Krim Orutu, também denominada Krim Orutu Puri, é uma comunidade indígena do povo Puri, no vale do Rio Doce, no leste de Minas Gerais, Brasil. Sua organização está documentada em Resplendor e em uma retomada territorial no município de Itueta.

Entre suas atividades e reivindicações estão a continuidade de práticas culturais Puri, o acesso ao território e a reparação dos impactos do rompimento da barragem de Fundão, ocorrido em 2015.

Nome

A expressão Krim Orutu é traduzida como “sangue valente”. Na dissertação Kwaytikindo: cosmopolítica e historiografia linguística Puri, Mery Nancy de Lima Leite, também identificada como Txâma Xambé Puri, relaciona os termos krim a sangue e orutu a valente.LEITE, Mery Nancy de Lima (Txâma Xambé Puri). Kwaytikindo: cosmopolítica e historiografia linguística Puri. Dissertação (Mestrado Profissional em Linguística e Línguas Indígenas). Rio de Janeiro: Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2025, p. 128 e 171. Consultado em 23 de setembro de 2026.

Território e organização

Em junho de 2024, a Associação Estadual de Defesa Ambiental e Social (Aedas), que prestava assessoria técnica à comunidade, registrou reuniões na residência da cacica Puoná Xipu Puri. As famílias estavam dispersas pelo leste mineiro, principalmente em Resplendor, e reivindicavam um território comunitário.

A ocupação de uma área vinculada à Usina Hidrelétrica de Aimorés, na zona rural de Itueta, foi comunicada ao Ministério Público Federal pela Aedas em 2024. Em novembro daquele ano, a Comissão de Participação Popular da Assembleia Legislativa de Minas Gerais visitou a ocupação Puri. Segundo a reportagem da Assembleia, mais de cinquenta famílias estavam no local havia aproximadamente dois meses. As lideranças reivindicavam a permanência na área como parte de uma retomada de território ancestral. A empresa Aliança Geração de Energia, administradora da usina, havia obtido uma liminar de desocupação e alegava riscos de alagamento. A visita também registrou dificuldades de acesso a água potável, alimentação, saúde e educação.

Em julho de 2025, o Ministério Público Federal instaurou um inquérito civil para acompanhar as medidas do poder público relativas à proteção e assistência aos integrantes da aldeia ou ocupação Krim Orutu Puri. O procedimento abrangia demandas de território e moradia, saúde, educação, assistência social, energia elétrica e acesso à água.

Cultura e liderança

Puoná Xipu Puri é identificada como cacica da Krim Orutu em reportagem do Colab PUC Minas. Em entrevista publicada pelo Colab em dezembro de 2025, relatou a importância do Rio Doce para as práticas espirituais da comunidade e os efeitos do rompimento de Fundão sobre essa relação. A reportagem registrou a continuidade de rituais à beira do rio, mesmo diante das restrições ao uso de suas águas.

Entre as práticas descritas pela Aedas estão a produção artesanal com sementes, fibras e cascas vegetais, incluindo adornos e peças de uso ritual. A reportagem também menciona ações de recuperação da língua Puri e conhecimentos sobre plantas e sementes.

A dissertação de Leite documenta o uso do canto Taheanta, denominado kanaremunde, em uma publicação da comunidade de 2024. A autora analisa a composição como expressão das relações entre ancestralidade, floresta e povo Puri.

Reparação dos impactos de Fundão

Representação comunitária

Em julho de 2024, a Aedas informou a realização de uma assembleia para constituir a Comissão Própria de Atingidos e Atingidas da Krim Orutu. Foram escolhidos dez representantes, divididos entre cinco titulares e cinco suplentes, com mandatos de até dois anos e possibilidade de reeleição. A assembleia aprovou um regimento para orientar a participação da comunidade nos espaços de governança da reparação dos danos de Fundão.

Reconhecimento de impactos e repactuação

A Deliberação nº 829 do Comitê Interfederativo, de 27 de setembro de 2024, reconheceu como impactados pelo rompimento de Fundão os indígenas Puri da região de Aimorés e Resplendor. O ato determinou à Fundação Renova medidas de identificação e cadastramento, acesso a auxílio emergencial, abastecimento de água e estudos para a reparação dos danos.

Em 25 de março de 2025, a aldeia Krim Orutu, em Itueta, recebeu uma equipe da Caravana Interministerial do Rio Doce. Segundo a comunicação oficial do governo federal, o encontro reuniu aproximadamente cem pessoas e integrou uma série de apresentações sobre o novo acordo de reparação. O governo distinguiu essas reuniões informativas do processo de consulta sobre a aceitação do acordo pelos povos indígenas.

O Requerimento de Comissão nº 17.350/2025, aprovado pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais, solicitava ao Comitê Estadual de Minas Gerais a inclusão da Krim Orutu no Novo Acordo de Mariana. A proposição mencionava o reconhecimento da comunidade como atingida pelo Comitê Interfederativo.

Segundo relato publicado no portal da própria comunidade, um encontro realizado em 30 de agosto de 2026 marcou o encerramento de sua consulta livre, prévia e informada sobre a repactuação do Rio Doce. A publicação descreve a participação de lideranças, anciãos, famílias e jovens nas discussões comunitárias.

Referências

Ligações externas Site oficial da comunidade Krim Orutu