Touros é um município brasileiro do estado do Rio Grande do Norte. Tem o apelido de "esquina do Brasil" por se localizar em uma área onde o litoral brasileiro faz uma curva.
Topônimo A origem do topônimo "Touros" é incerta, mas há três versões a respeito do nome: a primeira indica que o nome refere-se a um rochedo situado na praia com formato da cabeça de um touro; a segunda de que o nome teria sido dado pelos portugueses, devido a grandes rebanhos de gado existentes na localidade e a última aponta que a denominação foi dada em homenagem à cidade de Tiro, posteriormente denominado "Touro".
História esquerda|thumb|A fixação do primeiro Marco de Posse colonial da terra brasileira por Portugal ocorreu em Touros e, desde 1974, encontra-se em Natal
Em 1501, em uma expedição enviada pelo rei de Portugal, ocorreu o primeiro desembarque de colonizadores portugueses ao litoral do Rio Grande do Norte pela orla marítima, na área que hoje se encontra o limite dos municípios de Pedra Grande, e São Miguel do Gostoso. Um dos comandantes dessa expedição, Gaspar de Lemos, fixou um marco de posse colonial na praia dos Marcos, o mais antigo do Brasil, que era feito de pedra em mármore e possuía o desenho da cruzes de Malta e da Ordem de Cristo. Acredita-se que, antes mesmo da chegada dos portugueses, alguns navegadores espanhóis, como Alonso de Ojeda e Diego de Lepe, teriam chegado primeiro em terras norte-riograndenses. Há também a tese de que, pouco antes da descoberta do Brasil, Pedro Álvares Cabral tenha atingido o Rio Grande do Norte na praia de Touros.
No século XVII, em abril de 1638, um total de homens, comandados por Luís Barbalho Bezerro, realizou o segundo desembarque português em Touros e depois partiram rumo a Salvador, na Bahia, deixando quatro canhões fixados sobre um rochedo encravado na praia de Marcos, com o objetivo de combater os holandeses. No final do mesmo século ocorreu a expansão agrícola das localidades de Ceará-Mirim e Extremoz, dando início ao processo de desenvolvimento econômico de Touros.
No século seguinte, ocorreu a fixação definitiva dos portugueses em Touros. A imagem de Bom Jesus dos Navegantes, atual padroeiro do município, de origem incerta, também chegou à localidade. Em homenagem ao santo foi erguida uma capela, cuja construção durou 22 anos. Uma grande seca ocorrida no Rio Grande do Norte na última década do século XVIII impulsionou a migração de trabalhadores agrícolas vindos do sertão para Touros.
Em 5 de setembro de 1823 o povoado de Touros foi elevado à categoria de distrito. Em 1832 foi instituída a freguesia de Bom Jesus dos Navegantes e, em 11 de abril de 1833, a Resolução do Conselho do Governo Provincial elevou Touros à categoria de vila, tornando-se município do Rio Grande do Norte, desmembrado de Ceará-Mirim, e instalado em 26 de julho do mesmo ano. A resolução foi confirmada quase dois anos depois pela lei provincial nº 21, de 27 de março de 1835.
Entre os fatos históricos do século XX, destacaram-se a construção o Farol do Calcanhar (1908); o pouso do avião Savóia-Marchetti (modelo S-64) na ponta do Calcanhar, em 1928, devido ao tempo instável e, consequentemente, à má visibilidade; a transferência do marco de posse colonial sagrado de Touros para Natal em 1974 e a construção do marco inicial da BR-101, que se estende do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul pelo litoral. Em 30 de maio de 2000, a lei estadual instituiu o dia 7 de agosto como a data de aniversário do Rio Grande do Norte, formalizando Touros como "a porta de entrada para a criação do estado".
Quando emancipado, Touros possuía uma grande extensão territorial, com uma extensão de 180 quilômetros de praias. Com o passar do tempo, o quadro territorial do município foi sendo alterado com a criação de distritos e sua posterior emancipação por meio de lei estadual. De Touros foi desmembrado parte de João Câmara (29 de outubro de 1928) e os municípios de Maxaranguape (17 de dezembro de 1958), Pureza (5 de abril de 1963) e São Miguel do Gostoso (ex-São Miguel de Touros, em 16 de julho de 1993).
