Borba de Montanha — historicamente e localmente também designada Borba da Montanha — é uma povoação portuguesa sede da Freguesia de Borba de Montanha do Município de Celorico de Basto, no Distrito de Braga. É uma freguesia com 10,89 km² de área e 1116 habitantes (censo de 2021), tendo, por isso, uma densidade populacional de .
Além da sede, a Freguesia de Borba de Montanha conta com os seguintes lugares principais: Afães, Alvarães, Barrega, Borba, Bouça, Cabanelas, Carreiras, Combro de Quintela, Casais, Castanheira, Codeçais, Combros, Cruzinha, Eido, Igreja, Lages, Lama, Lameiros, Mondrões, Moinhos, Murgido, Picouto, Porçã, Portela, Preza, Quintela, Redondo, Ribeira, Residência e Vilar.
Geografia
Borba de Montanha situa-se na parte montanhosa do Município de Celorico de Basto, a cerca de 16 km a oeste da sede do concelho. O território apresenta relevo marcado e paisagem rural, com lugares dispersos, caminhos agrícolas, áreas florestais e zonas de vale.
A freguesia é atravessada pelo percurso pedestre PR2 de Borba da Montanha, com cerca de 22 km, que passa por caminhos rurais, caminhos florestais e trilhos. As terras da freguesia estão associadas à ribeira de Santa Natália, cuja fertilidade favoreceu tradicionalmente a cultura de cereais, em especial o milho.
Hidrografia
O território de Borba de Montanha está associado à bacia da ribeira de Santa Natália, afluente da margem direita do Tâmega. Esta ribeira, orientada de norte para sul, nasce na freguesia de Rego e recebe, entre outras, as águas da ribeira de Borba.
Vários moinhos encontram-se também inventariados na freguesia, nomeadamente os Moinhos de Borba, situados na ribeira de Borba, bem como os moinhos de Alvarães e de Quintela.
Economia
As terras férteis do vale da ribeira de Santa Natália foram historicamente dedicadas à cultura de cereais, sobretudo do milho.
Toponímia
Origem de « Borba »
O topónimo Borba tem sido relacionado com uma antiga base hidronímica. O filólogo Joseph M. Piel referiu vários topónimos portugueses formados sobre esta base, entre os quais Borba de Montanha e Borba de Godim, propondo para ela uma origem céltica associada ao sentido de “fonte” ou “nascente”.
Esta interpretação aproxima Borba de formas antigas ligadas a divindades das águas, como Borvo ou Bormo, e do deus lusitano-celta Bormânico, conhecido por inscrições associadas às termas de Vizela.
Evolução do qualificativo
A paróquia recebeu vários qualificativos ao longo da história, destinados a distingui-la de outros lugares chamados Borba, nomeadamente Borba de Godim, em Felgueiras.
Século XI: « Borba », como delimitação territorial; 1220: « Borba de Juniores », em referência aos juniores que aí se estabeleceram; 1258: « Sancte Marie de Borva », sem qualificativo; Século XIV: « Borba de Azinhores », forma documentada na chancelaria régia e em documentação paroquial; Século XVI e época moderna: « Borba da Montanha », designação associada ao relevo montanhoso da freguesia.
A forma histórica « Borba da Montanha » continua a ser amplamente usada localmente, enquanto « Borba de Montanha » corresponde à denominação administrativa oficial.
História
Ocupação antiga
A presença humana antiga no território de Borba de Montanha é atestada por vários sítios arqueológicos inventariados no Plano Diretor Municipal de Celorico de Basto, publicado em 2025 no Diário da República.
Entre estes destaca-se o Castro da Barrega, também conhecido como Roda do Santinho, classificado no inventário municipal como sítio arqueológico de valor excecional. O sítio é identificado como povoado e atribuído ao Calcolítico, à Idade do Bronze e à Idade do Ferro.
Outros sítios arqueológicos registados na freguesia incluem o Monte de Afães/Rechãozinha, atribuído à Pré-História Recente, o Crasto de Murgido e Abrigo, associado ao Neolítico, ao Calcolítico e possivelmente à Idade do Ferro, o Crasto de Cabanelas, de cronologia indeterminada, e os sítios de Ribeira e Porçã, este último identificado como possível casal de época romana.
