Alânia () é uma cidade costeira e distrito () do sul da Turquia, que faz parte da província de Antália e da região do Mediterrâneo (Akdeniz Bölgesi), situada a 120 km a leste de Antália. Segundo o censo de 2009, a população do distrito era de habitantes numa área de , dos quais na cidade de Alânia. A maior parte dos habitantes é de origem anatólia, mas em 2010 estimava-se que residissem na cidade aproximadamente europeus.

Localizada numa posição estratégica, numa pequena península no mar Mediterrâneo, no sopé meridional dos Montes Tauro, Alânia foi uma praça-forte para muitos impérios mediterrânicos, como o ptolemaico, selêucida, romano, bizantino, Sultanato de Rum, Beilhique da Caramânia e otomano. O apogeu da cidade em termos de importância histórica deu-se no , quando foi a residência de inverno do sultão seljúcida de Rum , de quem o nome atual deriva. Algumas das numerosas construções de Caicobado encontram-se entre os principais monumentos da cidade, nomeadamente a Kızıl Kule (Torre Vermelha), a tersane (estaleiro naval), e o castelo.

O clima mediterrânico relativamente moderado, as atrações naturais, tanto na costa, como no interior, e o património histórico fazem de Alânia um destino turístico muito popular. A atividade do setor turístico da região representa 9% do total da Turquia, enquanto que as vendas de imobiliário a estrangeiros representam 30% do total nacional. O turismo cresceu a partir de 1958, tornando-se a principal atividade económica da cidade e provocando um significativo aumento da população. A cidade acolhe todos os anos diversos eventos desportivos de verão e festivais culturais.

Nomes A cidade mudou várias vezes de mãos ao longo do tempo, o que se refletiu nos diversos nomes que teve. Alânia era conhecida em como Coracesium ou Korakesion em grego coiné (comum), derivado do lúvio ou hitita Korakassa, que significa cidade saliente. No período bizantino era conhecida como Calom Oro (). Nas línguas latinas modernas é por vezes referida como Coracésio. Os seljúcidas deram-lhe o nome de Alaiye, derivado do nome do sultão Caicobado I. Nos séculos XIII e XIV, os mercadores italianos chamavam à cidade Candelore or Cardelloro. O nome atual foi oficialmente adotado quando Atatürk visitou a cidade em 1935. Conta-se que o "i" e o "e" do nome antigo Alaiye foram mudados devido a um erro num telegrama de 1933.

História thumb|upright|esquerda|Mapa de Alânia no Kitab-ı Bahriye (Livro de navegação) de Piri Reis, onde é visível a Kızıl Kule (Torre Vermelha) e a tersane (estaleiro naval)

Embora aparentemente só tenha sido fortificada durante o período helenístico, após a conquista por Alexandre, o Grande, o rochedo do castelo foi provavelmente habitado pelos pelos hititas (séculos XVI—) e pelos persas aqueménidas (séculos VI—). Achados na gruta próxima de Kadrini indiciam ocupação durante o Paleolítico que remonta a Foi encontrada no distrito uma tábua com inscrições em fenício datado de e a cidade é mencionada no manuscrito grego sobre geografia "Périplo de Pseudo-Cílax", do

Após , os Diádocos, sucessores de Alexandre, entregaram o governo da região a Ptolemeu I Sóter, um general de Alexandre Magno. Ptolemeu e os seus sucessores mantiveram um controlo pouco apertado sobre a população isáurica, o que permitiu que o porto se tornasse um refúgio de piratas muito concorrido. A cidade resistiu ao rei Antíoco III Magno do vizinho Império Selêucida em , mas apoiou Diódoto Trifão quando ele usurpou a coroa selêucida entre 142 e Diódoto empreendeu a construção de novas fortificações e de um novo porto, cujas obras seriam finalizadas pelo seu sucessor e rival, , em

A República Romana combateu os piratas cilícios em , quando Marco António Orador estabeleceu um proconsulado em Sida, sob as ordens de Públio Servílio Vácia Isáurico, que correu com as tribos isáurias. A pirataria em Alânia foi definitivamente extinta depois da vitória de Pompeu na Batalha de Coracésio, em , após a qual a cidade foi incorporada na província romana da Panfília. O banditismo dos isáurios permaneceu um problema durante o domínio romano, e houve revoltas tribais nos , a maior delas entre 404 e 408. Após a queda do Império Romano, a cidade passou a fazer parte do Império Bizantino, tornando-se uma diocese dependente de Side, na diocese metropolitana da Panfília Prima (Pamphylia Prima).

