O Movimento de Libertação de Goa foi um movimento que lutou para acabar com o domínio da colonização portuguesa em Goa, Índia. O movimento se construiu com base em revoltas de pequena escala e rebeliões no século XIX, e ganhou muito poder no período de 1940-1961. O movimento foi conduzido tanto de dentro como de fora de Goa, e se caracterizou por uma variedade de táticas incluindo passeatas pacíficas, métodos revolucionários e esforços diplomáticos. No entanto, o controle português sobre suas colônias indianas só terminou quando a Índia invadiu Goa em 1961 e incorporou os territórios na União Indiana.
Possessões portuguesas na India Os portugueses colonizaram a India em 1510, conquistando muitas partes da costa oeste e estabelecendo várias colônias na costa leste. Pelo fim do século 19, as colônias portuguesas na India estavam limitadas à Goa, Damão, Diu, Dadra, Nagar Haveli e Ilha de Angediva.
Revoltas contra o domínio português Muitos goenses vivendo sobre o domínio colonial se ressentiam do governo português devido a políticas percebidas como brutais assim como mandatos e campanhas governamentais implacáveis para converter os goenses predominantemente hindus ao Cristianismo. Apesar de 14 revoltas contra o domínio português (a tentativa final em 1912), nenhum deles teve sucesso em terminar a era colonial. O fracasso dessas rebeliões em gerar mudanças significativas foi atribuída a falta de uma rede de apoio ativa e ampla e a cultura dispersa deles.
O movimento de independência
Século 18 Uma tentativa inicial de protestar contra as atrocidades dos portugueses contra os nativos Goenses foi a Conspiração dos Pintos em 1787.
Começo do século 20 A abolição da monarquia portuguesa em 1910 deu esperanças que às colônias teriam direito a autodeterminação; no entanto, quando as políticas coloniais portuguesas permaneceram inalteradas, um movimento anticolonial organizado e dedicado surgiu. Luís de Menezes Bragança fundou O Heraldo,o primeiro jornal de língua português em Goa, que era crítico ao domínio colonial português. Em 1917, a lei da "Carta Organica" passou, prevendo todas as liberdades civis em Goa.
Em reação a crescente distensão, o governo português em Goa implementou políticas que encerraram liberdades civis, incluindo censura da imprensa. As políticas de censura severa requeriam qualquer material contendo palavras impressas, incluindo convites, a serem submetidos ao comitê de censura para seleção. O governador português de Goa foi empoderado para suspender publicações, fechar prensas móveis e impor multas pesadas em jornais que se recusavam a compactuar com essas políticas. Muitos Goenses criticaram o encerramento das liberdades de imprensa, afirmando que os únicos jornais e periódicos que os portugueses lhes permitiam publicar eram materiais de propaganda pró-colonialistas.Janaka Perera, Goa's Liberation and Sri Lanka's Crisis, Asian Tribune, 18 December 2006
Menezes Bragança organizou um comício em Margão denunciando a lei e por algum tempo, os Goenses receberam os mesmo direitos que a metrópole portuguesa. Porém, a Igreja Católica em Portugal apoiou fortemente políticas pró coloniais e tentou influenciar cristãos goenses a se opor ao movimento de independência. O patriarca português da Igreja Católica em Goa enviou mais de 60 cartas oficiais aos padres da diocese, instruindo lhes a pregar que a salvação estava com os portugueses e em lhes dissociar da relação cultural e política com o resto da Índia.Teotonio R. de Souza, "The Church in Goa: Giving to Caesar What is Caesar's?" para 5
1920–1940 Em 1928, Tristão de Bragança Cunha fundou o Congresso Nacional de Goa. Na sessão de Calcutá do Congresso Nacional Indiano, o Comitê do congresso de Goa recebeu reconhecimento e representação no Comite do Congresso de Todas as Índias.
