é um transtorno neurobiológico ligado ao neurodesenvolvimento caracterizado pela desatenção, hiperatividade, desregulação emocional e a impulsividade em graus inconsistentes com o nível de desenvolvimento do indivíduo. Os critérios de diagnóstico requerem que os sintomas se comecem a manifestar antes dos doze anos de idade, que estejam presentes durante mais de seis meses e que causem problemas em pelo menos dois cenários diferentes, como na escola e em casa, por exemplo. Em crianças, a desatenção é muitas vezes a causa de maus resultados escolares. Embora cause dificuldades, sobretudo na sociedade contemporânea, muitas crianças com PHDA conseguem se concentrar em tarefas que consideram interessantes.
Apesar de ser o transtorno neuropsiquiátrico mais estudado e diagnosticado em crianças e adolescentes, na maioria dos casos desconhece-se a causa exata. Quando diagnosticada pelos critérios DSM-IV, a doença afeta entre 5 e 7% das crianças. Quando diagnosticada pelos critérios da CID-10 afeta entre 1 e 2%. Estima-se que em 2015 afetasse cerca de 5,1 milhões de pessoas. A prevalência é muito semelhante entre países. As aparentes diferenças de valores são resultado de diferentes critérios de diagnóstico usados em cada país. O diagnóstico de PHDA é cerca de três vezes mais comum em rapazes do que em raparigas, embora a perturbação seja muitas vezes negligenciada em raparigas devido ao facto dos sintomas serem diferentes. Entre 30 e 50% das pessoas diagnosticadas com a condição em criança continuam a manifestar sintomas em idade adulta e entre 2 e 5% de todos os adutos têm a condição. É difícil distinguir a PHDA de outras perturbações e de níveis de atividade elevados, mas ainda assim consistentes com a idade.
As recomendações de tratamento para a PHDA são diferentes de país para país, embora na generalidade dos casos esteja recomendada uma combinação de psicoterapia, alterações no estilo de vida e medicação. As recomendações britânicas recomendam usar medicação como tratamento de primeira linha apenas em crianças com sintomas graves ou em adultos e que em crianças com sintomas moderados só seja considerada medicação nos casos em que não haja melhorias com aconselhamento. Por outro lado, as recomendações canadianas e norte-americanas recomendam que medicação e terapia comportamental sejam usados em conjunto como tratamento de primeira linha, exceto nas crianças em idade pré-escolar. Nenhuma das diretrizes recomenda a prescrição de medicamentos estimulantes como tratamento de primeira linha em crianças em idade pré-escolar.
O tratamento com estimulantes é eficaz por, pelo menos, 14 meses, havendo menos consenso quanto à eficácia a partir daí. Tal fato se deve, em parte, ao possível declínio relacionado à idade nos sintomas de TDAH; um outro fator é a menor quantidade de estudos de acompanhamento por períodos maiores que 24 meses. Também é conjecturado que os efeitos (benéficos) de longo prazo das medicações estimulantes, em termos de neuroplasticidade — em particular no córtex cingulado anterior, núcleo caudado e núcleos da base — acabem tornando o efeito da medicação menos prominente com o passar do tempo, e por consequência, o seu uso menos necessário
Tanto adolescentes como adultos com a condição tendem a desenvolver mecanismos de enfrentamento que podem compensar todas ou algumas das suas dificuldades.
A descrição de sintomas semelhantes à PHDA na literatura médica remonta ao . Desde a década de 1970 que a classificação, diagnóstico e tratamento da PHDA tem sido foco de controvérsias entre profissionais de saúde, professores, legisladores, pais e a comunicação social. As questões mais debatidas dizem respeito às causas de PHDA e ao tratamento com recurso a estimulantes. A maioria dos prestadores de cuidados de saúde considera a PHDA uma perturbação legítima em crianças e adultos. O debate entre a comunidade científica foca-se nos critérios de diagnóstico e tratamento. Entre 1980 e 1997 a condição era denominada "perturbação por défice de atenção" e, antes disso, por "reação hipercinética infantil".
Características O transtorno se caracteriza por frequente comportamento de desatenção, inquietude e impulsividade, em pelo menos dois contextos diferentes (casa, escola, trabalho, etc). O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais da Associação Americana de Psiquiatria (DSM IV) subdivide o TDAH em três tipos:American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders. Fourth edition. Washington (DC): American Psychiatric Association; 1994. TDAH com predomínio de sintomas de desatenção; TDAH com predomínio de sintomas de hiperatividade/impulsividade e; TDAH combinado. +SintomasManifestaçõesSintomas segundo o e o Sintomas segundo a DesatençãoSeis ou mais dos seguintes sintomas em crianças, e cinco ou mais em adultos, excluindo situações em que esses sintomas sejam melhor explicados por outra condição psiquiátrica ou médica: Frequentemente ignora detalhes ou comete erros por descuido Frequentemente tem dificuldade para manter o foco em uma tarefa ou atividade de lazer Frequentemente parece não estar ouvindo quando lhe falam, mesmo na ausência de distrações evidentes Frequentemente não termina de seguir instruções, não concluindo tarefas Frequentemente tem dificuldades para organizar tarefas e atividades, cumprir prazos e manter os pertences em ordem Frequentemente mostra relutância em se envolver em tarefas que exigem atenção prolongada Frequentemente perde itens necessários para tarefas e atividades Frequentemente se distrai com estímulos irrelevantes, incluindo pensamentos (em adultos e adolescentes mais velhos) Frequentemente esquece atividades diárias ou se mostra esquecido durante a realização delas.Vários sintomas de desatenção que impactam negativamente o funcionamento ocupacional, acadêmico ou social. Os sintomas podem não estar presentes quando a pessoa está envolvida em tarefas altamente estimulantes com recompensas frequentes. Os sintomas geralmente se agrupam da seguinte forma: Dificuldade para manter o foco em tarefas que não são altamente estimulantes/recompensadoras ou que exigem esforço contínuo; detalhes frequentemente são ignorados e erros por descuido são frequentes em tarefas escolares ou de trabalho; tarefas são frequentemente abandonadas de forma abrupta em favor de outra, antes de serem concluídas. Facilidade de se distrair (inclusive com os próprios pensamentos); pode não ouvir quando lhe falam; frequentemente parece estar absorto em pensamentos Frequentemente perde coisas; é esquecido e desorganizado nas atividades diárias.
