A Classe Admiral Hipper foi uma classe de cruzadores pesados operada pela Kriegsmarine, composta pelo , , , e . Suas construções começaram entre 1935 e 1937 nos estaleiros da Blohm & Voss, Deutsche Werke, Germaniawerft e Deutsche Schiff- und Maschinenbau, sendo lançados ao mar entre 1937 e 1939 e comissionados na frota alemã em 1939 e 1940, porém apenas os três primeiros navios foram finalizados. O projeto da Classe Admiral Hipper foi preparado em meados da década de 1930 e autorizado pelo Acordo Naval Anglo-Germânico de 1935, que permitiu que a Alemanha construísse até 51 mil toneladas de cruzadores pesados.
Os cruzadores da Classe Admiral Hipper eram armados com uma bateria principal formada por oito canhões de 203 milímetros montados em quatro torres de artilharia duplas. Tinham um comprimento de fora a fora entre 205 a 210 metros, boca de 21 metros, calado de mais de sete metros e um deslocamento carregado que ficava entre dezoito e vinte mil toneladas. Seus sistemas de propulsão eram compostos por nove ou doze caldeiras a óleo combustível que alimentavam três conjuntos de turbinas a vapor, que por sua vez giravam três hélices até uma velocidade máxima de 32 nós (59 quilômetros por hora). Os navios tinham um cinturão de blindagem com oitenta milímetros de espessura.
Os navios atuaram na Segunda Guerra Mundial. O Admiral Hipper e o Blücher participaram da invasão da Noruega em abril de 1940, quando o segundo foi afundado no Fiorde de Oslo pelas defesas litorâneas norueguesas. O Admiral Hipper depois fez duas surtidas ao Oceano Atlântico para atacar navios mercantes Aliados. O Prinz Eugen participou da Operação Rheinübung em maio de 1941 junto com o couraçado , lutando na Batalha do Estreito da Dinamarca e ajudando a afundar o cruzador de batalha . O Admiral Hipper foi transferido para a Noruega em 1942, recebendo a companhia do Prinz Eugen. Entretanto, este logo voltou para a Alemanha após ser torpedeado.
O Admiral Hipper envolveu-se em dezembro de 1942 na Batalha do Mar de Barents, sendo danificado por cruzadores britânicos e descomissionado. Ele nunca mais voltou ao serviço ativo, sendo deliberadamente afundado ao final da guerra e depois desmontado. O Prinz Eugen continuou servindo no Mar Báltico até ser rendido aos Aliados em 1945. Foi tomado pelos Estados Unidos e usado nos testes da Operação Crossroads em 1946, afundando em seguida. O Seydlitz foi programado para ser convertido em porta-aviões, mas isto nunca foi feito e ele foi desmontado após a guerra. O Lützow foi vendido para a União Soviética, mas nunca finalizado e acabou desmontado na década de 1950.
Desenvolvimento O Tratado de Versalhes de 1919 limitou a Reichsmarine da Alemanha a apenas seis couraçados pré-dreadnought e seis antigos cruzadores rápidos. Tratado de Versalhes Seção II. Cláusulas Navais, Artigo 181 Estes navios não poderiam ser substituídos até que tivessem pelos menos vinte anos de idade, com seus substitutos não podendo ter mais de dez mil e 6,1 mil toneladas de deslocamento, respectivamente. Tratado de Versalhes Seção II. Cláusulas Navais, Artigo 190 As cinco principais potências navais mundiais assinaram o Tratado Naval de Washington em 1922; a Alemanha não foi convidada a comparecer, mas mesmo assim o país teria as mesmas limitações qualitativas dos signatários. Os cruzadores já estavam velhos o bastante na década de 1920 para serem substituídos. O , os três membros da Classe Königsberg e os dois da Classe Leipzig foram construídos no lugar das embarcações mais antigas.
