Cacilhas é uma localidade portuguesa do Município de Almada que foi sede da extinta Freguesia de Cacilhas, freguesia que tinha 1,09 km² de área e 6 017 habitantes (2011), e, portanto, uma densidade populacional de 5 520,2 hab/km².

A Freguesia de Cacilhas foi extinta em 2013, no âmbito de uma reforma administrativa nacional, tendo sido agregada às freguesias de Almada, Pragal e Cova da Piedade, para formar uma nova freguesia denominada União das Freguesias de Almada, Cova da Piedade, Pragal e Cacilhas com sede em Almada.Diário da República, 1.ª Série, n.º 19, Lei n.º 11-A/2013 de 28 de janeiro (Reorganização administrativa do território das freguesias). Acedido a 2 de fevereiro de 2013.

Junto ao rio Tejo, Cacilhas tem uma importante interface de transportes públicos que liga os barcos da Transtejo Soflusa, os autocarros da Carris Metropolitana e o sistema de metro ligeiro do Metropolitano Sul do Tejo.

No dia 1 de novembro de cada ano, a localidade celebra as festas da sua padroeira, Nossa Senhora do Bom Sucesso, com a realização de uma grandiosa procissão religiosa.

População A população que existe hoje em dia em Cacilhas é de 9.000 habitantes em 2017. Nº de habitantes Instituto Nacional de Estatística (Recenseamentos Gerais da População) - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes 1991 2001 2011 8 637 6 970 6 017 Criada pela Lei n.º 86/85, de 4 de Outubro, com lugares desanexados da freguesia de Almada

Distribuição da População por Grupos Etários Ano 0-14 Anos 15-24 Anos 25-64 Anos > 65 Anos 0-14 Anos 15-24 Anos 25-64 Anos > 65 Anos 2001 635 693 3 841 1 801 9,1% 9,9% 55,1% 25,8%2011 576 521 2 951 1 969 9,6% 8,7% 49,0% 32,7% Média do País no censo de 2001: 0/14 Anos-16,0%; 15/24 Anos-14,3%; 25/64 Anos-53,4%; 65 e mais Anos-16,4%

Média do País no censo de 2011: 0/14 Anos-14,9%; 15/24 Anos-10,9%; 25/64 Anos-55,2%; 65 e mais Anos-19,0%

Arruamentos A Freguesia de Cacilhas continha 42 arruamentos. São eles:

Avenida 25 de Abril Avenida Aliança Povo-MFAPartilhada com a antiga freguesia da Cova da Piedade. Largo Alfredo "Alex" Diniz Pátio da Margueira Praça Gil VicentePartilhada com a antiga freguesia de Almada. Praceta Barradas de Carvalho Praceta do Jornal de Almada Praceta Elias Garcia Praceta Florbela Espanca Praceta Infanta Dona Beatriz Praceta Jorge Paiva Praceta Maria Machado Praceta Sebastião da Gama Rua Antero de Quental Rua António Nobre Rua Barradas de Carvalho Rua Cândido dos Reis (ex Rua Direita) Rua Carvalho Ferreirinha (ex Rua das Terras) Rua Columbano Bordalo Pinheiro Rua Comandante António Feio Rua Comandante Eduardo Alves Rua do Bom Sucesso Rua do Ginjal Rua Dom Luís de Noronha Rua Dom Sancho IPartilhada com a antiga freguesia de Almada. Rua Dona Maria da SilvaPartilhada com a antiga freguesia de Almada. Rua Elias Garcia (ex Calçada da Pedreira)Partilhada com a antiga freguesia de Almada. Rua Emília Pomar Rua Eugénio de Castro Rua Frei Bernardo de Brito Rua Gonçalves Crespo Rua Infanta Dona Beatriz Rua Irene Lisboa Rua João Luís Cruz Rua Júlia Diniz Rua Liberato Teles Rua Maria Machado Rua Mário de Sá Carneiro Rua Romeu Correia Rua Trindade Coelho Travessa do CasteloPartilhada com a antiga freguesia de Almada. Travessa Dom Sancho I

História Salgas Romanas

No século I, as Salgas Romanas surgiram para produzir conservas de peixe, especialmente o molho garum, amplamente consumido no Império Romano. O complexo fabril era comporto por pelo menos quinze cetárias, espécie de tanques retangulares, organizadas em torno do pátio central que servia como área de trabalho e acesso aos reservatórios. As cetárias eram utilizadas para a salga e fabrico de molhos e preparados de peixe. As Salgas Romanas de Cacilhas podem ter sido uma extensão da Quinta do Almaraz, tendo em conta a ligação estreita encontrada no estudo do espólio.

Disputa entre o Califado Almóada e o Reino de Portugal

Em 1147, a queda do Império Almorávida facilitou a conquista de Lisboa pelo Reino de Portugal com a ajuda dos cruzados. O Califado Almóada, que derrotou os Almorávidas e lhes sucedeu em Marraquexe, passou a disputar o estuário do Tejo com o Reino de Portugal. Os cristãos atacaram Almada após a tomada de Lisboa, mas os almóadas contra-atacaram e mantiveram-na sob o seu domínio. Até ao final do século XII, o controlo de Cacilhas alternou várias vezes, devido a ofensivas e contra-ofensivas. D. Sancho I retomou o controlo de Almada em 1195, mas a integração definitiva de Cacilhas e da margem sul no Reino de Portugal ocorreu com a conquista de Alcácer do Sal em 1217, durante o reinado de D. Afonso II.

