thumb|direita|Inscrições em copta e árabe numa igreja antiga do Cairo
O copta (; transl.: ) também designada por copto, é uma língua que floresceu por volta do no Egito Antigo, da família linguística camito-semítica ou afro-asiática. O copta é um estágio final da língua egípcia clássica, e foi falado até o . Como língua cotidiana teve seu apogeu entre o e o . O alfabeto é uma versão modificada do alfabeto grego, com algumas letras demóticas utilizadas para representar alguns sons não existentes no alfabeto grego. Ainda hoje permanece como língua litúrgica da Igreja Ortodoxa Copta e da Igreja Católica Copta.
A implementação do alfabeto grego no Egito começou com o domínio macedônico, fase intitulada "pré-cóptico" consolidando-se com a dinastia ptolomaica, passando a "velho cóptico". O copta desenvolve-se então como a principal língua literária a partir do , indo até o . Seu apogeu foi entre os séculos III e VI. Ainda hoje seu dialeto boárico permanece como língua litúrgica da Igreja Ortodoxa Copta de Alexandria e de sua contraparte católica oriental, a Igreja Católica Copta. Outros dialetos do copta já foram identificados além do boárico, de entre os quais se destaca o saídico.
A língua copta foi sendo gradualmente substituída pela língua árabe egípcia como língua falada nos períodos mais modernos até ser praticamente extinta. Porém, já existem desde o esforços para revitalização da língua, especialmente pelos esforços da Igreja. Começou a ser escrita no alfabeto grego numa versão com algumas letras demóticas utilizadas para representar alguns sons nativo não existentes no alfabeto grego. Essa versão modificada é chamada de alfabeto copta.
As fases posteriores à língua egípcia, a qual era escrita em hieróglifos egípcios, as sucessoras, a língua demótica e depois o copta sempre mantiveram gramática similar à raiz, porém as representações gráficas foram apresentando as grandes diferenças.
Nome A palavra copta tem as suas origens do antigo egípcio. Ḥut-ka-ptaḥ (Templo da Alma de Ptá) era um endónimo para Egito. No grego antigo, toma a forma Aigýptios (Αἰγύπτιος), e também é usado Kóptos/Κόπτος a partir de "kbt" (pronunciado G[è]bt{o} no egípcio antigo), nome de uma antiga cidade. E daí, o grego influencia as formas de falar nativas ao Egito, surgindo kuptaion/ⲕⲩⲡⲧⲁⲓⲟⲛ (em copta saídico) e aiguption/ⲁⲓⲅⲩⲡⲧⲓⲟⲛ (em copta boaírico). Com "ment", que significa "língua", esta ficou conhecida como ment kuptaion no copto/Grego ou ment aiguption, antigo egípcio.
Encontramos também o nome “mentrmenkēmə” em saídico ou “metremenkīmi” em boaírico, que significam literalmente "língua do povo do Egito". Também, o termo logos ən aiguptios (Língua Egípcia) existe em saídico, sendo ambas as palavras logos e aiguptios de origem grega. Na liturgia da Igreja Ortodoxa Copta, o nome oficial é tenaspi en remenkimi (Língua Egípcia), sendo aspi a palavra copta para "idioma".
Distribuição geográfica Sendo considerada uma língua extinta, o copta não tem estatuto oficial no Egito, porém, é a língua sacra litúrgica da Igreja Ortodoxa Copta e também da Igreja Católica Copta, junto com o árabe literário. Sempre foi falada exclusivamente no Egito com praticamente nenhuma influência em outras nações, exceto em poucos mosteiros na Núbia.
A maior influência da língua copta sobre outros idiomas foi sobre vários dialetos do árabe egípcio, cujos léxicos preservaram muitas palavras do copta e também houve influências sobre a sintaxe, morfologia e fonologia desses dialetos semíticos.
História
A Língua egípcia é possivelmente aquela cuja existência documentada é a mais longa, tendo existido como língua escrita desde cerca de até Idade Média, sendo falada ainda até o .