O Tratado Naval de Londres de 1930 dividiu formalmente os cruzadores em duas categorias: os cruzadores pesados, que eram armados com canhões de 203 milímetros; e os cruzadores rápidos, armados com canhões de 152 milímetros. O Tratado de Versalhes ainda proibia a Alemanha de construir cruzadores pesados, porém a ascensão de Adolf Hitler e do Partido Nazista ao poder em 1933 levou à rejeição formal do Tratado de Versalhes. A marinha alemã, renomeada para Kriegsmarine em 1935, ficou livre para ir atrás de um rearmamento. Alemanha e Reino Unido firmaram em 1935 o Acordo Naval Anglo-Germânico, que estabeleceu o poderio naval alemão em 35 por cento do tamanho da Marinha Real Britânica. Isto permitiu que os alemães construíssem até 51 mil toneladas de cruzadores pesados, suficiente para cinco navios de dez mil toneladas.
O projeto dos três primeiros navios foram preparados entre 1934 e 1935. As duas últimas embarcações foram inicialmente concebidas como cruzadores rápidos, com seus projetos tendo sido preparados de 1934 a 1936. Foi planejado que estes dois seriam armados com quatro torres de artilharia triplas de canhões de 149 milímetros, diferentemente das quatro torres duplas de 203 milímetros dos primeiros três navios. Exceto o armamento, esses dois cruzadores teriam os mesmos parâmetros dos outros três. Entretanto, a Kriegsmarine decidiu em 14 de novembro de 1936 que os dois últimos navios deveriam ser finalizados como cruzadores pesados iguais aos três primeiros.
Projeto Características thumb|240px|esquerda|Desenho da Classe Admiral Hipper Os navios da Classe Admiral Hipper tinham dimensões ligeiramente diferentes. O Admiral Hipper tinha 195,5 metros de comprimento da linha de flutuação e 202,8 metros de comprimento de fora a fora. Seu comprimento de fora a fora cresceu para 205,9 metros depois da instalação de uma proa clipper. O Blücher tinha 195 metros de comprimento da linha de flutuação e 203,2 metros de comprimento de fora a fora; com a proa clipper, seu comprimento também passou a ser 205,9 metros. Ambas as embarcações tinham uma boca de 21,3 metros e um calado projeto de 6,5 metros e um calado carregado de 7,2 metros. O Prinz Eugen tinha 199,5 metros de comprimento da linha de flutuação e 207,7 de comprimento de fora a fora; seu comprimento passou a ser 212,5 metros com a proa clipper. Sua boca era de 21,7 metros e o calado de 6,6 metros em deslocamento padrão e 7,2 metros em deslocamento carregado. O Seydlitz e o Lützow tinham 210 metros de comprimento de fora a fora, 21,8 metros de boca e 6,9 metros de calado em deslocamento padrão e 7,9 metros em deslocamento carregado.
Os cinco cruzadores da Classe Admiral Hipper estavam nominalmente dentro do limite de dez mil toneladas de deslocamento padrão impostos pelos diferentes tratados internacionais, mas na realidade eles excediam em muito esse valor. O Admiral Hipper e o Blücher tinham um deslocamento projetado de 16 170 toneladas, enquanto seu deslocamento carregado era de 18,5 mil toneladas. O Prinz Eugen era ligeiramente maior, com 16 970 toneladas de deslocamento projetado e 19 050 toneladas de deslocamento carregado. O Seydlitz e o Lützow seriam ainda maiores, ficando com 17,6 mil toneladas de deslocamento projetado e 20,1 mil toneladas de deslocamento carregado.
Os cascos foram construídos com armações de aço longitudinais. Eles eram divididos em catorze compartimentos a prova d'água e um fundo duplo que estendia-se por 72 por cento do comprimento da quilha. A Kriegsmarine considerou que as embarcações tinham boa navegabilidade e movimentos gentis. Entretanto, em velocidades baixas eles eram afetados de forma imprevisível pelos ventos e correntes. Os navios inclinavam até catorze graus e perdiam até cinquenta por cento de sua velocidade com o leme virado totalmente em altas velocidades. Suas tripulações padrão eram de 42 oficiais e 1 340 marinheiros, mas modificações durante a guerra aumentaram esses números para 51 oficiais e 1 548 marinheiros. Os cruzadores também carregavam embarcações menores, incluindo dois botes de piquete, duas barcas, uma lancha, uma pinaça e dois botes.
