Solução do Estado único ou solução binacional refere-se a uma proposta de solução do conflito israelo-palestino que consiste na criação de um estado único, mediante a unificação dos territórios de Israel, da Cisjordânia e possivelmente da Faixa de Gaza,FELICE FRIEDSON, "One-state or two-state solution", Jerusalem Post, 21 de julho de 2010. garantindo-se direitos de cidadania iguais para todos os habitantes, independentemente da etnicidade ou da religião.

Enquanto alguns defendem a solução do estado único por razões ideológicas, outros acreditam simplesmente que esta já é a situação de facto.

Embora seja cada vez mais discutida nos círculos acadêmicos, a solução do estado binacional tem sido excluída das tratativas oficiais para resolver o conflito. Também não é discutida nas análises publicadas pela grande imprensa. Em geral cita-se apenas a solução dos dois Estados, que foi aceite, em princípio, pelo governo de Israel e pela Autoridade Palestina, em novembro de 2007, na Conferência de Annapolis, e continua sendo a base das negociações propostas pela adminitração Obama em 2011. Todavia, na medida em que a abordagem dos dois Estados não tem produzido resultados, o interesse pela solução do estado único tende a crescer.

Panorama no início de 2004 No final de janeiro de 2004, o próprio Yasser Arafat,Segundo Zeev Binyamin Begin (A Sad Story, Miskal-Yediot Ahronot; Tel-Aviv, 2000, pp. 44-45 apud Ethos of Struggle, em inglês, acesso em 09 de janeiro de 2013), Yasser Arafat teria afirmado em várias ocasiões que a aceitação da solução de dois Estados por meio dos Acordos de paz de Oslo foram necessários para que fosse permitida a criação da Autoridade Palestina que seria um instrumento útil à continuidade da luta por um único Estado na Palestina na época presidente da Autoridade Palestina, diante da construção do Muro da Cisjordânia, advertiu que as circunstâncias favoráveis à solução de dois Estados estariam se esgotando; e Ahmed Korei, na época presidente da Autoridade Palestina, disse que diante da política empreendida por Ariel Sharon que incluía o controle israelense sobre grandes porções da Cisjordânia, os árabes-palestinos iriam abandonar a sua demanda por um Estado Independente separado do Estado de Israel, e passariam a lutar por um Único Estado na Palestina, com características democráticas, que garantissem a cada homem um voto.

Alguns israelenses receberam esses comentários como uma manobra tática dos líderes árabes-palestinos para assustar os judeus israelenses (pois, em um futuro próximo, a população árabe-palestina superaria a população judaica no território situado a oeste do Rio Jordão,gráfico, em inglês, acesso em 09 de janeiro de 2013Isso devido às maiores taxas de natalidade entre árabes-palestinos, sobre essa situação seria célebre a frase de Yasser Arafat que afirmou certa vez que o ventre da mulher árabe seria a sua melhor arma (MIDEAST: ‘Hello, I’m Israeli-Palestinian’, em inglês, acesso em 04 de janeiro de 2012). e, portanto, poderiam ter hegemonia política nesse Estado Único), e, desse modo, conseguir mais concessões na implementação da solução dos dois Estados.