A história dessa língua apresentou duas importantes transições, sendo uma na estrutura da linguagem a outra em sua escrita. A mudança estrutural transformou o copta de língua com padrões "sintéticos" em língua "analítica" no sistema verbal, passando a ser usada a sintaxe nominal. Foi o que os estudiosos chamaram de transição do egípcio antigo (antigo e médio) para o egípcio tardio (demótico e copta).
No aspecto geral, esse Egípcio Tardio caracteriza-se pelo desenvolvimento de comportamentos analíticos com, por exemplo, o uso de artigos definidos e indefinidos separados dos substantivos em substituição aos antigos sufixos marcadores de oposição de tipologia morfológica, conforme existem nas ‘’Línguas Semíticas’’, assim como desenvolvimento de perífrases envolvendo a mudança da antiga ordem Verbo-Sujeito-Objeto, clássica da Língua árabe e do Hebraico Bíblico, para Sujeito-Verbo;
A outra mudança foi da escrita antiga egípcia, os Hieróglifos, tanto os hieráticos como os demóticos para o uso do alfabeto copta novo sistema de escrita adotado ao fim do período “Demótico”, caracterizado pelo uso do Alfabeto grego com modificações.
Alfabeto Para escrever, o egípcio utilizava três formas de escrita, a hieroglífica, a hierática e a demótica. Estes sistemas eram muito complexos e pouco eficazes para a linguagem administrativa, eram patrimônio de uma elite cada vez mais restrita e que, entre outras dificuldades, não podiam reproduzir termos estrangeiros, já que não transcreviam vogais. Quando Alexandre Magno conquistou Egito, em , introduziu o grego na administração. Meio milênio mais tarde, o incipiente cristianismo, interessado em espalhar a sua doutrina, adaptou o grego, que já estava um pouco fossilizado no formalismo da burocracia oficial, para transcrever a língua falada pelas pessoas em sua vida cotidiana, nascendo, assim, a língua copta.
Na sua evolução, o copta tomou grande número de empréstimos do grego, língua oficial imposta pela Dinastia ptolemaica. Já no era a língua utilizada na literatura no Alto Egito.
Para os árabes, que conquistaram o Egito no , as palavras "wikt:egípcio" e "wikt:cristão" eram sinônimas, daí surgiu o termo Qibti que, por sua vez, é a corruptela da palavra grega Aigyptioi, que significa Egito. Quando foi finalmente suplantada, no , pelo árabe, o copta foi preservado como língua litúrgica, na Igreja Monofisista Copta, que havia se separado do rito bizantino no .
Os escritos mais antigos em copta são as cartas de Santo Antão do Deserto (251 – 356), o anacoreta (monge cristão ou eremita que vive em retiro). Durante os séculos III e IV, muitos religiosos escreveram em copta, entre os quais estava Pacômio. Os manuscritos gnósticos encontrados em Nag Hammadi também estão escritos em copta.
O copta foi fundamental para o deciframento da escritura hieroglífica, já que Jean François Champollion utilizou um texto gravado na pedra de Rosetta que estava em hieroglifos, demótico e copta.
Pré-islamismo As primeiras escritas da Língua egípcia utilizando-se o Alfabeto grego foram as transcrições para a Língua grega de nomes próprios egípcios, a quase totalidade delas no período Ptolemaico. Os estudiosos definem essa fase como fase pré-cóptica. No entanto, há evidências de que, nos períodos mais tardios da era dos faraós, os escribas já vinham utilizando uma escrita mais fonética, com maior uso de alfabetos, um atestado de um maior contato entre os gregos e os egípcios ocorrido mesmo antes da conquista do Egito por Alexandre Magno.
O idioma copta em si, ou copta antigo veio a se iniciar, porém, apenas no . A forma da transição da escrita egípcia antiga e a nova ortografia greco-copta foi função em parte do declínio do prestígio e da influência da classe sacerdotal da antiga religião egípcia. Esses sacerdotes, ao contrário do povo egípcio em geral, sabiam ler e escrever, em especial sobre assuntos referentes aos templos e deuses.
