1910 A 5 de Outubro é implantada a República. 1913 A 10 de Novembro, em Seia, nasce Álvaro Cunhal, filho de Mercedes Barreirinhas Cunhal e Avelino Henriques da Costa Cunhal.

1914 A 28 de Julho começa a Primeira Guerra Mundial, com a declaração de guerra da Áustria à Sérvia. 1917 Revolução Russa. A 7 de Novembro os bolcheviques tomam o poder.

1918 A 11 de Novembro é assinado o armistício que põe fim à Primeira Guerra Mundial. 1919 Fundação da III Internacional (Comunista).

1920 Formado o Partido Comunista de Espanha. 1921 A 6 de Março é fundado o Partido Comunista Português (PCP). Em Outubro inicia-se a publicação de "O Comunista" e de "O Jovem Comunista", da Juventude Comunista.

1922 O PCP adere à III Internacional (Comunista), que organiza nesse ano o seu IV Congresso. Ainda em Outubro foi instaurado o fascismo em Itália por Mussolini, ao qual o partido se opôs. A 30 de Dezembro é proclamada a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). 1923 I Congresso do PCP. Ditadura de Primo de Rivera, em Espanha.

1924 Lenine morre. Estaline inicia a ascensão ao poder na URSS. 1926 A 28 de Maio, a revolução de Gomes da Costa põe fim à I República. A revolução militar interrompe os trabalhos do II Congresso do PCP.

1927 Revolta militar fracassada de Mendes Cabeçadas, no Porto. O Governo encerra a sede da Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT), de inspiração anarquista. O PCP passa à clandestinidade. O operário do Arsenal, Bento Gonçalves, dirigente do PCP, vai à URSS. 1928 O general Carmona assume a presidência da República. António de Oliveira Salazar ocupa a pasta das Finanças.

1929 Na clandestinidade, o PCP faz uma convenção e elege Bento Gonçalves secretário-geral. Criadas as organizações clandestinas de influência comunista: Organização Revolucionária da Armada, Socorro Vermelho, Federação das Juventudes Comunistas, Liga dos Amigos da URSS, Liga Contra a Guerra e o Fascismo e Grupos de Defesa Unitária. Oliveira Salazar acumula o Ministério das Finanças com os do Interior e das Colónias. Crash na Bolsa de Nova Iorque. 1930 Álvaro Cunhal ingressa na Faculdade de Direito de Lisboa. Criada a Polícia de Vigilância e Defesa do Estado (PVDE). Adoptada a expressão "Estado Novo". Fundado o partido União Nacional.

1931 Com 18 anos, Álvaro Cunhal adere ao PCP, através da Federação das Juventudes Comunistas. Sai o primeiro número do Avante!. Criação da Comissão Intersindical (CIS) de inspiração comunista que procura aglutinar os sindicatos até aí inspirados pelos anarco-sindicalistas da CGT. Surge a Organização Revolucionária do Exército (comunista). 1932 Cunhal participa na direcção da Associação Académica de Lisboa. Oliveira Salazar ocupa o cargo de presidente do Conselho de Ministros. Criado o Secretariado de Propaganda Nacional.

1933 Aprovada a nova Constituição, a Carta Colonial e o Estatuto do Trabalho Nacional, que proíbe a greve e cria os sindicatos corporativos. O Partido Socialista autodissolve-se em Congresso. Sai o primeiro número de O Militante. Na Alemanha, Hitler é nomeado chanceler a 30 de Janeiro. Início do III Reich. 1934 Cunhal é eleito para o Senado Universitário e participa na reorganização da Federação das Juventudes Comunistas. Greve nacional, a 18 de Janeiro, contra o Estatuto do Trabalho Nacional com grande repercussão na Marinha Grande. Eleições para a Assembleia Nacional ganhas pela União Nacional. Criada a Federação Nacional da Alegria no Trabalho. Aprovada lei que obriga à declaração de anticomunismo para ter acesso à função pública.

