Pelotas é um município da região sul do estado do Rio Grande do Sul, no Brasil. Uma das capitais regionais do Brasil, sua população, conforme estimativas do IBGE de 2024, era de habitantes, fazendo-a a quarta cidade mais populosa do estado.

Pelotas é um relevante polo universitário por sediar a Universidade Federal de Pelotas e a Universidade Católica de Pelotas.

História

A história do município inicia-se em junho de 1758, pela doação que o General Gomes Freire de Andrade, o Conde de Bobadela, fez ao Coronel Thomáz Luiz Osório, das terras que ficavam às margens da Lagoa dos Patos. Em 1763, fugindo da invasão espanhola, muitos habitantes da Vila do Rio Grande buscaram refúgio nas terras pertencentes a Thomáz Luiz Osório. Mais tarde, vieram também os retirantes da Colônia do Sacramento, entregue pelos portugueses aos espanhóis, em 1777. Prefeitura de Pelotas, vista em 3 de maio de 2009.

Em 1780, instalou-se em Pelotas, o charqueador português José Pinto Martins. A prosperidade do estabelecimento estimulou a criação de outras charqueadas e o crescimento da região, dando origem à povoação que demarcaria o início do município de Pelotas. Com o sucesso desta indústria, os charqueadores, dispondo de duas estações amenas, construíam palacetes para suas habitações e promoviam a cultura e a educação, no ambiente urbano, exemplificado pela inauguração do Teatro Sete de Abril, em 1831, quatro anos antes de Pelotas ser elevada à condição de cidade. FONSECA, Maria Angela Peter da. Estratégias para a preservação do germanismo (Deutschtum) - gênese e trajetória de um collegio teutobrasileiro urbano em Pelotas (1898-1942), Pelotas, 2007, 158p.

A Freguesia de São Francisco de Paula, fundada em 7 de Julho de 1812, por iniciativa do padre Pedro Pereira de Mesquita, foi elevada à categoria de Vila em 7 de abril de 1832. Três anos depois, em 1835, a Vila é elevada à condição de cidade, com o nome de Pelotas.

Nos primeiros anos do século XX, o progresso foi impulsionado pelo Banco Pelotense, fundado em 1906 por investidores locais. Sua liquidação, em 1931, foi nefasta para a economia local. Diário Popular, 5 de fevereiro de 2006. Diário Popular, 6 de fevereiro de 2006.

O topônimo do município, "Pelotas", teve origem no nome das embarcações de varas de corticeira forradas de couro, usadas para a travessia dos rios na época das charqueadas.

A Lei Complementar Estadual número 9184, de 1990, criou a Aglomeração Urbana de Pelotas, que em 2001 passou a se denominar Aglomeração Urbana de Pelotas e Rio Grande, e em 2002, Aglomeração Urbana do Sul. Esta caracteriza-se por proporcionar uma forte integração entre os municípios que a constituem e é o embrião de uma futura região metropolitana. Integram-na os municípios de Arroio do Padre, Capão do Leão, Pelotas, Rio Grande e São José do Norte, que totalizam uma população aproximada de 600.000 habitantes. IPEF (Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais) - legislação, 26 de dezembro de 2002.

Geografia Divisões administrativas esquerda|miniaturadaimagem|Panorama dos principais edifícios modernos do centro da cidade de Pelotas Conforme o plano diretor vigente no município, a área urbana de Pelotas está dividida atualmente em 7 regiões administrativas urbanas Prefeitura de Pelotas e 9 rurais (distritos).

Regiões administrativas Areal (Zona Leste) Barragem (Zona Oeste) Centro (Zona Central) Fragata (Zona Oeste) Laranjal (Zona Leste) Porto / São Gonçalo (Zona Sul) Três Vendas (Zona Norte)

Distritos thumb|esquerda|Vista do distrito da Cascata 1° distrito- Sede ou Área Urbana 2° distrito- Colônia Z3 3° distrito- Cerrito Alegre 4° distrito- Triunfo 5° distrito- Cascata 6° distrito- Santa Silvana 7° distrito- Quilombo 8° distrito- Rincão da Cruz 9° distrito- Monte Bonito

Relevo thumb|direita|Centro de Pelotas - a zona urbana do município é predominantemente plana, com poucos e suaves aclives. Por estar situada numa planície costeira, a área urbana do município situa-se em baixa altitude, com, em média, 7 metros acima do nível do mar. O interior do município está sobre um planalto com elevações médias, denominado Serras de Sudeste, com cerros de ondulações moderadas e cobertos com pastagem, conhecidos como coxilhas. A altitude na área rural de Pelotas chega a cerca de 429 metros, próximo à fronteira com o município de Canguçu.