O copta antigo apresentava-se principalmente em textos não cristãos tais como nas preces pagãs, nos Papiros de Magia e Astrologia. Muitos desses textos foram usados como "maquiagens" de escritas originais hieráticas ou demóticas e eram usados para não falantes do idioma egípcio.
Em períodos já adiantados do domínio romano no Egito, Diocleciano perseguiu muitos egípcios que haviam adotado recentemente o Cristianismo, o que forçou esses novos convertidos a fugir para os desertos. O crescimento dessas comunidades refugiadas criou necessidades de escrever instruções cristãs de origem grega na Língua egípcia. Os primeiros padres da Igreja Ortodoxa Copta egípcia de Alexandria, tais como Antônio, o Grande, Pacômio, Macário e Atanásio, que de outra forma deveriam escrever somente em grego, passaram a fazer trabalhos para os monges egípcios na língua desses.
A Língua egípcia escrita agora no alfabeto copta floresceu entre os séculos II e III, porém somente após as obras de Senuda, o Arquimandrita o copta passou a ser a língua padrão literária com base no dialeto saídico. A língua nativa de Senuda era o egípcio, mas com os conhecimentos adquiridos do grego e com sua retórica, este teve os meios de levar a língua copta, por seu conteúdo e estilo, a um nível igual ao da antiga língua egípcia cristã.
Islamismo O Egito passou para o domínio árabe depois da disseminação do Islão pela conquista muçulmana no norte da África no . No início do o Califa Abdel al-Malik bin Marwan decretou que a Língua árabe deveria substituir a língua grego koiné e o copta como único idioma administrativo.
O copta teve declínio gradual nos poucos séculos seguintes. O Bispo egípcio Severo Ibn al-Muqaffa considerou necessário escrever sua História dos Patriarcas na Língua árabe. Mesmo assim, a língua ainda manteve uma importante posição eclesiástica e muitos textos hieroglíficos foram ainda compostas nesses período. A língua copta manteve-se como língua da população nativa fora da capital até o .
Violentas perseguições pelos Mamelucos provocaram o declínio do copta daí em diante, até que o árabe egípcio o substituiu por completo por volta do , com alguma sobrevida em pequenos e isolados bolsões até metade do . O Papa Cirilo IV de Alexandria iniciou um movimento nacional patrocinado pela igreja para reviver a língua copta. Várias gramáticas foram publicadas bem como um dicionário. Os achados de pesquisadores no campo da Egiptologia e a inauguração do Superior Instituto de Estudos Coptas foram contribuindo com esse renascimento. Os esforços para reviver a linguagem continuam ainda hoje, tanto pelo Partido Liberal Egípcio como pela Igreja, com apoio tanto dos coptas como dos muçulmanos do país.
O cerne do Léxico do copta é a Língua egípcia, em especial seu período demótico. Além disso, cerca de um terço das palavras do copta literário vem da Língua grega, embora as palavras dessa origem não tenham sido totalmente adaptadas ao sistema fonológico original do copta e tenham muitas vezes tido seu significado modificado. Há longos trechos em alguns textos coptas que são quase que exclusivamente escritos com palavras de claras raízes gregas. Isso se deve claramente ao fato de a maioria dos textos religiosos coptas serem traduções diretas de textos compostos em grego.
Palavras ou conceitos para os quais não havia tradução adequada em egípcio foram tomados diretamente da Língua grega de modo a não alterar a mensagem religiosa. Por outro lado, outras palavras de origem egípcia que já teriam sido traduzidas para termos gregos equivalentes foram deixando de ser usadas quando se percebia que poderiam transmitir ideias relacionadas aos deuses pagãos do Egito antigo. Em copta antigo há muitos textos com tais palavras, frases e epítetos tais como a palavra Aquele que está na montanha, um epíteto do deus Anúbis. Há traços de algumas características morfo-sintáticas arcaicas, como resíduos do demótico como sentenças relativas, ausência de artigo indefinido e uso de sufixos possessivos.