Os muçulmanos chegaram no , aquando das Guerras bizantino-árabes, tendo região sofrido várias razias, uma situação que levou à construção de novas fortificações. O ano de 681 marcou o fim da diocese de Alânia, embora São Pedro de Atroa possa ter-se refugiado na cidade no início do , para escapar às perseguições do período iconoclasta. Após a Batalha de Manzicerta, na qual os bizantinos foram derrotados pelos seljúcidas, a área ficou na posse dos vencedores até 1120, ano em que foir reconquistada pelo imperador bizantino João II Comneno.

thumb|Ruínas da igreja bizantina do recinto do castelo

thumb|A Kızıl Kule (Torre Vermelha), torre defensiva seljúcida do

Após a o ataque da Quarta Cruzada aos bizantinos, o Reino Arménio da Cilícia, um dos estados cruzados, deteve a cidade de forma intermitente, até que em 1221 o sultão seljúcida anatólio a tomou definitivamente ao nobre arménio Kir Fard, com cuja filha casou. Caicobado nomeou o seu sogro arménio governador de Akşehir. O governo seljúcida marcou o apogeu da cidade, que se tornou a capital de inverno do império seljúcida. Grandes construções, como as cidadelas gémeas, as muralhas, a Kızıl Kule (Torre Vermelha), o arsenal e a tersane (estaleiro naval), tornaram Alânia um porto de mar importante para o comércio mediterrânico, particularmente com o império aiúbida do Egito e as cidades-estado italianas. Caicobado também construiu numerosos jardins e pavilhões fora das muralhas. Estas obras, muitas delas ainda existentes, foram provavelmente financiadas pelo próprio Caicobado ou por emires locais e construídas pelo empreiteiro . O filho de Caicobado, o sultão continuou com a campanha de construções, edificando uma cisterna em 1240.

Com a vitória na Batalha de Köse Dağ, a , as hordas mongóis acabaram com a hegemonia seljúcida na Anatólia e dominaram a cidade durante aproximadamente um século, embora com invasões esporádicas de beilhiques (pequenos estados turcos). Em 1293, os caramânidas liderados por tomaram a cidade, mas o seu controlo sobre ela foi intermitente. Em 1371 a cidade esteve brevemente na posse dos Lusinhão do Chipre, que a conquistaram aos hamididas (beilhique de Hamide). Em 1427 os caramânidas venderam Alânia ao sultanato mameluco do Cairo por moedas de ouro.

Em 1471 a cidade foi conquistada para o Império Otomano pelo general e grão-vizir Gedique Amade Paxá, passando Alânia a ser capital de um sanjaco (divisão administrativa otomana) do eialete (província) de Içel (atual Mersin). Os otomanos ampliaram o controlo em 1477, quando tornaram monopólio estatal o comércio de madeira, a atividade de exportação mais importante da cidade, até então dominado por venezianos. Em a cidade resistiu a um ataque naval da Ordem de Santo Estêvão, de Veneza.

esquerda|thumb|A tersane (estaleiro naval) construída pelos seljúcidas no , no fundo das muralhas, perto da Torre Vermelha

A descoberta do caminho marítimo para a Índia e consequente desenvolvimento de rotas oceânicas diretas da Europa ocidental para a Índia e Extremo Oriente a partir do início do , teve um forte impacto negativo no comércio da região, a ponto de Alânia não ser qualificada como centro urbano nos registos de impostos do final do . Em 1571 os otomanos integraram a cidade na província de Chipre, criada após a conquista dessa ilha no mesmo ano. Esta ocorrência diminuiu ainda mais a importância económica de Alânia. O viajante turco Evliya Çelebi visitou-a em 1671 ou 1672 e escreveu acerca do bom estado do castelo, mas também referiu a decadência dos subúrbios. Em 1864 a cidade passou a pertencer à província de Cónia, para em 1868 ser integrada na província de Antália, situação que se mantém até à atualidade (2010). Durante os séculos XVIII e XIX foram construídas em Alânia numerosas villas por membros da nobreza otomana e as autoridades locais da dinastia caramânida promoveram algumas obras públicas. O banditismo tornou-se comum novamente em toda a província de Antália em meados do .

