010 Categoria:Filmes de comédia romântica de Portugal Categoria:Filmes com temática LGBT de Portugal Categoria:Filmes de Portugal de 2016 Categoria:Filmes em língua portuguesa Categoria:Filmes gravados na cidade de São Paulo Categoria:Filmes gravados na Amazônia‎ Categoria:Filmes gravados no Brasil Categoria:Filmes independentes de Portugal Categoria:Filmes independentes da década de 2010 Categoria:Filmes premiados Categoria:Filmes realizados por Gabriel Abrantes