Nos meses finais de 2003 e nas primeiras semanas de 2004MIDEAST: ‘Hello, I’m Israeli-Palestinian’, em inglês, acesso em 04 de janeiro de 2012: setores da esquerda israelense continuavam a alertar que o aumento do número de colonos judeus na Cisjordânia conduziria a uma situação que inviabilizaria a solução de dois Estados, e a em tal hipótese, a relação do Estado de Israel com os árabes-palestinos residentes na Cisjordânia, seria semelhante àquela que existia no Regime do Apartheid na África do Sul, situação que seria prejudicial para o próprio Estado de Israel, que não poderia mais ser caracterizado como uma democracia; Yossi Beilin, um dos arquitetos dos Acordos de Oslo e da Iniciativa de Genebra, alertou que a Iniciativa de Genebra seria talvez a última chance para obter uma divisão de terras justa entre judeus e árabes-palestinos, antes que os árabes-palestinos viessem a ser maioria da população a oeste da Jordânia, circunstância que os levaria a querer transformar o Estado de Israel em um Estado binacional; Ehud Olmert, na época vice-primeiro-ministro do Estado de Israel, disse que os árabes-palestinos estariam perdendo o interesse na solução de dois Estados, e que deixariam de lutar contra a ocupação israelense e passariam a defender a bandeira democrática de "um-homem-um voto", tática que poderia ter aceitação na comunidade internacional, e que poderia levar ao fim do caráter judaico do Estado de Israel; a extrema-direita israelense defendia a remoção dos árabes-palestinos para a Jordânia, mas era uma corrente política muito minoritária na política israelense; líderes dos colonos judeus na Cisjordânia, chegaram a sugerir que o Estado de Israel se manifestasse favoravelmente à concessão do direito ao voto na Jordânia para os árabes-palestinos residentes na Cisjordânia, hipóteses que poderiam levar a instituição de um "Estado Palestino" no território da Jordânia; uma pesquisa de opinião indicou que 78% (setenta e oito por cento) dos judeus israelenses se declaravam favoráveis à solução de dois Estados e apenas 6% (seis por cento) disseram apoiar a solução do Estado único, essa mesma pesquisa também indicou que 67% (sessenta e sete por cento) dos judeus israelenses temiam a solução do Estado único, e alguns comentaristas afirmaram que tal temor explicaria a decisão de Ariel Sharon de retirar os assentamentos judaicos na Faixa de Gaza; por outro lado, 30% (trinta por cento) dos árabes-palestinos se declaravam favoráveis à solução do Estado único; intelectuais árabes-palestinos e israelenses de extrema esquerda defendiam a solução do Estado único, argumentando que tal Solução superaria questões controversas na implementação da solução de dois Estados, tais como a delimitação de fronteiras, o controle de Jerusalém e a remoção dos assentamentos judaicos na Cisjordânia.

Pesquisas de opinião publicadas em março e abril de 2010 Em março de 2010, foi publicadaIs a one-state solution an acceptable solution to the Israeli-Palestinian conflict?, em inglês, acesso em 24 de março de 2013 uma pesquisa de opinião que indicou que 66% (sessenta e seis por cento) da população israelense seria favorável à solução de dois EstadosNesse contexto, a solução de dois Estados foi descrita como o estabelecimento de um Estado Palestino independente ao lado do Estado de Israel, com base nas fronteiras anteriores à Guerra dos Seis Dias, com os ajustes necessários à segurança do Estado de Israel e que preservaria os grandes blocos de assentamentos israelenses na Cisjordânia e 14% (quatorze por cento) de apoio à solução de um Estado binacional".Segundo a referida pesquisa, a solução de um Estado teria o apoio de: 15% (quinze por cento) entre os israelenses que se definiam como de direita, de 18% (dezoito por cento) entre os israelenses que se definiam como de esquerda, e de apenas 9% (nove por cento) entre os israelenses que se definiam como de centro

Em abril de 2010, foi publicada uma nova pesquisa de opinião que, quando comparada com uma anterior publicada em junho de 2009, mostrou um considerável aumento do apoio, entre os árabes-palestinos, à solução de um Estado. A nova pesquisa indicou que 33,8% dos árabes-palestinos seriam favoráveis à solução de um Estado, enquanto que a pesquisa anterior indicava que apenas 20,6% dos árabes-palestinos seriam favoráveis a essa perspectiva de Solução para o Conflito Árabe-Israelense. A comparação entre as duas pesquisas, também indicou um decréscimo do apoio à solução de dois Estados entre os árabes-palestinos, dado que, segundo a primeira pesquisa, tal solução era apoiada por 55,2% dos árabes palestinos, enquanto que, na pesquisa seguinte, esse apoio caiu para 43,9%.