O Castro da Barrega é ainda conhecido pela estela antropomórfica em granito aí encontrada, atribuída ao Calcolítico e estudada como exemplo de protoestatuária do terceiro milénio a.C. na Península Ibérica.
Primeira menção no século XI
A mais antiga menção documental conhecida de Borba remonta ao século XI, num diploma conservado nos Diplomata et Chartae, onde surge como limite territorial de Vila Boa, correspondente à atual freguesia de Rego, confinante com Borba da Montanha. À época, Vila Boa pertencia ao conde Gomes Eicaz, chefe da alta linhagem dos Sousa.
Borba de Juniores (1220)
Nas Inquirições de D. Afonso II, de 1220, a localidade aparece sob a designação de Borba de Juniores. Segundo A. de Almeida Fernandes, o qualificativo « Juniores » designaria descendentes ou emigrados de um domínio senhorial que se haviam estabelecido numa villa ingénua, perdendo parte do património em troca de liberdade pessoal. Para o mesmo autor, os juniores de Borba descenderiam provavelmente da linhagem dos Sousa, uma das principais famílias senhoriais do norte de Portugal medieval.
Em Borba, estes juniores estavam sujeitos a encargos próprios mencionados nas Inquirições de 1258: oito casais deviam prestar o serviço de fossadeira e o serviço castelão, expresso na fórmula vadunt ad chamatum castelli, isto é, deviam acudir ao chamado do castelo.
Menção nas Inquirições de 1258
O qualificativo « de Juniores » desaparece nas Inquirições gerais de D. Afonso III, de 1258, onde a paróquia surge designada simplesmente como Sancte Marie de Borva, isto é, Santa Maria de Borba.
A terra de Borba de Azinhores no século XIV
No século XIV, o território constituía uma terra senhorial conhecida como Borba de Azinhores. Esta terra aparece documentada no contexto da Crise de 1383-1385. Por carta de doação datada de 6 de setembro de 1384, assinada em Lisboa, o Mestre de Avis, futuro D. João I, confiscou a terra de Borba de Azinhores e os bens de Vasco Rodrigues Delgado, escudeiro de Martim Gonçalves de Ataíde, alcaide do castelo de Chaves e partidário de Castela, doando-os a Afonso de Castro, vassalo do conde D. Gonçalo Teles, primeiro conde de Neiva.
A doação foi confirmada e ampliada em 11 de novembro de 1385. Afonso de Castro tornou-se pouco depois alcaide da vila de Celorico de Basto.
Organização paroquial e época moderna
Borba de Montanha corresponde à antiga paróquia de Santa Maria de Borba da Montanha. Os seus registos paroquiais conservados abrangem o período de 1597 a 1911.
Segundo o Arquivo Distrital de Braga, a paróquia foi inicialmente vigairaria anexa à reitoria de São Salvador de Infesta, tornando-se depois vigairaria independente. Em 1758 são referidas na freguesia as capelas de Santo Amaro e de Santo António.
A Memória Paroquial de 1758, redigida pelo pároco José Henriques de Carvalho, descreve Borba da Montanha como paróquia dedicada a Santa Maria, situada na província de Entre-Douro-e-Minho, comarca de Guimarães, arcebispado de Braga e concelho de Celorico de Basto.
Terramoto de 1755
A Memória Paroquial de 1758 refere os efeitos do terramoto de 1 de novembro de 1755 em Borba da Montanha. Segundo o documento, a paróquia não sofreu ruína geral, mas a igreja paroquial foi afetada, nomeadamente o sacrário, a sacristia e parte do corpo do edifício.
Demografia
A população registada nos censos foi:
A população atingiu o seu máximo em 1950, com 1698 habitantes, diminuindo depois progressivamente na segunda metade do século XX e no início do século XXI.
Entre 2001 e 2021, a proporção de habitantes com menos de 15 anos passou de 21,3% para 11,6%, enquanto a dos habitantes com 65 anos ou mais passou de 18,0% para 27,4%, evidenciando um envelhecimento acentuado da população.
