Brumado (pronuncia-se é um município brasileiro no interior do estado da Bahia, região Nordeste do País, no Centro-Sul do estado, correspondente a 540 quilômetros da capital estadual, Salvador. Sua área territorial é de 2 207,612 quilômetros quadrados, com área urbana equivalente a 2, 174 quilômetros quadrados, a uma altitude de 454 metros. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é 0,656 (médio). Sua população, de acordo com a estimativa de 2024, realizada pelo IBGE, somou habitantes, o que a torna a 29ª maior cidade da Bahia em número de habitantes.

Um levantamento feito pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) constatou que Brumado é considerado o terceiro município mais desenvolvido da Bahia, baseado no Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM 2023), publicado em maio de 2025. Uma consulta feita com exclusividade pela consultoria Urban Systems, em janeiro de 2016, para a Revista Exame, concluiu que a cidade está entre as 100 melhores do Brasil para se investir, ocupando o 84° lugar no ranking, somando 2 306 pontos. Um estudo realizado pelo IBGE, em 2012, concluiu que dos 64 602 habitantes, naquele ano, 50 899 eram alfabetizados. A renda per capta era R$ 275,17 e em distribuição entre a zona rural e a zona urbana era de R$ 217,00 na zona rural e R$ 333,33 na zona urbana. A frota de veículos motorizados como transporte de passeios, motocicletas, além de tratores, caminhões e ônibus somaram 31 000.

A cidade é conhecida como a "Capital do Minério" por possuir em seu subsolo variados tipos de minerais, que é a base de sua economia, e acolher empresas de mineração que realizam suas atividades extrativistas na serra das Éguas, onde se localiza a terceira mina de magnesita do mundo (entre as minas a céu aberto) e a segunda maior mina de talco do Brasil; é também um dos pontos turísticos do município, por formar paisagens montanhosas.

Tem como municípios limítrofes Livramento de Nossa Senhora, Dom Basílio, Aracatu, Rio de Contas, Malhada de Pedras, Tanhaçu, Ituaçu, Rio do Antônio, Lagoa Real e Caraíbas. Por fazer divisa com a cidade de Rio de Contas, por meio do rio que tem esse mesmo nome, consequentemente faz também divisa com a Chapada Diamantina. A cidade beneficia-se de um considerável entroncamento rodoviário como BA-262, BA-148 e BR-030, contando também com a estrada de ferro VLI Multimodal S.A. (VLI). Futuramente, o município poderá contar também com a estrada de ferro Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), ainda em construção. O município faz parte do Polígono das Secas.

História

Origens e povoamento Etimologia A origem do nome brumado ou o seu étimo é atribuída à palavra "bromo"; palavra essa que, à época do garimpo no rio Brumado, era empregada pelos mineiros e bandeirantes para distinguir perda ou engano, mistificação ou desaparecimento do ouro na lavra ou córrego que se supunha rico desse minério. Segundo Teodoro Fernandes Sampaio, o nome tem origem numa expressão tupi: Itimbopira (Y – timbó – pyra), que significa enevoado, coberto de bruma. O topônimo "Brumado", de acordo com José Dias Ribeiro da Silva, um antigo padre da região, origina-se da serra Geral e da Chapada Diamantina, que ao norte, ao amanhecer, desce das serras brumas cobrindo a cidade.