Pronunciamentos contrários à solução de um só Estado (binacional) Ghassan Khatib Em 19 de janeiro de 2004, foi publicado um artigo,A ton of regret, em inglês, acesso em 03 de março de 2013 no qual Ghassan Khatib: sustentou que o verdadeiro propósito da declaração de Ahmed Qorei, feita em 08 de janeiro de 2004,Green line and red line, em inglês, acesso em 03 de março de 2013. não seria defender a solução de um Estado, mas de alertar os israelenses e a comunidade internacional de que a expansão dos assentamentos judeus iria inviabilizar a possibilidade de instituição de um Estado Palestino independente e, consequentemente, inviabilizar a solução dos dois Estados, circunstância indesejável que levaria os árabes-palestinos a defender a solução de um Estado; A solução de dois Estados continuaria a ser a posição oficial do povo árabe-palestino e de sua liderança, isso porque, a solução de um Estado binacional" não seria viável, pois: negaria um elemento chave dos objetivos que justificariam a própria existência do Estado de Israel, que seria a necessidade da existência de um Estado para os judeus; e, também, seria contrária a uma meta fundamental da liderança árabe-palestina, que é a de instituir um Estado para a comunidade árabe-palestina; a solução de um Estado binacional nunca foi promovida pela liderança árabe-palestina e nunca seria sua política escolhida.

Yossi Alpher Em 19 de janeiro de 2004, foi publicado um artigo, no qual Yossi Alpher comentou uma declaração de Ahmed Qorei, feita em 08 de janeiro de 2004, na qual o Primeiro-ministro da Autoridade Nacional Palestina afirmou que a expansão dos assentos judeus na Cisjordânia, que confinaria os árabes-palestinos em cantões, seria inaceitável e faria com que os árabes-palestinos passassem a defender uma solução de um Estado,Ressalve-se que três dias após essa declaração, a Organização para a Libertação da Palestina reafirmou que continuava comprometida com a solução dos dois Estados (Green line and red line, em inglês, acesso em 03 de março de 2013). na qual os árabes-palestinos teriam os mesmos direitos políticos que os israelenses, para dizer que: tal declaração era um fato significativo, pois seria a primeira vez desde 1988, quando a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) teria adotado oficialmente a solução de dois Estados, que um líder árabe-palestino envolvido diretamente nas negociações com o Estado de Israel, inclusive nos Acordos de Oslo, lançou dúvidas sobre o compromisso da liderança árabe-palestina com a solução dos dois Estados; reconhece que Ahmed Qorei estaria certo ao afirmar que o Muro da Cisjordânia e a expansão dos assentamentos judeus na Cisjordânia estaria criando uma situação semelhante àquela vivenciada na época do Regime do Apartheid na África do Sul e que, em breve, os árabes-palestinos seriam a maioria da população no território situado entre o Rio Jordão e o Mar Mediterrâneo; tal declaração poderia ser um prenúncio de uma futura decisão da OLP de rejeitar a solução de dois Estados, por considerá-la inviabilizada, e passar a adotar uma versão atualizada da proposta que a OLP assumia antes de 1988 (solução de um único Estado), segundo a qual os árabes-palestinos passariam a defender a bandeira de "um homem, um voto"; a opção pelo defesa da solução de um Estado implicaria na dissolução da Autoridade Palestina e, consequentemente, na demissão de seus cerca de 100.000 funcionários, o que tornaria o Conflito Israelo-Palestino ainda pior; a perspectiva de defesa da solução de um Estado pelas lideranças árabes-palestinas levaria setores da direita israelense a defender a retirada unilateral de partes dos territórios palestinos.

Afif Safieh No final de setembro de 2004, foi publicada uma entrevistaAn Interview with Afif Safieh, em inglês, acesso em 12 de janeiro de 2013 na qual Afif Safieh declarou que embora tenha defendido a solução de um Estado no final dos anos 60, atualmente estava defendendo a solução de dois Estados, com base nos seguintes argumentos: