thumb|301px|direita|Os Comandos de Área em 1944 Os Comandos de Área foram uma série de grandes formações administrativas e operacionais criadas pela Real Força Aérea Australiana (RAAF); existiram entre 1940 e 1954. Estabelecidas devido ao despoletar da Segunda Guerra Mundial, elas representaram o sistema de comando-e-controlo baseado na geografia da área de operação da força aérea durante o conflito mundial, tendo-se estendido até à Guerra Fria. Em 1954, este sistema foi substituído por um sistema de comando-e-controlo baseado na função, com a criação do Home Command, do Comando de Treino e do Comando de Manutenção.

Os comandos e as suas responsabilidade evoluíram ao longo do tempo conforme as circunstâncias operacionais. A RAAF estabeleceu quatro comandos entre 1940 e 1941: o Comando da Área do Sul, o Comando da Área Central, o Comando da Área Ocidental e o Comando da Área do Norte. Eles geriam a maioria das operações, treino e manutenção nas próprias áreas de responsabilidade. A concessão de controlo funcional ocorreu a meio de 1941, quando a força aérea formou dois grupos que assumiram o treino dos estados do sul e de leste; o próprio Comando da Área Central foi dissolvido e a maioria das suas unidades foram absorvidas pelos comandos do norte, do sul, e pelo Grupo N.º 2. Em 1942 a estrutura dos comandos foi revista, depois do início da Guerra do Pacífico; o Comando da Área do Norte foi dividida no Comando da Área Nordeste e no Comando da Área Noroeste, e um novo comando, o Comando da Área Oriental, foi criado, passando a existir então cinco comandos. No mesmo ano, a RAAF formou dois grupos funcionais que assumiram a manutenção dos comandos. Em 1944 um novo comando foi criado na Nova Guiné, contudo foi dissolvido mal a guerra mundial terminou.

No início dos anos 50 a maioria das unidades operacionais estava colocada no Comando da Área Oriental, a maior parte do treino da força aérea era controlado pelo Comando da Área do Sul e a manutenção era da responsabilidade do Grupo de Manutenção. A estrutura dos comandos era considerada desapropriada para proporcionar uma força concentrada necessária para um eventual combate, e o governo federal da Austrália decidiu substituir este sistema por um de carácter funcional. Em 1953, o Comando da Área Oriental foi re-formado como o Home Command (que controlava as operações), o Comando da Área do Sul foi re-formado como o Comando de Treino, e o Grupo de Manutenção foi re-designado como o Comando de Manutenção. Os outros três comandos cederam a sua autoridade aos comandos funcionais em 1954, e no final de 1956 foram dissolvidas.

História Origem e propósito thumb|direita|upright|Vice-Marechal do ar Goble, que propôs um sistema funcional para a RAAF em 1940|alt=Portrait of man in dark military uniform with pilot's wings on chest, wearing peaked cap with two rows of braid Nas vésperas da Segunda Guerra Mundial, a Real Força Aérea Australiana era composta por doze esquadrões de voo, dois depósitos de aeronaves e uma escola de voo, tudo situado em cinco bases aéreas: Point Cook e Laverton em Vitória; Richmond e Rathmines em Nova Gales do Sul; e Pearce na Austrália Ocidental.Stephens, The Royal Australian Air Force, pp. 111–112Gillison, Royal Australian Air Force, pp. 66–67 Uma força aérea deste tamanho não necessitava de formações aéreas de grande envergadura como asas, grupos ou comandos, pois todas as unidades podiam ser directamente comandadas e administradas pelo quartel-general da RAAF em Melbourne. Com o início da Segunda Guerra Mundial em Setembro de 1939, o Conselho Aéreo Australiano decidiu implementar uma forma de comando e controlo descentralizada, comensurada com um eventual aumento de unidades e efectivos. A jogada inicial da RAAF neste sentido foi ao criar o Grupo N.º 1 e o Grupo N.º 2 em Novembro de 1939, ficando um colocado em Melbourne para controlar as unidades de Vitória e o outro colocado em Sydney para controlar as unidades de Nova Gales do Sul.

Em Janeiro de 1940 o Chefe do Estado-maior, o Vice Marechal-do-ar Stanley Goble, propôs que se organizasse a RAAF em três comandos funcionais, o Comando Aéreo, o Comando de Treino e o Comando de Manutenção, contudo o governo federal não alinhou com este plano.Gillison, Royal Australian Air Force, pp. 90–91 Ashworth, How Not to Run an Air Force, p. 24 Goble foi substituído em Fevereiro por um oficial da Real Força Aérea (RAF), Sir Charles Burnett, que se focou na rápida expansão da RAAF para ir de encontro com as necessidades do Esquema de Treino Aéreo do Império, e acreditava que a grande massa de terra da Austrália faria com que um comando funcional não fosse bem sucedido. Assim, o ramo caminhou para a re-organização da força aérea num sistema baseado na geografia.Ashworth, How Not to Run an Air Force, p. 26 Os papéis de cada comando eram: a defesa aérea, a protecção das orlas costeiras e o reconhecimento aéreo. Cada comando ficava sob a chefia de um oficial comandante que seria responsável pela administração e pelas operações de todas as bases dentro da fronteira da respectiva área.Gillison, Royal Australian Air Force, pp. 91–92 Excepções a esta política seriam os depósitos de aeronaves e a Escola de Voo Central que treinava instrutores de voo, pois o alcance da sua responsabilidade abrangia todos os comandos e, assim, ficaria sob o comando directo do quartel-general da força aérea.Ashworth, How Not to Run an Air Force, pp. xx, 30 A natureza estática deste sistema era, em primeiro plano, de natureza defensiva, contudo era também vista como a indicada para o treino de novos pilotos, que seriam instruídos em escolas de voo e acompanhados nas primeiras colocações em esquadrões, tudo dentro da mesma área do comando.Ashworth, How Not to Run an Air Force, p. 1