O indivíduo também pode preencher os critérios para hiperatividade-impulsividade, mas os sintomas de desatenção são predominantes.Hiperatividade-ImpulsividadeSeis ou mais dos seguintes sintomas em crianças, e cinco ou mais em adultos, excluindo situações em que esses sintomas sejam melhor explicados por outra condição psiquiátrica ou médica: Frequentemente se remexe ou se contorce na cadeira Frequentemente tem dificuldade para permanecer sentado durante refeições, aulas, reuniões etc. Frequentemente corre ou escala em situações inadequadas. Em adultos e adolescentes, isso pode se manifestar apenas como inquietação Frequentemente não consegue se envolver silenciosamente em atividades de lazer ou brincadeiras Frequentemente parece estar “a mil” ou se mostra desconfortável quando não está em movimento Frequentemente fala em excesso Frequentemente responde antes da pergunta terminar, ou completa as frases das outras pessoas Frequentemente tem dificuldade para esperar sua vez, inclusive em filas Frequentemente interrompe ou interfere, inclusive em conversas ou atividades alheias, ou usando objetos de outros sem pedir.Vários sintomas de hiperatividade/impulsividade que impactam negativamente o funcionamento ocupacional, acadêmico ou social. Tipicamente, esses sintomas são mais evidentes em ambientes estruturados ou que exigem autocontrole. Os sintomas geralmente se agrupam da seguinte forma: Atividade motora excessiva; dificuldade para permanecer sentado, frequentemente sai do lugar; prefere correr de um lado para o outro; em crianças pequenas, remexe-se quando tenta permanecer sentada; em adolescentes e adultos, sensação de inquietação física ou desconforto com o silêncio e a imobilidade. Fala demais; dificuldade para se envolver silenciosamente em atividades. Responde ou comenta sem pensar; dificuldade para esperar sua vez em conversas, jogos ou atividades; interrompe ou se intromete em conversas ou jogos. Falta de reflexão ou consideração das consequências ao tomar decisões ou agir, tendendo a agir de forma imediata (por exemplo, comportamentos fisicamente perigosos, como dirigir de forma imprudente; decisões impulsivas).
O indivíduo também pode preencher os critérios para desatenção, mas os sintomas de hiperatividade-impulsividade são predominantes.CombinadoPreenche os critérios tanto para TDAH do tipo desatento quanto para o tipo hiperativo-impulsivo.Os critérios são preenchidos para TDAH tanto do tipo desatento quanto do tipo hiperativo-impulsivo, sem que um tipo seja claramente predominante.
Na década de 1980, a partir de novas investigações, passou-se a ressaltar aspectos cognitivos na definição de síndrome, principalmente o déficit de atenção e a impulsividade ou falta de controle, considerando-se, além disso, que a atividade motora excessiva é resultado do alcance reduzido da atenção do indivíduo e da mudança contínua de objetivos e metas a que é submetido.
O transtorno é reconhecido pela OMS (Organização Mundial da Saúde), tendo inclusive em muitos países, lei de proteção, assistência e ajuda tanto aos portadores quanto aos seus familiares. Segundo a OMS e a Associação Psiquiátrica Americana, o TDAH é um transtorno psiquiátrico que tem como características básicas a desatenção, a agitação (hiperatividade) e a impulsividade, podendo levar a dificuldades emocionais, de relacionamento, bem como a baixo desempenho escolar e outros problemas de saúde mental. Embora o indivíduo tenha muitas vezes uma inteligência normal ou acima da média, o estado é caracterizado por problemas de aprendizado e comportamento. As pessoas que interagem regularmente com alguém com TDAH muitas vezes têm dificuldades para lidar e compreender a falta de atenção, impulsividade, instabilidade emocional, e todas as diferenças que existem entre o considerado comportamento normal e o de alguém com TDAH. Há especialistas que defendem o uso de medicamentos; outros acreditam que o indivíduo, sua família e seus professores devem aprender a lidar com o problema sem a utilização de medicamentos — através de psicoterapia e aconselhamento familiar, por exemplo. Há, portanto, muita controvérsia sobre o assunto.
No contexto escolar, o TDAH é utilizado como uma justificativa para problemas como repetência de séries, atraso escolar, dificuldade de aprendizagem e foco. Essa justificativa na realidade só mascara uma dificuldade de apropriação do conteúdo científico por diversas razões, que não exclusivamente o transtorno. Dessa forma, o indivíduo tem atribuído a si uma condição de anormalidade, excluindo assim o social, numa tentativa de afirmar a patologia e acarretando numa necessidade de medicação.
O indivíduo com déficit de atenção muitas vezes se sente isolado e diferente dos colegas e amigos, mas não entende por que é tão diferente. Fica afetado com suas próprias dificuldades em realizar tarefas que alguém sem TDAH realiza sem problemas. Isto pode levar a outros problemas como a baixa autoestima, stress, isolamento, etc.
Independentemente do tipo de TDAH, a fase mais crítica apresenta-se na infância e adolescência, já que são os anos em que se forma de forma mais acentuada não só a personalidade, mas o trajeto profissional a seguir, e consequentemente o futuro do indivíduo.