1935 Cunhal eleito para o Secretariado da Federação das Juventudes Comunistas. O PCP apresenta, pela primeira vez, um relatório ao VII Congresso da Internacional Comunista. Bento Gonçalves, secretário-geral do PCP, é preso a 11 de Novembro, e também José de Sousa e Júlio Fogaça do Secretariado. Proibição de "associações secretas", caso da Maçonaria. 1936 Em Abril, Álvaro Cunhal é eleito para o Comité Central do PCP, assim como Manuel Rodrigues da Silva e Pires Jorge. Cunhal abandona a Faculdade. Desempenha actividade clandestina, sob o pseudónimo de "Daniel". Vai a Moscovo participar no VI Congresso da Internacional Juvenil Comunista. Em Madrid quando do início da Guerra Civil com a revolta dos nacionalistas de Francisco Franco, Cunhal participa na organização da União Antifascista dos Portugueses Resistentes, uma experiência que transportará para o romance "A Casa de Eulália". Revolta dos Marinheiros organizada pela Organização Revolucionária da Armada (ORA). Criado o campo do Tarrafal em Cabo Verde. Bento Gonçalves faz parte do grupo de presos políticos que para aí são enviados, assim como os revoltosos da ORA.

1937 Cunhal é preso pela primeira vez, a 20 de Julho, acusado de distribuir propaganda. Detido no Aljube é transferido, dois meses depois, para Peniche. Atentado à bomba, em Lisboa, contra Salazar feito pelos anarquistas. 1938 Cunhal é colocado a cumprir serviço militar na Companhia Disciplinar de Penamacor. Alemanha anexa a Áustria. O Governo português reconhece oficialmente o Governo de Franco. Eleições para a Assembleia Nacional, concorre a lista única da União Nacional. Acordo de Munique. Alemanha invade a Checoslováquia.

1939 Cunhal é dispensado de Penamacor por uma Junta Médica, após fazer greve de fome. Integra, pela primeira vez, o Secretariado, com Ludgero Pinto Basto e Francisco Miguel. O Secretariado e o Comité Central decidem, então, elegê-lo secretário-geral, pois Bento Gonçalves estava no Tarrafal. Cunhal recusa o cargo. O PCP é afastado da Internacional Comunista. Portugal e Espanha assinam o Pacto Ibérico. Fim da Guerra Civil espanhola. Pacto germano-soviético. Alemanha invade a Polónia, a 1 de Setembro, dando início à Segunda Guerra Mundial. 1940 Cunhal é de novo preso com pena de três meses por divulgação de "ideias duvidosas" na imprensa. Desta época datam os seus textos de crítica do neo-realismo no jornal Diabo. Durante a prisão vai à Faculdade de Direito defender a sua tese sobre a "Realidade Social do Aborto", perante um júri presidido por Marcello Caetano. Quando libertado trabalha no Colégio Moderno de João Soares e conhece Mário Soares.

1941 "Amnistia dos centenários". Início da reorganização do PCP liderada por Cunhal e por um grupo de dirigentes comunistas. A Alemanha invade a URSS, o Japão ataca Pearl Harbour e os EUA entram na guerra. 1942 Bento Gonçalves morre a 11 de Setembro, no Tarrafal, para onde são enviados Júlio Fogaça, Pires Jorge, Pedro Soares e Militão Ribeiro. Cunhal adopta o pseudónimo de "Duarte" e volta ao Secretariado do PCP, fica responsável pela organização no Norte.

1943 III Congresso do PCP, o primeiro clandestino e o da reorganização do partido na linha leninista. Começa a sua implantação do PCP no país real. Em Dezembro é criado o MUNAF, determinado pelo PCP, que tem no seu Conselho Nacional dois representantes, Álvaro Cunhal e Piteira Santos. Fim da Internacional Comunista. 1944 Secretariado Nacional da Informação (SNI) substitui Secretariado Nacional de Propaganda. Greves industriais, rurais e de serviços.

1945 O dirigente do PCP Alfredo Dinis (Alex) é assassinado pela PVDE, que neste ano passa a chamar-se Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE). Constituição do Movimento de Unidade Democrática (MUD). Capitulação alemã. Fim da guerra na Europa. 1946 IV Congresso do PCP, Cunhal faz valer as suas ideias e derrota a "política de transição" defendida por Júlio Fogaça. Fundação do Movimento de Unidade Democrática juvenil. Com a capitulação do Japão, a Segunda Guerra Mundial chega ao fim.