Evolução e controlo

A RAAF inicialmente planeou a criação de quatro comandos: o Comando da Área do Sul, que cobriria todas as unidades em Vitória, Tasmânia, Austrália Meridional e a zona sul de Riverina, de Nova Gales do Sul; o Comando da Área Central, que cobriria todas as unidades em Nova Gales do Sul à excepção das unidades na zona sul de Riverina e a zona norte do estado; o Comando da Área Ocidental, que cobriria unidades na Austrália Ocidental; e o Comando da Área do Norte, que cobriria as unidades do norte de Nova Gales do Sul, Queensland, Território do Norte e Papua. Os dois primeiros comandos estabelecidos, em Março de 1940, foram o Comando da Área do Sul, que essencialmente assumiu a direcção do Grupo N.º 1 em Melbourne, e o Comando da Área Central, que evoluiu a partir do Grupo N.º 2 em Sydney. Os comandos ocidental e do norte seguiram-se mais tarde, em Janeiro e Maio de 1941, respectivamente; aguardando pela formação destes comandos, as unidades em Queensland foram colocadas temporariamente sob o controlo do Comando da Área Central, e as unidades da Austrália Ocidental, do Território do Norte e da Papua ficaram sob o controlo do quartel-general da RAAF.Ashworth, How Not to Run an Air Force, pp. 27–29

A meio de 1941, o quartel-general da RAAF determinou que fossem criadas unidades de treino nos estados do sul e do leste, em grupos semi-geográficos, semi-funcionais, separados por comandos. Isto levou ao estabelecimento, em Agosto, do Grupo N.º 1 em Melbourne, cobrindo Victoria, Tasmânia e a Austrália Meridional, e do Grupo N.º 2 em Sydney, cobrindo Nova Gales do Sul e Queensland.Gillison, Royal Australian Air Force, p. 112 Ashworth, How Not to Run an Air Force, pp. xx, 38 Nesta altura, o Comando da Área Central foi extinto e as suas responsabilidades divididas "conforme conveniente", de acordo com a história oficial, entre o Comando da Área do Sul, do Norte e o Grupo N.º 2. Já o Comando da Área Ocidental manteve as suas responsabilidades de instrução, manutenção e operação dentro das suas fronteiras.

Com o despoletar a Guerra do Pacífico, em Dezembro de 1941, o Comando da Área do Norte foi dividido no mês seguinte em dois comandos, o Noroeste e o Nordeste, de modo a reforçar a posição australiana face à ameaça japonesa no norte da Austrália e na Nova Guiné, respectivamente.Gillison, Royal Australian Air Force, p. 311 Foi também considerada uma divisão do Comando da Área do Sul devido ao seu tamanho, por isso o Comando da Área Oriental foi criado em Maio de 1942, de modo a assumir o comando das unidades operacionais em Nova Gales do Sul. Estas modificações fizeram com que houvessem cinco comandos.Ashworth, How Not to Run an Air Force, pp. xxi, 134–135Gillison, Royal Australian Air Force, p. 478 Por necessidade, os dois comandos mais a norte ficaram responsáveis pelo bombardeamento e pela defesa aérea, enquanto os outros comandos focaram-se no patrulhamento das orlas costeiras e em guerra anti-submarina.Stephens, The Royal Australian Air Force, pp. 144–145 Entre Junho e Setembro de 1942 voltou a haver convergência para uma linha de comando-e-controlo, quando a autoridade sob as unidades de manutenção foram transferidas dos comandos para o Grupo N.º 4 em Melbourne e para o Grupo N.º 5 em Sydney. Em Agosto, os comandos sofreram ligeiras modificações: para além do Território do Norte, o Comando da Área Noroeste ficou também responsável por uma pequena porção no norte da Austrália Ocidental e por uma porção de Queensland, a leste de Barkly Tableland.Gillison, Royal Australian Air Force, p. 588

Até 1942, o quartel-general da RAAF exercia total e completo controle operacional e administrativo sob os comandos. Em Abril deste ano, o quartel-general das Forças Aéreas Aliadas (AAF) foi estabelecido pelo general norte-americano Douglas MacArthur na Área do Sudeste do Pacífico, com autoridade operacional sob todas as infraestruturas de combate da RAAF, incluindo os comandos.Gillison, Royal Australian Air Force, p. 473 Odgers, Air War Against Japan, pp. 15–16 Em Setembro o novo comandante da AAF, o Major-general George Kenney, juntou a maioria das suas unidades de voo norte-americanas na Quinta Força Aérea e a maior parte das forças australianas no Comando da RAAF, liderado pelo Vice-Marechal do ar Bill Bostock.Gillison, Royal Australian Air Force, pp. 585–588Odgers, Air War Against Japan, pp. 4–6 Bostock exercia controlo das operações aéreas australianas através dos comandos, embora o quartel-general da RAAF continuasse a deter a autoridade administrativa, o que significava que Bostock e os seus comandos ainda estavam dependentes, a nível de material e equipamento, do Comandante da RAAF, o Vice-Marechal do ar George Jones.Gillison, Royal Australian Air Force, pp. 476–477