De acordo com a ortografia antiga, denominava-se "bromado" qualquer lugar onde a formação do ouro era aparentemente boa, enganando os mineiros que, decepcionados, deixavam o local à procura de outro mais promissor. Segundo o dicionarista Rafael Bluteau, o termo "bromado" tem sua origem no castelhano: "broma". "Bromar" e "embromar" eram verbos do dialeto regional. Segundo o escritor mineiro Nélson de Serra, 'bromado é o que virou ogó (mineral formado por grânulos de zirconita misturados com monazita, de uma coloração amarela, semelhante à do ouro, ou pouco ouro no meio de material mineiro sem valor), por ter sumido da mina, do córrego ou do rio'. Outra possível inspiração para o topônimo é que, à época da mineração no então rio Bromado, usava-se o bromo, metal de cor vermelho-escuro que tingia dessa cor a água do rio. Ao notar que a água mudava de cor, geralmente em época de estiagem, os habitantes ribeirinhos diziam: "O rio bromou!" Essa expressão também teria dado origem ao nome do rio Brumado. Ou simplesmente, o nome Brumado seria apenas uma alusão ao rio Brumado, que descendo da cidade de Rio de Contas forma uma cachoeira no território de Livramento de Nossa Senhora, depois passando em território brumadense.

Povoamento No século XVIII, o capitão Francisco de Souza Meira já se encontrava nas terras de Bom Jesus, área onde hoje é a sede do município de Brumado. esquerda|thumb|O Sobrado do Brejo (pintura de Alessandro Silva) era um casarão do século XIX. Localizava-se na serra das Éguas em Brumado. Foi residência dos senhores coronéis (os senhores do Sobrado do Brejo). Hoje, pertence à empresa RHI Magnesitathumb|esquerda|220px|Exupério Pinheiro Canguçu, primeiro intendente de Brumado Primo do capitão Antônio Pinheiro Pinto e descendente de espanhóis, Souza Meira partiu de Minas Gerais, do arraial de Santo Antônio da Manga, atual cidade de São Romão. A localidade onde viveu Souza Meira compreendia metade da fazenda Campo Seco mais as porções de terras onde atualmente é o Centro de Brumado. Outra parte da fazenda Campo Seco pertencia a Antunes Moreira que por sua vez deixou-a para seu filho, o padre André Antunes da Maia que, por fim, vendeu-a em 30 de junho de 1749 a José de Souza Meira, por 1$462 700 (1 milhão, 462 mil e 700 réis), com 232 cabeças de gado vacum, 105 cabeças de gado equino e um escravo chamado Manuel. Em 1755, parte da fazenda Campo Seco foi comprada pelo português Miguel Lourenço de Almeida (familiar do Santo Ofício), do clã da família Canguçu no município. Essa parte não incluía as porções de terra às quais estabeleceu Francisco de Souza Meira. A fazenda Campo Seco ficava a cerca de dez quilômetros da área que é hoje a cidade de Brumado. Situava-se ao lado oeste, na parte baixa da serra das Éguas. O nome serra das Éguas passou a ser utilizado depois que Lourenço de Almeida a comprou e começou a criar gado equino na localidade. No inventariado do capitão Estêvão Pinheiro de Azevedo, elaborado em 1759, consta o nome de uma fazenda denominada "Serra do Campo Seco" que ficava entre as fazendas Campo Seco e Bom Jesus, a qual pertencia ao autor do inventariado.

Emancipação No princípio, a área do atual município de Brumado estava subordinada à vila Nova de Nossa Senhora do Livramento de Minas do Rio de Contas. Em 1810, quando Caetité se emancipou politicamente de Rio de Contas, essa mesma área integrava à então vila Nova do Príncipe e Santana do Caetité. Em 19 de junho de 1869, foi criado formalmente o distrito de Bom Jesus dos Meiras, pelo decreto-lei provincial n° 1 091, subordinando-o a Caetité. A emancipação política se deu em 11 de junho de 1877, com a criação da lei provincial n° 1 756, sendo elevado à vila denominada vila de Bom Jesus dos Meiras. Em 1919, em harmonia com a lei municipal nº 9, de 19 de agosto do mesmo ano, foi estabelecido o distrito de Gameleira dos Machados (mais tarde denominado São Pedro, depois Aracatu), que foi anexado a Bom Jesus dos Meiras. Em 1815, Antônio Pinheiro Pinto (da família Canguçu), o segundo senhor do Sobrado do Brejo (morto em 1822), contribuiu financeiramente e com mão de obra (cedendo escravos) para construção da Capela do Bom Jesus, atendendo aos pedidos dos habitantes; hoje, a antiga capela é a igreja Matriz de Brumado, que naquela época fora chamada de Igreja Senhor do Bonfim, em homenagem ao padroeiro da cidade, Bom Jesus, e teve como primeiro vigário o padre José Mariano Meira Rocha. Criou-se a primeira Câmara de Bom Jesus dos Meiras, em 13 de fevereiro de 1878, composta das seguintes pessoas relacionadas abaixo e seus respectivos cargos: presidente: coronel Exupério Pinheiro Canguçu (consequentemente, tornando-se o primeiro intendente); secretário: Belarmino Jacundes Lobo; procurador: Rufiniano de Moura Amorim; fiscal: Plácido Guedes d’Oliveira e porteiro: Francisco Alves Piranha.