Em maio de 1930, Portugal passou o "Acto Colonial" (Colonial Act), que restringiu comícios políticos e encontros dentro de todas as colônias portuguesas. A introdução desse ato relegou politicamente Goa ao status de colônia. Os portugueses também introduziram uma política conscrição compulsória na Índia Portuguesa, o que contribuiu significativamente para o crescente ressentimento contra o governo colonial.
O governo português pressionou o Congresso Nacional Indiano para desfiliar o Congresso Nacional de Goa; porém, em 1938, Goenses na cidade de Bombaim formaram o Congresso Provisório de Goa.
Anos 40 Nos anos 40, o movimento de independência Goense ganhou impulso, inspirado pelo Movimento de independência da Índia, que entrou em sua fase crucial, assim como o anúncio britânico de 1946 para dar independência a Índia, depois do qual os lideres indianos focaram sua atenção nos movimentos na Índias portuguesa e Francesa que visavam se juntar ao recém emancipado estado indiano.
Quando Bragança Cunha foi preso em 1946, A.G. Tendulkar se tornou o presidente do congresso de Goa e organizou em encontro em Londa (fora de Goa). Julião Menezes estudou em Goa, e depois de terminar o lyceum (ensino médio português), ele frequentou a universidade de Berlim nos anos 20 e se graduou em medicina. Ele também fez cursos em Indologia em Berlim. Foi lá que ele encontrou Ram Manohar Lohia, que estava estudando na mesma universidade.http://www.colaco.net/1/leitaoDrJuliao.htm Lohia e Menezes permaneceram em contato e Menezes lhe proveu abrigo depois da chamada "Faça ou Morra" dada por Mahatma Gandhi. Acredita-se que Lohia queria se esconder em Goa mas decidiu não fazer isso seguindo os conselhos de Menezes que estava preocupado que agentes britânicos estivessem ativos em Goa também. Os dois se encontraram em 1946 depois da libertação de Lohia da prisão em Lahore para onde ele foi levado depois da prisão em Mumbai. Lohia visitou Menezes para um exame médico em Bombaim onde o último aconselhou o primeiro que descansasse e o convidou para a sua casa em Assolna, Goa.http://www.heraldgoa.in/Goa/The-forgotten-history-of-18th-June/89901.html Aceitando o convite, Lohia chegou em Goa em 10 de Junho de 1946 e ficou na residência do Menezes em Assolna, onde só dois incentivadores discutiram a situação prevalecente em Goa durante esse período e decidiram desafiar o banimento de encontros públicos imposto pelo governo português. Esse foi o primeiro movimento de desobediência civil contra o domínio português, então com 435 anos de idade. As notícias da chegada de Lohia se espalhou entre os goenses e o lar de Dr. Menezes em Assolna se tornou o ponto de encontro para intelectuais e ativistas políticos Goenses, que queriam consultar Lohia e Menezes. Em 15 de junho de 1946, Menezes e Lohia conduziram uma reunião das pessoas em Panjim mas a polícia não interviu e parou o encontro ainda quando eles estavam parados no lugar onde o encontro aconteceu. Animado com o sucesso do encontro, os dois entraram Margão em uma carruagem de cavalo. Em 18 de junho com milhares de homens e mulheres lhes dando boas vindas e cantarolando seus nomes "Dr Lohia-ki Jai! Dr Julião Menezes-ki-Jai!". Lohia e Menezes foram presos. A administração colonial, que foi pega de surpresa falhou em dominar o fervor da multidão. Menezes e Lohia foram presos e removidos no final da noite para a estação de polícia de Panjim. A notícia de suas prisões se espalharam através de Goa, e as pessoas protestaram na maioria das cidades. Em Margão, na manhã seguinte, os cidadãos dirigiram em procissão, e a noite, se juntaram em frente a Câmara. Ainda que as tropas visassem dispersar a multidão, ele se agacharam de forma resoluta no chão, gritando em união e a plenos pulmões, o que ressoou através da cidade: "Jai Hind!! Dr. Lohiako shodd do! Dr. Julião Menezesko shodd do!"[in English?]
