Animação independente ou animação indie se refere a filmes independentes de animação produzidos por uma única pessoa ou por equipes menores fora de uma indústria principal de animação. Em sua maioria, animações independentes são exibidas em festivais de cinema, sessões privadas ou escolas de animação.

Artistas e profissionais produzem animação independente para obter ampla liberdade criativa, como inclusão de pautas sociais, algo que pode ser desafiado em estúdios de animação tradicionais devido a censura. Representações de minorias

Representação LGBT Representações LGBTQIA+ aumentaram ao longo dos anos e muitas séries hoje possuem personagens LGBT em destaque. Lizzy the Lezzy, que estreou em 2006 no Myspace, contava com personagens LGBT, incluindo a protagonista Lizzy, uma lésbica.

Plum, uma personagem da websérie de animação de 2012 Bravest Warriors do Cartoon Hangover, foi sugerida como bissexual por outros personagens da série e confirmada pela escritora Kate Leth. Embora Plum tivesse certo interesse romântico em Chris, beijando-o várias vezes durante a série, nos quadrinhos revela-se atraída por sua própria doppelganger. Ian Jones-Quartey, que nessa mesma série dublou o personagem Wallow, é criador de OK K.O.! Let's Be Heroes, que apresentava diversos personagens LGBTQ+.

Representação racial Angakusajaujuq: The Shaman's Apprentice (2020), com personagens inuítes canadenses, ganhou o prêmio de Melhor Curta-Metragem Independente no Festival Stop Montreal.

História

Primórdios A animação independente tem suas origens nos Estados Unidos. No país, os primeiros animadores independentes incluem Mary Ellen Bute, John Whitney, Harry Everett Smith e Oskar Fischinger ao lado de outros participantes com esforços que culminariam para criação do estúdio de animação UPA.

Em 1959, Moonbird tornou-se o primeiro filme de animação independente a ganhar o Oscar de melhor curta-metragem de animação, produzido por John Hubley e sua esposa Faith Hubley com uso de animação limitada para contar suas histórias pessoais.

Nessa época, Jordan Belson, Robert Breer e Stan Vanderbeek fizeram filmes experimentais inovadores.

Outros animadores independentes durante esse tempo foram Jim Henson, Charles Braverman, Gene Deitch, Fred Mogubgub, Fred Wolf e Will Vinton.

No fim da década de 1960, o animador Ralph Bakshi e o produtor Steve Krantz fundaram a Bakshi Productions, posicionando o estúdio como alternativa à animação da corrente dominante através de uma produção de características próprias e abrindo caminho para animadores femininos e minorias. Os salários eram superiores aos de outros estúdios da época. Em 1969, Ralph fundou a Spot, uma divisão da Bakshi Productions que produziu intervalos comerciais para a Coca-Cola e Max, the 2000-Year-Old Mouse e uma série de curtas educacionais patrocinados pela Encyclopædia Britannica. No entanto, Ralph se desinteressou pela animação produzida pelo seu estúdio e investiu em histórias mais pessoais, logo desenvolvendo o filme Heavy Traffic. Bakshi foi informado por Krantz que executivos de grandes estúdios de cinema não estariam mais interessados em financiar seus filmes devido a inexperiência de Bakshi com filmes e o conteúdo deles.

Fritz the Cat (1972) foi o primeiro filme de animação independente a receber classificação indicativa X pelo MPAA e também o filme de animação independente mais lucrativo de todos os tempos. Bakshi dirigiu vários filmes de animação simultaneamente, começando com Heavy Traffic um ano depois. Ralph Bakshi tornou-se a primeira pessoa na indústria da animação desde Walt Disney a ter dois filmes de sucesso comercial lançados consecutivamente.

Seguido de Bakshi, outros filmes independentes de animação surgiram nas décadas de 1970 e 80 (alguns produzidos por ex-funcionários da Disney) tais como Shinbone Alley (1971) de John David Wilson, The Secret of NIMH (1982) de Don Bluth, The Adventures of Mark Twain (1985) de Vinton e o clássico cult The Brave Little Toaster (1987) de Jerry Rees.

Casos notórios de filmes incluem The Further Adventures of Uncle Sam (1970), The Crunch Bird (1971), Frank Film (1973) e Sundae in New York (1983).

Historiadores de animação como John Canemaker e Michael Sporn também fizeram filmes de animação independente em Nova Iorque.