Distribuição da População por Grupos Etários Ano 0-14 Anos 15-24 Anos 25-64 Anos > 65 Anos2001 267 223 539 2262011 220 172 638 2642021 130 133 547 306
Património
Castro da Barrega
O Castro da Barrega, popularmente conhecido como Roda do Santinho, situa-se nas alturas do lugar da Barrega, a cerca de 739 m de altitude. A sua posição dominante torna-o uma referência da paisagem local, com ocupação atribuída ao Calcolítico, à Idade do Bronze e à Idade do Ferro.
O sítio é conhecido sobretudo pela estela antropomórfica em granito aí encontrada, considerada exemplo de protoestatuária calcolítica do terceiro milénio a.C., com paralelos em várias regiões da Península Ibérica.
Em 1940, por ocasião das comemorações do tricentenário da Restauração da Independência e do sétimo centenário da independência nacional, foi erguida uma cruz comemorativa no topo do castro.
Outros castros
Além do Castro da Barrega, são assinalados outros castros na freguesia. O Castro de Murgido, situado nas alturas do lugar de Murgido, a cerca de 722 m de altitude, está associado a um abrigo sob rocha e conserva apenas vestígios modestos. O inventário arqueológico nacional associa-o ao Neolítico, ao Calcolítico e possivelmente à Idade do Ferro.
O Castro de Cabanelas, situado a cerca de 712 m de altitude no lugar homónimo, encontra-se referenciado como sítio de cronologia indeterminada.
Igreja Paroquial de Santa Maria
A Igreja Paroquial de Borba de Montanha, dedicada a Santa Maria, apresenta planta longitudinal composta por nave única e capela-mor retangular, mais estreita, dispostas em eixo. A torre sineira, de planta quadrada, está adossada lateralmente a norte, junto à fachada principal, e é rematada por cúpula bolbosa encimada por catavento em ferro representando um anjo músico.
As fachadas são construídas em cantaria de granito, com cunhais apilastrados rematados por pináculos.
A igreja é mencionada em 1320 como « Igreja de Santa Maria de Borba de Azinhores », sendo então taxada em 100 libras no Censual da diocese de Braga. É novamente referida em 1726 como « igreja antiga ». O edifício atual resulta sobretudo de reconstrução realizada na segunda metade do século XVIII. No final do século XIX foram colocados azulejos na nave e na capela-mor, bem como realizadas pinturas murais nesta última. O retábulo lateral do lado da Epístola, conservado no edifício, remonta ao século XVII.
Capelas e cruzeiro
A freguesia possui várias capelas. As capelas de Santo António e de Santo Amaro, já mencionadas no século XVIII nas fontes paroquiais, figuram no património histórico recenseado pela autarquia. A Capela de Santo Amaro possui também ficha própria no Sistema de Informação para o Património Arquitectónico.
O inventário municipal do património religioso menciona ainda a Capela de São Brás, a Capela de São José e o Cruzeiro de Cabanelas, este último datado do século XIX.
Cultura e tradições
Festas de Nossa Senhora de Cima
A principal celebração da freguesia é a festa de Nossa Senhora de Cima, realizada anualmente entre 13 e 15 de agosto e organizada pela paróquia de Santa Maria de Borba da Montanha. A designação « Senhora de Cima » está associada à Assunção de Maria, celebrada a 15 de agosto.
Segundo testemunhos recolhidos pelo Celorico Digital, a festa terá sido organizada durante muito tempo de forma irregular por grupos de emigrantes, em agradecimento pelo sucesso profissional, antes de ser regularizada por uma comissão paroquial na década de 2010.
As festividades combinam elementos religiosos e profanos, incluindo procissão com vários andores, o chamado « Carro Triunfante », do qual crianças cantam o hino à Senhora de Cima, e a « Dança do Rei David », também chamada « dança do rei mouro », apresentada localmente como reminiscência da presença muçulmana na região do Baixo Minho. As celebrações incluem ainda arraial minhoto, desgarradas, grupos de bombos e fogo de artifício.
Património imaterial
A freguesia conserva várias tradições populares do Minho. No início de janeiro, pratica-se o « Cantar as Janeiras », no âmbito dos encontros organizados pelo Município de Celorico de Basto.