Entre 1930 e 1933, foi nomeado como intendente o padre José Dias Ribeiro da Silva. Na sua gestão, durante a Era Vargas, Bom Jesus dos Meiras finalmente teve seu nome mudado para Brumado, em cumprimento do decreto estadual n° 7 455, de 23 de junho de 1931, e pelo decreto estadual nº 7 479, de 8 de agosto do mesmo ano. A iniciativa para a mudança do nome não passou por consulta popular, foi uma decisão do vice-presidente provincial do estado, Antônio Ladislau de Figueiredo Rocha.

Em 1935, foi criada a comarca de Brumado, que abrangia também o município de Ituaçu, então chamado vila do Brejo Grande. Em 1936, em cumprimento da lei estadual nº 119, de 5 de novembro daquele ano, o distrito de Cristais foi adicionado ao município, e em 1937, de acordo com a divisão territorial de 31 de dezembro do mesmo ano, mais três distritos foram anexados ao território: Olhos d'Água, Santa Bárbara dos Casados e São Pedro (atual município de Aracatu). Em 1938, em cumprimento do decreto federal nº 11 089, de 30 de novembro do referido ano, os distritos de Santa Bárbara dos Casados, Olhos d'Água e São Pedro tiveram seus topônimos mudados para Ubiraçaba, Itaquaraí e Aracatu, respectivamente. Em cumprimento aos decretos estaduais nº 7 455, de 23 de junho de 1931, e nº 7 479, de 8 de agosto do mesmo ano, o município de Bom Jesus dos Meiras passou a denominar-se "Brumado". O intendente naquela época era Marcolino Rizério de Moura. Em 1943, foi levantado o decreto-lei estadual nº 141, de 31 de dezembro, com o objetivo de mudar o nome do distrito de Cristais para Cristalândia e, finalmente, isso se concretizou em 1944 com a criação do decreto estadual nº 12 978, de 1 de junho. Sendo assim, Brumado passou a compor-se de cinco distritos. Em 16 de junho de 1945, Duarte Barreto de Aragão Moniz tornou-se o primeiro juiz do município. Em 1948, Armindo dos Santos Azevedo tomou posse como o primeiro prefeito eleito por voto direto. O comerciante e pecuarista foi eleito em três mandatos: 1948 – 1950, 1955 – 1958 e 1963 – 1966. Em suas gestões, o município atingiu notáveis avanços, como abastecimento de água, energia elétrica e pavimentação de muitas ruas e praças do centro da cidade. A energia elétrica, entre as décadas de 1940 a 1970, funcionava apenas até às 22 horas, foi a partir de então, que começou a funcionar de forma integral. De 1967 a 1970, foi eleito prefeito o médico Juracy Pires Gomes, com apoio do parceiro Armindo dos Santos Azevedo. Em seu mandato, foram realizadas obras importantes, como a nova sede da prefeitura, o novo mercado municipal, a primeira biblioteca pública da cidade; a principal delas foi uma barragem no rio do Antônio que viria abastecer a cidade até o ano de 2010.

Expansão econômica