thumb|Vista das muralhas desde a parte mais alta do castelo, com a parte oriental da cidade ao fundo. À direita avista-se a Mesquita de Solimão (Süleymaniye))

Em consequência da derrota otomana na Primeira Guerra Mundial e do Acordo de Saint-Jean-de-Maurienne, celebrado no verão de 1917 entre a França, Itália e Reino Unido, no qual se delineou a partição do Império Otomano, Alânia foi entregue a Itália, que a manteria até 1923, quando o Tratado de Lausanne determinou que a região fosse entregue à recém formada República da Turquia. Como outras cidades da região, Alânia foi fortemente afetada pelos acontecimentos que marcaram o começo da república turca, a guerra da independência e a subsequente troca de populações entre a Grécia e a Turquia. A maior parte dos habitantes cristãos de Alânia foram deslocados para Nea Ionia, um subúrbio de Atenas. Segundo o censo otomano de 1893 haveria então 964 gregos numa população total de .

O turismo começou com turcos que iam para Alânia nos anos 1960 para desfrutarem das supostas propriedades curativas da gruta de Damlataş. A construção do aeroporto de Antália permitiu à cidade tornar-se um destino turístico importante internacionalmente. A população cresceu significativamente nos anos 1990 em resultado da imigração e provocou uma rápida modernização das infraestruturas.

Geografia Alânia está situada no Golfo de Antália, na planície costeira anatólia da Panfília, entre os Montes Tauro, a norte, e o mar Mediterrâneo a sul, fazendo parte da chamada Riviera Turca e ocupando aproximadamente 70 km de costa. De oeste para leste, o distrito é limitado pelo de Manavgat ao longo da costa, as regiões montanhosas de Gündoğmuş, Hadim e Taşkent na província de Cónia, Sarıveliler na província da Caramânia e Gazipaşa, na costa. O município de Manavgat alberga os sítios arqueológicos de Sida e Selge.

thumb|upright=0.6|Aspeto da parte ocidental da península de Alânia

thumb|upright=0.6|Uma das grutas próximas da cidade, nas montanhas a leste do centro, nas margens do rio Dimçay, a cerca de 12 km do centro

A planície da Panfília, entre o mar e as montanhas é um exemplo isolado de bosque do Mediterrâneo Oriental, constituído principalmente por cedro do Líbano, matagal de folha persistente, figueira e pinheiro-larício. O chamado Maciço de Alânia designa a área de rocha metamórfica a leste de Antália. Esta formação está dividida em três — a de Mahmutlar, mais baixa, a de Sugözü e a de Yumrudağ, a mais alta. Uma litologia similar estende-se por debaixo da cidade, numa A zona a norte da cidade é rica em bauxite, um minério de alumínio, e há estudos que apontam para a rentabilidade da exploração mineira desses recursos.

As partes ocidental e oriental de Alânia estão divididas por uma península rochosa que constitui uma das características distintivas da cidade. O porto, grande parte do centro e a praia de Caicobado, cujo nome provem do sultão Caicobado, ficam a leste da península. A praia de Damlataş, famosa pelas suas "grutas gotejantes", e a praia de Cleópatra situam-se a oeste. Supõe-se que o nome dessa praia derive do facto da rainha ptolemaica poder ter visitado a praia ou porque a área fez parte do dote a ela oferecido por Marco António; outras versões da história referem que Marco António e Cleópatra teriam passado a lua-de-mel em Alânia. A Atatürk Bulvarı, a avenida principal, corre paralela ao mar, e divide a parte sul, mais turística, da parte norte, mais tradicional e nativa, que se estende até às montanhas. A Çevre Yolu Caddesi, outra das avenidas principais, rodeia a cidade a norte.

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