Geografia De acordo com a divisão do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) vigente desde 2017, Touros pertence às regiões geográficas intermediária e imediata de Natal. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião do Litoral Nordeste, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Leste Potiguar.
Banhado pelo Oceano Atlântico, Touros possui a alcunha de "esquina do Brasil" pela sua localização em uma área em que o litoral brasileiro faz uma curva, no extremo nordeste do país. Possui de costa, boa parte na Área de Proteção Ambiental dos Recifes dos Corais, instituída pelo decreto estadual de 6 de junho de 2001, cobrindo dezoito mil hectares de área.RIO GRANDE DO NORTE. Decreto nº 15.746, de 6 de junho de 2001 . Cria a Área de Proteção Ambiental - APA dos Recifes de Corais nos Municípios de Maxaranguape, Rio do Fogo e Touros, e dá outras providências. Natal, 2001. Limita-se com Pureza e João Câmara a sul; Rio do Fogo a leste; São Miguel do Gostoso, Parazinho e novamente João Câmara a oeste. Ocupa uma área de (1,4277% da superfície estadual), dos quais constituem a área urbana. Está distante da capital estadual, Natal, e a da capital do país, Brasília.
thumb|esquerda|A praia de Lagoa do Sal com suas falésias O relevo de Touros é formado pela planície costeira, caracterizado pela existência de dunas de areia formadas pela ação dos ventos. Adentrando o continente, essa planície dá lugar aos tabuleiros costeiros, também chamados de planaltos rebaixados, sendo possível ainda notar a presença da chapada da serra verde, nas áreas mais afastadas do mar, cujos terrenos são ligeiramente mais elevados que os tabuleiros. Geologicamente, a maior parte da área territorial do município é formada por sedimentos do Grupo Barreiras, constituído por sedimentos de arenitos intercalados por argilito e siltito e fragmentos de rochas cobertas por paraconglomerados de quartzo e sílex, formados durante a Idade Terciária. A exceção ocorre na porção sudoeste, que é tipicamente formada por sedimentos de calcário da formação Jandaíra, que pertence à Bacia Potiguar, do período Cretáceo.
Na pedologia, quase todo o solo tourense é constituído pelas areias quartzosas, altamente permeável e excessivamente drenado, porém bastante pobre em nutrientes e, portanto, pouco fértil. Este tipo de solo, na nova classificação brasileira de solos, é chamado de neossolo. Em pequenas áreas isoladas existem o luvissolo, o organossolo e o vertissolo, sendo os dois primeiros, na antiga classificação, denominados de podzólico vermelho-amarelo eutrófico e solo orgânico, respectivamente, enquanto o último manteve sua denominação original.JACOMINE, 2008, p. 177-178. A maior parte desses solos é coberta por uma vegetação xerófila de pequeno porte, a caatinga, que abrange 74% do município, estando os outros 26% no bioma da Mata Atlântica. Entre as espécies mais comuns estão o angico, a aroeira, a braúna, a catingueira, o juazeiro, o mandacaru, o marmeleiro e o umbuzeiro. Nas várzeas úmidas estão os campos de várzea, que margeiam os cursos d'água, existindo ainda a formação de praias e dunas, no litoral, e pequenas áreas de cerrado.
Touros possui sua área incluída nos domínios da bacia hidrográfica do rio Boqueirão e das faixas litorâneas de escoamento difuso. Cortam o município diversos cursos d'água, entre os quais o rio Maceió, o único que passa pela zona urbana. Outros rios são: Curicacas, Maxaranguape, Tatu, das Piranhas, Punaú e Santa Luzia. Os principais riachos são Arrepiado, Carro Quebrado, Colônia, Córregos, d'Água e Maxaranguape, existindo ainda numerosas lagoas, das quais a principal é lagoa do Boqueirão, com capacidade para , cobrindo 208,94 ha.