Clima O clima de Pelotas é subtropical úmido, denotado por Köppen como Cfa. Os verões são tépidos ou ocasionalmente quentes, com precipitações regulares. Neste período, as temperaturas máximas absolutas do ano situam-se entre 34 °C e 36 °C, aproximadamente, enquanto os invernos são relativamente frescos, porém frios para uma cidade litorânea brasileira, com o domínio da Corrente das Malvinas. Geadas são relativamente frequentes, mas geralmente de fraca intensidade (com uma média de 24 por ano, entre 1975 e 2000) e ocorrência de nevoeiros, com temperaturas mínimas absolutas do ano entre -2 °C e 0 °C. Portanto, há uma grande amplitude térmica anual para uma cidade brasileira, ainda mais considerando sua localização costeira.

Maiores acumulados de precipitação em 24 horasregistrados em Pelotas/Capão do Leão por meses (INMET) Mês Acumulado Data Mês Acumulado Data Janeiro 29/01/2009 Julho 14/07/1952 Fevereiro 15/02/1983 Agosto 11/08/1941 Março 17/03/1962 Setembro 27/09/1984 Abril 17/04/1998 Outubro 06/10/1942 Maio 07/05/2004 Novembro 05/11/2009 Junho 29/06/2000 Dezembro 22/12/1997 Período: 1931 a 1970, 1979 a 1984 e 1988-presente A temperatura média compensada anual da área urbana do município, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (no período entre 1981 e 2010), é de 18 °C, sendo janeiro o mês mais quente, com temperatura média de 23,5 °C, e julho o mês mais frio, com média de 12,2 °C. A amplitude térmica diária (diferença entre as temperaturas mínima e máxima de um dia) geralmente é moderada, entre 8 e 9 graus, sendo que dias com amplitudes térmicas elevadas (de até 20 graus ou mais) não são raros de ocorrer, principalmente no outono. A umidade relativa do ar é bastante elevada (com média anual de cerca de 80%). Há um dito popular de que Pelotas seria a segunda cidade mais úmida do mundo, perdendo somente para Londres. O índice pluviométrico anual é de 1.400 milímetros (mm), com chuvas regularmente distribuídas durante todo o ano, sem a ocorrência de estação seca, embora possam acontecer veranicos.

Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), referentes ao período de 1931 a 1970, 1979 a 1984, 1988 e a partir de 1991, o maior acumulado de precipitação em 24 horas atingiu em 15 de fevereiro de 1983. Outros grandes acumulados iguais ou superiores a 100 mm foram: em 7 de maio de 2004, em 24 de fevereiro de 1983, em 17 de março de 1962, em 17 de abril de 1998, em 29 de janeiro de 2009, em 8 de fevereiro de 1954, em 16 de abril de 1959, em 2 de janeiro de 2018, em 14 de fevereiro de 1997, em 5 de novembro de 2009, em 11 de agosto de 1941, em 29 de junho de 2000, em 22 de dezembro de 1997, 22 de janeiro de 1948, em 27 de setembro de 1984, em 7 de fevereiro de 1998 e em 11 de junho de 2003.

Em 12 de fevereiro de 2026, Pelotas registrou a ocorrência de um tornado na área urbana da cidade (mais precisamente no bairro Fragata). O fenômeno teve curta duração e foi filmado, mas com força suficiente para provocar estragos (como a destruição de uma oficina de automóveis, que também funciona como depósito de sucata e carros sem uso). O tornado provavelmente foi de categoria F0 ou F1 na escala Fujita, cuja intensidade varia de F0 a F5.