Propulsão thumb|240px|Uma das hélices do Prinz Eugen Os cruzadores da Classe Admiral Hipper eram impulsionados por três conjuntos de turbinas a vapor. Os motores do Admiral Hipper e do Blücher foram montados pela Blohm & Voss, já as turbinas do Prinz Eugen foram construídas pela Germaniawerft. Os motores do Seydlitz e Lützow foram produzidas pela Deutsche Schiff- und Maschinenbau. O vapor nos três primeiros navios provinha de doze caldeiras de ultra-alta-pressão. O Seydlitz e o Lützow seriam equipados com nove caldeiras de alta-pressão. As caldeiras do Admiral Hipper e Prinz Eugen foram fabricadas Wagner e as das três embarcações restantes foram construídas pela La Mont.
Cada turbina girava uma hélice com três lâminas de 4,1 metros de diâmetro. Os motores tinham uma potência indicada de 132 mil cavalos-vapor (97,1 mil quilowatts), suficiente para uma velocidade máxima de 32 nós (59 quilômetros por hora). Foram projetados para carregar entre 1 420 e 1 460 toneladas de óleo combustível, porém podiam carregar até de 3 050 a 3 250 toneladas. A uma velocidade de cruzeiro de vinte nós (37 quilômetros por hora), sua autonomia máxima era de 6,8 mil milhas náuticas (12,6 mil quilômetros).
A direção era controlada por um único leme. O Admiral Hipper e o Blücher eram equipados com três usinas elétricas, cada uma possuía quatro geradores a diesel e seis turbo-geradores. Os geradores a diesel produziam 150 quilowatts de potência cada, quatro dos seis turbo-geradores produziam 460 quilowatts, enquanto os dois turbo-geradores restantes produziam 230 quilowatts. A produção elétrica total dos dois navios era de 2,9 mil quilowatts. O Prinz Eugen, Seydlitz e Lützow tinham esquemas ligeiramente diferentes. Cada um tinha três geradores a diesel de 150 quilowatts, quatro turbo-geradores de 460 quilowatts, um turbo-geradores de 230 quilowatts e um gerador de corrente alternada de 150 quilowatts para um total de 2 870 quilowatts. Os esquemas elétricos dos cinco navios operavam a 220 volts.
Armamento O armamento principal da Classe Admiral Hipper era composto por oito canhões SK C/34 de 203 milímetros. Os navios tinham um suprimento de 960 a 1 280 projéteis, ou 120 a 160 projéteis por arma. Os canhões eram montados em quatro torres de artilharia Drh LC/34 duplas. Estas podiam abaixar até dez graus negativos e elevar até 37 graus. Em elevação máxima, o alcance das armas era de 33 540 metros. Os canhões disparavam projéteis de 122 quilogramas a uma velocidade de saída de 925 metros por segundo. Os projéteis incluíam projéteis perfurantes e projéteis altamente explosivos. Cada cruzador também tinha a disposição quarenta projéteis iluminadores de 103 quilogramas que eram disparados a uma velocidade de saída de setecentos metros por segundo. As quatro torres de artilharia construídas para o Seydlitz foram colocadas como artilharias costeiras na Muralha do Atlântico. O Lützow estava com apenas as duas torres de artilharia dianteiras instaladas quando foi vendido para a União Soviética.
thumb|esquerda|220px|Uma das montagens duplas de 105 milímetros do Prinz Eugen A bateria antiaérea pesada consistia em doze canhões SK C/33 de 105 milímetros em montagens duplas. Estas tinham um suprimento de 4,8 mil projéteis. As montagens eram do tipo Dopp LC/31, originalmente projetadas para o canhão SK C/31 de 88 milímetros. As montagens LC/31 era estabilizadas triaxialmente e podiam se elevar até oitenta graus. Isto permitia que os canhões atacassem inimigos a uma altura máxima de 12,5 quilômetros. Contra alvos de superfície, eles tinham um alcance máximo de 17,7 quilômetros. Os projéteis pesavam 15,1 quilogramas e podiam ser projéteis altamente explosivos, altamente explosivos incendiários e iluminadores.