Touros possui clima tropical chuvoso com verão seco (ou subúmido) no litoral, com índice pluviométrico anual acima dos 800 milímetros (mm), e semiárido mais para o interior do município, com índices abaixo dos 800 mm/ano. As chuvas se concentram nos meses de março a julho. De acordo com dados da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (EMPARN), desde 1911 o maior acumulado de precipitação em 24 horas foi de em 20 de dezembro de 1997. Acumulados iguais ou superiores a também ocorreram em 19 de julho de 1974 () e 8 de junho de 1954 (). Desde novembro de 2019, quando entrou em operação uma estação meteorológica automática da EMPARN em Touros, as temperaturas variaram de em 14 de julho de 2020 a em 9 de abril do mesmo ano.
Política A administração municipal pelos poderes executivo, exercido pelo prefeito, auxiliado pelo seu gabinete de secretários, e legislativo, representado pela câmara municipal, formada por treze vereadores. Dentre as atribuições do legislativo estão a elaboração e a votação de leis fundamentais à administração e ao executivo, especialmente o orçamento municipal, a chamada lei de diretrizes orçamentárias. Tanto o prefeito quanto os vereadores são eleitos pelo voto direto para mandatos de quatro anos. O município se rege por lei orgânica, promulgada em 3 de abril de 1990 e atualizada por emendas posteriores.
Existem também alguns conselhos municipais em atividade: Alimentação Escolar, Assistência Social, Cultural, Defesa Civil, Desenvolvimento Rural, Direitos da Criança e do Adolescente, Direitos do Idoso, Educação, Habitação, Saúde, Segurança Pública, Transporte e Tutelar. Touros possui uma comarca do poder judiciário estadual, de entrância inicial, cujos termos são Rio do Fogo e São Miguel do Gostoso. Pertence à décima-quarta zona eleitoral do Rio Grande do Norte, possuindo, em Abril de 2025, eleitores, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), equivalente a 1,041% do eleitorado potiguar.
Subdivisões
O município de Touros é composto pela zona urbana e pela zona rural.
A zona urbana corresponde à sede municipal, organizada em bairros, entre os quais se destacam: Esquina do Brasil, Portal de Touros, Conjunto Praia do Farol, Conjunto Ponta do Calcanhar, Frei Damião, Centro, Largo de Nossa Senhora e Novo Horizonte.
A zona rural é formada por diversas comunidades, entre as quais:
Arribão Areias Assentamento Aracati Assentamento Astral Assentamento Baixa Funda Assentamento Canudos Assentamento Chico Mendes I Assentamento Chico Mendes II Assentamento Coelho Assentamento Colorado Assentamento Nossa Senhora Aparecida Assentamento Planalto do Retiro Assentamento Santo Antônio Assentamento São Sebastião Baixa do Baião Baixa do Quinquim Boa Cica Boqueirão Caiana Cajá Cajueiro Carnaubal Carnaubinha Gameleira Geral Golandim Lagoa de Serra Verde Lagoa do Mato Lagoa do Sal Monte Alegre Perobas Pororoca Redenção Santa Luzia Santo Antônio São José Souza Tubiba Ubaieira Vila Assis Vila Israel Vila Mayne Zabelê (antigo Assentamento Quilombo dos Palmares)
miniaturadaimagem|Touros é o maior Produtor de Coco do Rio Grande do Norte e o 4º maior do País. |alt=Touros é o maior Produtor de Coco do Rio Grande do Norte e o Quarto do País.
Economia Conforme dados de 2021, o Produto Interno Bruto (PIB) de Touros era de R$ mil, sendo R$ mil do setor primário, R$ mil do setor secundário, R$ do setor terciário e mil de impostos sobre produtos líquidos de subsídios a preços correntes. O PIB per capita era de R$ . 65,9% da população maior de dezoito anos era economicamente ativa, enquanto que a taxa de desocupação era de 7,65% (2024). miniaturadaimagem|Maior produtor de Batata-doce do Rio Grande do Norte e 6º maior do Brasil.