Combate Naval de Cacilhas

Durante o Cerco de Lisboa pelo Reino de Castela em 1384, ao largo de Cacilhas, travou-se um intenso combate entre uma frota portuguesa e uma frota castelhana. Apesar de perderem três navios, os portugueses conseguiram romper o cerco e fornecer suprimentos essenciais a Lisboa, prolongando a resistência até a vitória final em Aljubarrota.

Terramoto de 1755

O terramoto de 1 de novembro de 1755, que devastou Lisboa e outras regiões do estuário do Tejo, teve um impacto relativamente limitado em Cacilhas. A povoação ribeirinha sofreu alguns danos em pequenas construções e no cais, mas a estrutura urbana e a vida quotidiana resistiram melhor do que em Lisboa. O evento desencadeou um reforço da devoção a Nossa Senhora do Bom Sucesso, invocando proteção para enfrentar calamidades naturais. A devoção consolidou-se nas festas e celebrações religiosas, tornando-se um marco da identidade cultural e espiritual de Cacilhas.

Movimento Constitucional

Em 1833, ocorreu a Batalha da Cova da Piedade entre as tropas liberais do Duque da Terceira pelo movimento constitucional e as tropas miguelistas de Joaquim Teles Jordão pelo absolutismo. Durante a retirada dos miguelistas em direção a Lisboa, alguns confrontos ocorreram em Cacilhas onde Teles Jordão acabou por ser capturado e morto. A derrota dos absolutistas foi decisiva para que as tropas liberais entrassem em Lisboa no dia seguinte e para que, no ano seguinte, fosse estabelecida a constituição no Reino de Portugal.

A primeira linha regular de transporte fluvial entre Cacilhas e Lisboa foi criada em 1836, com a introdução de barcos a vapor conhecidos como "cacilheiros". D. Fernando II, consorte de D. Maria II, apoiou o regime liberal e popularizou a "burricada", que consistia em passeios de burro pelas ruas de Cacilhas.

Filho de José Francisco Garcia, um revolucionário constitucionalista, nasceu em Cacilhas Elias Garcia destacando-se publicamente como um dos primeiros republicanos em Portugal. Fundou o jornal "O Trabalho" em 1854, que foi a primeira publicação de teor republicano em Portugal. Foi eleito deputado várias vezes e tornou-se uma figura importante nas Cortes, defendendo as liberdades civis, os direitos do povo e a Constituição. Foi vereador de Lisboa e presidente da Câmara Municipal de Lisboa em 1878, sendo uma das primeiras figuras republicanas a ocupar uma posição importante no governo. Elias Garcia deixou um legado significativo no movimento republicano que levou à Implantação da República, embora não tenha sido um dos líderes diretos da revolução.

Pacto de Cacilhas

Durante o Estado Novo, Cacilhas foi o cenário do acordo político conhecido como Pacto de Cacilhas em 1958. Cacilhas tinha uma significativa movimentação política e social associada à oposição ao regime, mais seguro e longe da vigilância intensa das autoridades governamentais, facilitando o encontro entre figuras da oposição que vinham de diferentes partes do país. Humberto Delgado e Arlindo Vicente uniram forças republicanas e comunistas para organizar uma oposição ao Estado Novo nas eleições presidenciais. Arlindo Vicente, que era o candidato comunista, retirou a sua candidatura em favor de Humberto Delgado. Embora Humberto Delgado tenha perdido a eleição, conseguiu um resultado considerável que demonstrou e estabeleceu a crescente oposição ao regime.

Após o 25 de Abril, a frota de cacilheiros passou a ser administrada por empresas como a Transtejo e Soflusa, que introduziram embarcações modernas e ampliaram a oferta de viagens.

Freguesia de Cacilhas

A Freguesia de Cacilhas foi criada em 1985. Em 2008, a Metro Sul do Tejo (MST) inaugurou o troço entre Cacilhas e a Ramalha. A estação de Cacilhas tornou-se o terminal das linhas 1 e 3 do MST, facilitando a ligação ao transporte fluvial da Transtejo. Cacilhas passou a ter 3 estações: Cacilhas, 25 de Abril e Gil Vicente. Em 2013, no âmbito de uma reforma administrativa nacional, a Freguesia de Cacilhas foi extinta e agregada à União das Freguesias de Almada, Cova da Piedade, Pragal e Cacilhas.

Património Igreja de Nossa Senhora do Bom Sucesso Fábrica romana de salga de Cacilhas Estação arqueológica da Quinta do Almaraz ou Quinta do Almaraz Farol de Cacilhas

Personalidades ilustres Conde de Cacilhas

Festas No dia 1 de Novembro realiza-se a Festa de Nossa Senhora do Bom Sucesso, evento que decorre desde o período pós-terramoto de 1755.

Ligações externas