No fim daquele dia, Menezes foi libertado e Lohia foi levado para fora de Goa e libertado. Sua prisão nessa manifestação motivou pessoas a fazer protestos em larga escala em apoio ao movimento de independência, o que resultou em prisões em larga escala e encarceramento de mais de 1.500 pessoas. Lideres Goenses, incluindo Bragança Cunha, Purushottam Kakodkar and Laxmikant Bhembre foram deportados para Portugal pela sua participação nos protestos de independência.
O governo de Goa, Damão and Diu falharam em reconhecer a contribuição de Menezes para a causa quando ele estava vivo. Ele foi honrado em 18 de junho de 1986 depois de sua morte
De outubro a novembro de 1946, uma série de satyagrahas (ações de desobediência civil não-violentas) foram feitas em Goa; porém, muitos dos líderes dessas ações foram presos. Com a prisão da liderança, muito do impulso se perdeu e, subsequentemente, o congresso de Goa começou a operar de Bombaim.
Durante a metade dos anos 40, um número de novos partidos políticos emergiram em Goa, cada um tendo uma perspectiva e agenda conflitantes em relação a adquirir a independência e autonomia goense. Esses partidos políticos defenderam por políticas vastamente diferentes incluindo a fusão de Goa com o estado de Maharashtra, a fusão de Goa com o estado austral de Karnataka, criação de um estado independente de Goa e autonomia dentro do controle português.
Mahatma Gandhi sentiu que um movimento de independência com tantas perspectivas diferentes seria ineficaz e poderia minar os esforços para independência por causa disso, Gandhi sugeriu que as várias facções independentistas deveriam tentar se unir sobre o amplo pretexto das liberdades civis. Em resposta a sugestão de Gandhi, as diferentes fações políticas se encontraram em Bombaim em junho de 1947 para lançar uma campanha formal para que o governo português "deixasse a India". A liderança Goense acreditava que com o fim da ocupação britânica coloniais, um fim da ocupação portuguesa colonial iria logicamente acontecer. Porém, em 3 de agosto de 1947, Lohia anunciou que a independência de Goa não iria coincidir com a independência nacional da Índia e que só Goenses teriam que continuar seus esforços, "não só por liberdades civis, mas para liberdade em si.
O fracasso de Goa conquistar independência dentro do esforço nacional de independência, em conjunto com sinais confusos da nova liderança nacional indiana em Nova Deli e dura repressão pelos portugueses, levou a uma pausa temporária no movimento de independência de Goa. De forma similar, a partilha da India e a Guerra Indo-Paquistanesa de1947 tirou o foco da liderança nacional indiana dos esforços anticoloniais nas colônias portuguesas e francesas.
Seguindo a independência nacional da India, uma demanda separada por independência foi feita por Froilano de Mello, um proeminente microbiologista goense e parlamentar na Assembleia da República. De Mello visava independência para Goa, Damão e Diu como entidade nacionais autônomas dentro do quadro de uma commonwealth portuguesa, similar a Commonwealth britânica.Professor Froilano de Mello, MD (1887–1955): A short biography of his life and achievements – Goacom.com
Demanda por autonomia Entre Goa e Portugal, demandas ocasionais pela autonomia da India Portuguesa continuaram. Em julho de 1946, um encontro público foi realizado que fez uma petição abertamente para a administração de Salazar conceder autonomia ao Estado da India. O encontro foi facilitado por José Inácio de Loyola, e inspirou a formação de um comitê encabeçado por Uday Bhembre para lutar pela autonomia. O comitê de Bhembere fracassou em obter uma resposta da administração portuguesa, e em seguida a última demanda por autonomia foi feita por Purushottam Kakodkar no começo de 1961.
Esforços diplomáticos Em dezembro de 1947, a Índia independente e Portugal estabeleceram laços diplomáticos. Em janeiro de 1948, o primeiro ministro indiano Jawaharlal Nehru encontrou o consul português e levantou a questão da integração de Goa na união indiana. Os portugueses, que valorizavam seus postos coloniais indianos, não estavam dispostos a negociar e em 1948, o movimento anticolonial de Goa foi virtualmente dispersado.