Animação independente contemporânea Com o avanço da internet nas décadas de 1990 e 2000, viu-se um aumento exponencial na produção de animação independente, incluindo trabalhos pessoais independentes de Timothy Hittle, Janie Geiser, John R. Dilworth, Lewis Klahr e John Schnall. A capacidade dos computadores pessoais aumentou a tal ponto que tornou-se possível para uma única pessoa produzir um desenho animado em um computador doméstico, usando softwares como o Flash, e distribuir esses curtas-metragens pela World Wide Web.

Por país

Alemanha Um dos primeiros filmes de animação independente foi As Aventuras do Príncipe Achmed feita em 1926 por Lotte Reiniger, uma artista alemã que inventou a técnica de animação com silhuetas.

Australia Na Austrália, a Glitch Productions ("SMG4", "Murder Drones" e "The Amazing Digital Circus") é exemplo notório de estúdio de animação independente australianos.

Brasil Sinfonia Amazônica, o primeiro longa-metragem brasileiro de animação, lançado em 1953, é também a primeira animação independente do Brasil. O filme foi desenvolvido por Anélio Latini Filho com ajuda de seu irmão e com poucos recursos.

Na década de 2010, o Brasil presenciou as primeiras séries de animação independente mais notórias a nível nacional, produzidas por Ronaldo de Azevedo ("Cueio", "Turma do Cueio"), Belli Studio ("Boris e Rufus", "Esquadrão do Mar Azul"), Júlio Cesar ("Juca Jacaré"), Combo Studio (a personagem youtuber "Any Malu"). Incluem-se como filmes de animação independente desta década O Menino e o Mundo (2013), Tito e os Pássaros (2018).

Na década de 2020, o Brasil seguiu com lançamentos de produções independentes como o filme Bizarros Peixes das Fossas Abissais.

Canadá

Espanha Dois filmes de animação independente espanholas foram indicadas ao Oscar de Melhor Filme de Animação: Klaus (2019), Robot Dreams (2023).

França Exemplos de animação independente na França incluem Fantastic Planet (1973), Les Triplettes de Belleville (2003), o indicado ao Oscar Persépolis e Amélie et la Métaphysique des tubes (2025). Arco, dirigido por Ugo Bienvenu, é um exemplo mais recente de animação francesa independente.

Israel Filmes de animação independente israelenses incluem Vals im Bashir e o curta Letter to a Pig, indicado ao Oscar.

Japão Satoshi Kon, Kōji Yamamura, Masaaki Yuasa, Yoji Kuri e Kihachiro Kawamoto são exemplos notórios animadores independentes japoneses.

A Viagem de Chihiro, filme de Hayao Miyazaki e vencedor do Oscar de melhor filme de animação, também é uma animação produzida de forma independente.

México Soy Frankelda, filme mexicano de 2025, dirigido pelos irmãos Arturo e Roy Ambriz com consultas a Guillermo del Toro, é considerado o primeiro filme de animação independente do México.

Reino Unido O BFI investiu em cerca de 30 obras de animação experimental entre meados da década 1950 e a década 1990 (com os Irmãos Quay como um exemplo). O Channel 4 também é destacado como um grande investidor de animações independentes, e ganhou uma reputação internacional como uma das emissoras mais ousadas pela transmissão de algumas animações, apresentando trabalhos de Joanna Quinn (Girls' Night Out), Alison de Vere (Mr. Pascal) Paul Barry (The Sandman), Mark Baker (The Village), Barry Purves (Next) e o ex-animador do National Film Board of Canada, Paul Driessen (3 Misses).

Outro marco da animação britânica, a adaptação de Watership Down de 1978 pelo cineasta americano Martin Rosen, também foi produzida independentemente.

Portugal

Animações notórias de outros países

Alephia 2053 (Líbano) Metegol (Argentina) Mavka: The Forest Song (Ucrânia) Trilogia de filmes The Secret of Kells, Song of the Sea, Wolfwalkers (Irlanda) We Can't Live Without Cosmos (Rússia) Surogat (Iugoslávia) The Peasants (Polônia) Harpya (Bélgica) Anna & Bella (Países Baixos)

Ver também

Richard Williams - animador e diretor do filme de animação independente The Thief and the Cobbler. Cartoon Saloon - estúdio de animação independente irlandês. Laika - estúdio de animação independente americano.

Categoria:Animação