1948 Cunhal volta a Moscovo para participar numa reunião do Kominform do Movimento Internacional Comunista e tentar que o PCP seja nele reintegrado. Morre Bento de Jesus Caraça, o funeral é uma manifestação de oposição ao Estado Novo. Golpe de Praga. 1949 Prisão de Álvaro Cunhal, de Militão Ribeiro e de Sofia Ferreira numa casa clandestina no Luso (25/3). Seguem-se uma série de prisões de dirigentes comunistas. Do PCP são expulsos dirigentes como Manuel Domingos (que um ano depois aparecerá morto no Pinhal de Belas), Piteira Santos e Manuel Guedes. Candidatura oposicionista do General Norton de Matos, na clandestinidade Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano. Formação do Movimento Nacional Democrático. Portugal adere ao Plano Marshall e EUA instalam-se na Base das Lajes. Institucionalizada a República Popular da Hungria. Criação do Comecon, mercado comum socialista, e da NATO. Institucionalização das duas Alemanhas.

1950 Militão Ribeiro morre na Penitenciária em consequência de greve da fome. Cunhal julgado e condenado, faz do processo uma afirmação política do comunismo. Tratado sino-soviético. Início da Guerra da Coreia. 1951 Morre o marechal Carmona. A candidatura do MND com Ruy Luís Gomes é recusada pelo Tribunal de Justiça. General Craveiro Lopes é eleito Presidente, contra Quintão Meireles.

1953 Cunhal é transferido da Penitenciária de Lisboa para Peniche, após ter estado doente. Transferência para Caxias de Francisco Miguel, último preso a ocupar o Tarrafal que é encerrado. Morte de Estaline. Fim da Guerra da Coreia.1954 Catarina Eufémia é assassinada.

1955 Portugal entra na ONU. Criação do Pacto de Varsóvia. 1956 XX Congresso do PCUS, relatório Khrushchov. Início da desestalinização na URSS. Invasão da Hungria pela URSS.

1957 V Congresso do PCP, o da destalinização. É adoptada a linha imposta por Krutchov ao PCUS no XX Congresso, a da "solução pacífica" de transição para o socialismo e reconhecido o direito à independência das colónias. O Secretariado passa a ser composto por Pires Jorge, Júlio Fogaça, Dias Lourenço, Sérgio Vilarigues e Octávio Pato. PCP participa em Moscovo na reunião dos partidos comunistas. I Congresso Republicano de Aveiro. Manifestações estudantis contra o decreto que acabava com as associações académicas. Ilegalização do MUD. Criação da Comunidade Económica Europeia pelo Tratado de Roma. 1958 Jaime Serra e Joaquim Gomes são presos e formam, com Cunhal, em Peniche, a Comissão de Fuga. PCP concorre às eleições com Arlindo Vicente, acabando por apoiar Humberto Delgado. Criação da Junta de Libertação Nacional (clandestina).

1959 Tentativa de golpe de Estado falhada. Revolução cubana. Início da Guerra da Coreia. Formação da EFTA. 1960 Cunhal foge de Peniche a 3 de Janeiro, com Carlos Costa, Francisco Martins Rodrigues, Francisco Miguel, Guilherme da Costa Carvalho, Jaime Serra, Joaquim Gomes, Pedro Soares e Rogério de Carvalho, mais um guarda da GNR, José Alves, que ajudou à fuga. Cunhal reintegra o Secretariado. De Peniche traz consigo o manuscrito do romance "Até Amanhã, Camaradas". Em Dezembro, nasce a sua filha Ana. Formação da República Socialista da Checoslováquia.

1961 Entre Fevereiro e Maio, Cunhal viveu no Porto, junto ao Mercado do Bom Sucesso, com a mulher Isaura, e a filha Ana. Eleito pelo Comité Central secretário-geral do PCP, passa a viver no estrangeiro. No XXI Congresso do PCUS, em Moscovo, Cunhal intervém para condenar o maoismo. O PCP ganha novos estatutos e programa. Sérgio Villarigues passa a ser o responsável máximo pelo Comité Executivo no interior. O grosso da direcção comunista reconverte-se a Cunhal. O "desvio de direita" é corrigido e derrotada a linha social-democrata protagonizada por Fogaça, que entretanto é preso pela PIDE. Da prisão de Caxias, num carro de Salazar, fogem Francisco Miguel, José Magro, Guilherme da Costa Carvalho, António Gervásio e Domingos Abrantes, Fogaça não é integrado na fuga e será expulso do PCP, dois anos mais tarde. Desvio do paquete "Santa Maria" por Henrique Galvão. Salazar acumula pasta da Defesa. Golpe falhado do general Botelho Moniz. Início da Guerra em Angola. Ocupação de Goa, Damão e Diu pela União Indiana.