Raras precipitações de neve Um dado climático interessante foi a ocorrência de uma precipitação de neve, no dia 8 de julho de 1994, em Pelotas, das 11h00 às 13h30. Até esta data, não havia nenhum registro oficial de queda de neve no município. O fenômeno foi de fraca intensidade na área urbana do município, não chegando a cobrir de branco a paisagem. Entretanto, a queda de neve teve maior intensidade no interior do município, em distritos como Cascata e Quilombo, chegando a cobrir a vegetação com uma camada branca.NEVE EM PELOTAS, Diário da Manhã, 09 de julho de 1994, capa.

Em 4 de setembro de 2006, também foi registrada queda de neve no município de Pelotas. Houve precipitação de neve em flocos nos distritos mais elevados e na cidade vizinha de Canguçu e, na área urbana de Pelotas, na forma de neve granular, durante o período da tarde.

Em 5 de setembro de 2008, a cidade também registrou neve granular, misturada à chuva congelada. Folha de S.Paulo Online, 05 de setembro de 2008. Em 3 de agosto de 2010, novamente foram registrados períodos de neve granular na cidade, entre as 11h e as 18h.

Precipitações de graupel foram registradas na cidade nos dias 12 de julho de 2012 Metsul. e 25 de setembro de 2012.

No dia 5 de julho de 2019, Pelotas registrou neve em flocos misturada com chuva fraca líquida, em pontos esparsos no centro da cidade (próximo ao meio-dia, com cerca de 40 minutos de duração). O fenômeno repetiu-se em 28 de julho de 2021, durante a tarde, também com fraca intensidade.

Temperaturas extremas Em 19 de julho de 1934 e 27 de julho de 1935, o município registrou uma temperatura mínima de , a mais baixa registrada em Pelotas. Esta mínima foi registrada na área urbana, sendo que no interior do município, devido à maior altitude, a temperatura deve ter sido mais baixa. Outras temperaturas extremas foram em 1 de agosto de 1955, em 9 de junho de 2012 visto em 09 de junho de 2012. e em 30 de junho de 1996, -2,7 °C, em 19 de julho de 1975, -2,4 °C, em 31 de julho de 2009, -2 °C, em 30 de julho de 2007Diário Popular, 29 de julho de 2007, contracapa. e em 25 de julho de 2013 Weather Underground, 25 de julho de 2013. e -1,6 °C, em 12 de julho de 2007.Diário Popular, 13 de julho de 2007, contracapa.

A temperatura mais alta registrada pelo INMET em Pelotas ocorreu em 1 de janeiro de 1943, com 42 °C (no mesmo dia em que Porto Alegre e Rio Grande registraram seus recordes históricos de e , respectivamente). O aeroporto do município, não oficialmente, registrou em outros dias temperaturas na casa dos 40 °C, como em 27 de dezembro de 1999 e em 8 e 10 de janeiro de 2006.(em inglês) Histórico para Pelotas, Brasil, Weather Underground, 10 de janeiro de 2006.

Fauna Devido a sua localização e suas características de vegetação e relevo, o município apresenta tanto fauna aquática como fauna de campo e de área serrana. Pelotas possui desde gaivotas e marrecos, aves típicas da zona lagunar de litoral, até a perdiz e a ema, que são próprias das zonas da Campanha gaúcha.

A zona mais rica em fauna, no município, é a zona dos banhados, com inúmeras espécies de peixes, anfíbios como a rã, répteis como o jacaré do papo amarelo e tartarugas, e mamíferos como capivaras, preás, lebres, lontras, gambás, doninhas, graxains (sorro), ratões-do-banhado e zorrilhos.

A zona serrana possui uma fauna mais pobre, principalmente por se tratar de uma zona de transição, e também em consequência do desmatamento. Jaguares, jaguatiricas e suçuaranas já não existem mais nessa área. Destacam-se, na área serrana e na área dos campos, mamíferos como veado-virá, veado-campeiro, lebre, tatu, raposa, gambá, capivara, graxaim; aves como chimango, perdiz, caturrita, quero-quero, jacu, ema, seriema, pomba do mato (pombão), cardeal-de-topete-vermelho, periquito, tico-tico, joão-de-barro; répteis como lagarto, serpentes como urutu-cruzeiro, jararaca-cruzeira, cobra-verde; e peixes como traíra, jundiá, lambari, etc.

Vegetação thumb|direita|Vista desde o Hipódromo da Tablada ao entardecer - em primeiro plano, uma araucária. thumb|Margem do Canal São Gonçalo.